Registo Nacional de Anafilaxia é «fundamental na segurança dos utentes»

Face a algumas lacunas na notificação dos episódios de anafilaxia, a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) decidiu criar o Registo Nacional de Anafilaxia, lançado no final do mês passado.

Em declarações à Just News, Elisa Pedro, presidente da SPAIC, assegura que “o registo e a partilha de informação sobre alergias e reações adversas é fundamental para a diminuição do risco grave e para a segurança dos utentes dos serviços de saúde”.

A médica relembra que, desde 2012, é obrigatório o registo da anafilaxia, contudo, este ainda não é o que se pretende. “Continuam a ser detetadas lacunas importantes na documentação clínica, sendo o registo muitas vezes inexistente ou não estruturado, com implicações graves na segurança clínica dos doentes”, alerta.

Desta forma, mesmo com a notificação obrigatória, “a anafilaxia continua a ser subdiagnosticada e subtratada, colocando em risco entre 0,5 a 1,5% da população portuguesa”.

Reunir dados para estudar "causas e abordagens clínicas"

O Registo Nacional de Anafilaxia, lançado pela SPAIC e acessível no site da Sociedade, pretende, assim, a recolha de dados de saúde a nível nacional, sob anonimato. “Estes dados, anónimos e confidenciais, serão analisados de forma agrupada com o objetivo de estudar as tendências, causas e abordagens clínicas, sendo que os resultados dos estudos serão essenciais para que os médicos tenham um maior conhecimento do problema”, refere a responsável.

As informações do Registo serão posteriormente exportadas para o CPARA - Catálogo Português de Alergias e Outras Reações Adversas do Ministério da Saúde.

De acordo com a imunoalergologista do Centro Hospitalar Lisboa Norte, “a Direção da SPAIC está a trabalhar em conjunto com o Grupo de Interesse de Anafilaxia e Doenças Imunoalérgicas Fatais (GANDALF) da Sociedade para que haja essa exportação". Contudo, acrescenta, "ainda não temos uma data prevista”.


Direção da SPAIC com Luís Delgado, presidente cessante (ao centro): Rodrigo Alves, Pedro Martins, Elisa Pedro, João Fonseca, Manuel Branco Ferreira, Emília Faria e Ana Morête

O Registo Nacional de Anafilaxia é a mais recente valência da SPAIC, que surge após "um processo interativo e muito participado, assente na experiência prévia sobre notificações de anafilaxia da SPAIC e no trabalho do Grupo de Interesse GANDALF".

"Aumento das doenças alérgicas em geral"

Segundo Elisa Pedro, a incidência da anafilaxia tem vindo a aumentar nos últimos anos, sobretudo em crianças e adolescentes. “Para isso tem contribuído o aumento das doenças alérgicas em geral, mas também uma maior sensibilização por parte dos médicos para o diagnóstico, assim como uma maior divulgação das notificações a nível nacional e internacional.”

Os alimentos, os medicamentos e as picadas de insetos são as três principais causas mais prevalentes. “Os alimentos são a mais comum nas crianças e adolescentes, enquanto os medicamentos e os venenos de himenópteros (abelha/vespa) provocam mais reações em adultos, com maior frequência nas mulheres”, menciona.

Elisa Pedro adianta ainda à Just News a vontade de que, no decorrer deste ano, a SPAIC venha a lançar o Registo Nacional da Dermatite Atópica, temática que estará em foco na Semana Mundial da Alergia da World Allergy Organization (WAO), que decorre entre 22 e 28 de abril.

A preceder a Semana Mundial, irá decorrer, em Ofir, a 17.ª Reunião Primavera da SPAIC, que tem como lema “Alergia Alimentar – Patologias Emergentes”. O evento realiza-se dia 14 de abril.


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