«TUC TUC Social»: Novo projeto apoia idosos nas consultas médicas

Os habitantes de Carrazeda de Ansiães, no distrito de Bragança, contam, desde o início deste mês, com a ajuda do “TUC TUC Social”, um projeto do Centro Social Paroquial de Pombal, em Carrazeda de Ansiães, instituição presidida pelo padre Bruno Miguel Sarmento Dias.

Um dos objetivos é acompanhar quem necessita de apoio para ir a uma consulta, explica Madalena Trigo, assistente social e diretora técnica do Centro Social Paroquial de Pombal.

Em declarações à Just News, a responsável salienta que “os doentes nem sempre entendem o que o médico lhes está a dizer, o que acaba por comprometer a terapêutica e a continuidade de cuidados de saúde.”

"Muitos idosos não entendem o que lhes é dito"


A ideia do “TUC TUC Social”, que resulta de uma candidatura submetida pelo Centro Social Paroquial de Pombal ao programa "+CO3SO Emprego", foi impulsionada quando Madalena Trigo teve de ajudar a mãe com um problema oncológico, conforme explica:

 “Passei muito tempo em salas de espera de hospital e vi como muitos idosos são obrigados a ir sozinhos às consultas e a tratamentos. Saem muitas vezes sem entender o que lhe és dito e o que se passa realmente com a sua situação clínica."

Não podendo ser acompanhados pelos filhos ou outros familiares e amigos, "os mais velhos acabam por nem sempre seguir a terapêutica e os cuidados necessários". E sublinha: "O défice auditivo, a escassa literacia em saúde e não só, o analfabetismo e os problemas cognitivos acabam por condicionar a relação médico-doente."

Madalena Trigo acrescenta que o mesmo pode acontecer com pessoas mais novas, "mas que têm algum tipo de dificuldade, que possa impedir o total entendimento do que lhes é dito".


Madalena Trigo

Preencher uma "lacuna social" na Saúde

Para dar resposta ao que considera ser uma “lacuna social” na área da Saúde, a impulsionadora deste projeto esclarece que "os utentes são acompanhados por um profissional que vai recolher toda a informação, que é depois reportada ao familiar ou amigo indicado pelo doente".

Sendo uma zona rural, onde apenas há um autocarro de manhã e outro à tarde, a disponibilidade de transporte é outra mais-valia. “Muitos saíam de casa muito cedo e tinham de ficar parte do dia na vila. Além disso, podem conversar, o que é muito importante para a saúde mental de quem vive mais isolado.”

Para Madalena Trigo, o “TUC TUC Social” também tem benefícios para os profissionais de saúde, que nem sempre conseguem entrar em contacto com os filhos ou outros representantes do doente. “Os médicos sentem, muitas vezes, necessidade de falar com um familiar, porque sabem que a pessoa não está a perceber o que lhe está a dizer. Assim, já o podem fazer.”


Madalena Trigo com Rui Pinto e Miguel Pinto

Serviço Social: “Parte essencial da equação num Serviço Nacional de Saúde”

Inês Espírito Santo, professora auxiliar convidada do ISCTE, vê nesta iniciativa mais um exemplo de como a saúde e o bem-estar envolvem diferentes parceiros. “São projetos como estes que são necessários replicar e ampliar e esta receita aplica-se a um vasto leque de situações.”

A docente considera que é deste modo que é possível apostar na centralidade dos cuidados, que ainda não é de todo a mais desejável em Portugal. “Atravessamos uma janela de oportunidade ímpar para que trabalhemos em conjunto com o mesmo propósito: a pessoa. E é nesta perspetiva construtiva, colaborativa e de mudança de paradigma que temos de dar o salto, de juntar esforços, propostas e estratégias, com caráter preventivo.”

O acompanhamento às consultas ou a exames diagnósticos é, assim, na sua perspetiva, “fundamental para a manutenção da integridade da pessoa”. Além disso, acrescentou, “o apoio emocional é decisivo para se sinta envolvida e acolhida, o que facilita muito a aceitação e participação no tratamento”.


Inês Espírito Santo

"È urgente restabelecer pontes e ligações entre os sectores da Saúde e Social"

As mais-valias desta interligação entre a Saúde e o Serviço Social é a diminuição do erro, o aumento da literacia, uma boa adesão terapêutica, maior noção de autocuidado e vinculação aos serviços. Face a estas vantagens, Inês Espírito Santo considera ser “urgente restabelecer pontes e ligações entre os sectores da Saúde e Social, de forma a garantir a continuidade dos cuidados em segurança”.

Sendo também assistente social no CHULC, adstrita à Cardiologia Adultos e Pediatria, acredita que os assistentes sociais são “os experts na ativação de recursos e na criação de redes”, por terem um olhar holístico do cuidado.

A convicção é clara: “Somos parte essencial da equação num Serviço Nacional de Saúde que deve ser pautado por uma gestão eficaz de cuidados humanizados, integrados e de bem-estar."

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