Congresso de Medicina Intensiva do HFF: «conteúdos traduzem a experiência do Serviço»

Não é por acaso que o Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca (HFF), dirigido por Paulo Freitas, vai dar início ao seu 2.º Congresso com uma sessão dedicada à "Abordagem integrada do doente cirúrgico".

Os temas desta reunião científica, que decorre no mês de novembro, foram "cuidadosamente escolhidos", de forma a que sejam abordados elementos diferenciadores do serviço e da unidade, tendo em conta as próprias especificidades da região onde está localizada. "Quisemos fazer um congresso um bocadinho diferente dos temas clássicos", refere o médico.

Nesse sentido, e em declarações à Just News, Paulo Freitas, que preside ao Grupo Português de Triagem, adianta: "Este hospital faz muita cirurgia e faz, sobretudo, muita cirurgia de urgência. Há meses que chegamos a fazer cerca de 20% de cirurgia de urgência, o que é muito."

E acrescenta: "Isto acontece porque temos muitos doentes. É uma grande área de referenciação, temos muita patologia de trauma, muita patologia oncológica, somos centro de referência para cirurgia coloretal, para cirurgia hepatobiliar e, portanto, há muitos doentes que vêm referenciados do exterior, com situações muito delicadas, para serem operados aqui."

Assim, e além da visão do intensivista, nesta primeira sessão da reunião serão partilhadas também as perspetivas do cirurgião, do enfermeiro e do anestesista.


A sessão de abertura do Congresso estará a cargo de Fátima Assuda, enfermeira chefe do Serviço de Medicina Intensiva, e Paulo Freitas

"Envolvemos sempre várias especialidades"

Outro exemplo de como o congresso visa abordar "os mais atualizados temas de cuidados intensivos" e, simultaneamente, partilhar entre pares a forma como profissionais do HFF têm ultrapassado certos desafios, apesar de um serviço "claramente subdimensionado", é a "mesa muito interessante" dedicada às "doenças infeciosas sem fronteiras".

E porquê este tema? "Porque o hospital tem uma população de viajantes muito diferente dos outros hospitais. Temos a maior comunidade imigrante do país e, naturalmente, vão por vezes de férias aos seus países de origem, como Cabo Verde, Angola, Gana ou Costa do Marfim, podendo trazer inclusive alguns familiares no regresso", explica Paulo Freitas.

Assim, para esta sessão, "convidámos dois grandes médicos, e grandes amigos". Por um lado, David Morais, "uma das grandes referências em zoonoses a nível mundial vai refletir sobre as novas zoonoses que estão a surgir pois, com as alterações climáticas, também os padrões de doença estão a mudar."

Quanto ao outro orador, Kamal Mansinho, "vem falar sobre o futuro das doenças tropicais em cuidados intensivos. Isto é, com todas estas mudanças climáticas, dará a sua previsão sobre doenças como o dengue, malária, doenças infeciosas como a cólera, inclusive a raiva, que é endémica nalguns países".



O médico salienta que estes dois especialistas não são de cuidados intensivos, "mas vêm dar uma perspetiva do futuro destas patologias em cuidados intensivos." E, para Paulo Freitas, este é um elemento relevante do evento. "Não é só um congresso de intensivistas para intensivistas. Envolvemos sempre várias especialidades."

"Uma atividade de interesse público"


Agendado para dias 21, 22 e 23 de novembro, o Congresso realiza-se no auditório desta unidade hospitalar e conta com o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos (SPCI) e da Associação Portuguesa de Enfermeiros e Médicos de Emergência (APEMERG), estando os dois primeiros dias dedicados a cursos pré-congresso.

A iniciativa pretende ser "um espaço de crescimento para os profissionais do HFF, no entanto optamos, desde a primeira edição, por abrir inscrições para profissionais externos”, adianta o médico internista.



Paulo Freitas faz questão de recordar que "o congresso mantém a gratuitidade da inscrição", reconhecendo que "as pessoas às vezes ficam muito perplexas, até porque mesmo os cursos também são gratuitos." E explica o motivo: "Nós encaramos o Congresso como uma atividade de interesse público e não de interesse individual nem comercial. E, portanto, esta reunião tem também este elemento diferenciador."

Em jeito de conclusão, Paulo Freitas afirma: "Na prática, o que nós tentámos fazer foi ir de encontro às necessidades das pessoas, procurando não replicar programas científicos, pois há alguma tendência para falar sobre os mesmos temas."

E acrescenta: "Procurámos, através da experiência do Serviço de Medicina Intensiva e dos outros serviços, criar conteúdos que fossem do agrado das pessoas e procurar abordar a medicina intensiva de maneira um pouco diferente. Muitas destas mesas traduzem uma experiência de anos".


A Comissão Organizadora integra um conjunto de médicos e enfermeiros do SMI: Hélio Correia, Sílvia Coelho, Eva Figueiredo, Paulo Freitas, Zita Simões, João Mendes e Nelson Santos. Ausente na foto: Fátima Assuda.

As inscrições são gratuitas, mas limitadas à capacidade do auditório e salas de formação.

O programa pode ser consultado aqui.

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