«Devemos promover a humanização das pessoas com doença mental grave»

O estigma é um dos principais fatores de discriminação das pessoas com doença mental e por isso o tema deve ser discutido sem tabus, segundo Pedro Varandas, diretor clínico da Casa de Saúde de Idanha, uma unidade das Irmãs Hospitaleiras, e membro da comissão organizadora do XIII Congresso S. João de Deus - Obras Hospitaleiras: Ciência e humanismo.

“Destaca-se a ideia errada de que a pessoa com doença mental é agressiva, violenta e apresenta sempre um comportamento desadequado”, disse à Just News na sequência do evento que teve como mote “Psiquiatria e Saúde Mental 100/Sem tabus”.



No congresso, que teve lugar a semana passada, na Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Lisboa, Pedro Varandas falou sobre a necessidade de desmistificar várias ideias relacionadas com a doença mental, alertando para alguns aspetos. “É preciso ter outra visão sobre a patologia em si, sobretudo no que diz respeito ao sofrimento que a mesma acarreta.”

Face a esta realidade, Pedro Varandas defendeu: “Devemos promover a humanização das pessoas com doença mental grave, para que nesse processo de dignificação possam ter acesso aos direitos que a própria sociedade não lhes quer conferir.”

Para o médico psiquiatra, todos os passos são importantes na luta contra o estigma, já que “este como qualquer outro preconceito faz parte da condição humana. Cabe-nos refletir e aprofundar o conhecimento sobre a patologia mental e partilhar este conhecimento com a sociedade em geral para que consigamos desmistificar e banir este preconceito”.



Outro tema em destaque no Congresso foi a organização dos serviços em Psiquiatria e Saúde Mental, tendo estado presente o mais recente diretor do Plano Nacional para a Saúde Mental, o médico psiquiatra Miguel Xavier. Sobre esta temática, Pedro Varandas revelou estar expectante. “Tenho esperança que se vai conseguir concretizar este plano, nomeadamente na área dos cuidados continuados integrados de Saúde Mental.”

Relativamente a esta problemática, o especialista sublinhou que o novo diretor deverá ter em atenção alguns pontos. “Verificaram-se alguns erros nos projetos-piloto que devem ser solucionados, principalmente no que se refere ao planeamento de tipologias e dos recursos afetos às mesmas.”


António Pacheco Palha, presidente da Comissão Científica, Matilde Porras González, superiora provincial da Província de Espanha das Irmãs Hospitaleiras, Jesús Etayo, superior geral da Ordem Hospitaleira S. João de Deus e Pedro Varandas


Também presente no congresso esteve Joaquina Castelão, presidente da FamiliarMente - Federação Portuguesa das Associações das Famílias de Pessoas com Experiência de Doença Mental. Em declarações à Just News, a responsável começou também por sublinhar a necessidade de se combater o estigma. “Infelizmente é um problema que perdura na sociedade em geral, contribuindo de forma extremamente negativa para o acesso aos cuidados de saúde e à reabilitação e reintegração das pessoas com doença mental”, frisou.

Tal como Pedro Varandas, Joaquina Castelão mostrou-se expectante face ao futuro do Plano Nacional para a Saúde Mental. “Já contactámos o novo diretor, o Prof. Miguel Xavier, e acreditamos que vamos conseguir avançar de forma mais consolidada, nos próximos tempos, com os cuidados continuados integrados em Saúde Mental.”

Todavia, acrescentou, “neste âmbito é importante fazer-se alguns ajustes e alterações à legislação em vigor, para se melhorar a prestação de cuidados, garantindo a continuidade dos mesmos”.

A presidente da FamiliarMente relembrou que “a preocupação dos familiares também se deve à garantia de cuidados no domicílio, que são escassos no Serviço Nacional de Saúde”.
O evento foi organizado pelo Instituto S. João de Deus e pelo Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus.

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