Solidariedade e dignidade: «Não queremos apenas formar médicos na FMUC»
A 7.ª edição do congresso científico In4Med, organizado pelo Núcleo de Estudantes de Medicina da Associação Académica de Coimbra (NEM/AAC), reuniu meio milhar de participantes, contemplando a realização de várias novidades, nomeadamente, disponibilizando aos participantes um impressionante conjunto de 40 workshops.
Duarte Nuno Vieira, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), participou no Congresso, no âmbito de uma sessão científica dedicada à Medicina Legal e Forense. Em declarações à Just News, explica que esta cultura de aprendizagem e debate, com uma forte componente prática, é um reflexo de uma cultura da Faculdade que procura "envolver e estimular os estudantes e despertar a sua curiosidade":
"A FMUC orgulha-se profundamente dos seus alunos e dos seus Núcleos de Estudantes de Medicina e de Medicina Dentária. São núcleos com uma atividade verdadeiramente exemplar, plenos de dinamismo, de empenho e de criatividade, e permanentemente comprometidos com uma cultura de melhoria, de progresso e de dinamização da qualidade."
De acordo com o professor catedrático, "sabem concretizar, simultaneamente, atividades muito relevantes em termos de cidadania e de solidariedade social", afirmando mesmo serem "os núcleos de estudantes mais empreendedores a nível do país e que devem constituir fonte de referência e de inspiração para todos os outros."
E acrescenta: "São também núcleos exigentes, que não se conformam nem se acomodam, e que sabem estimular através da sua crítica construtiva, que acompanham com propostas concretas. E esta é uma postura que a FMUC procura incutir em todos os seus estudantes, pois queremos que todos eles sejam um dia profissionais de referência nas áreas médicas em que vierem a exercer a sua atividade, assim como cidadãos atentos e preocupados."
"Não queremos apenas formar médicos"
Segundo Duarte Nuno Vieira, "as humanidades que alguns procuram ensinar nos seus currículos, na FMUC não são apenas ensinadas... Praticam-se regularmente, através de ações concretas que incutem nos alunos esse valor fundamental que é a relação médico-doente e o respeito e interação com os colegas e outros grupos profissionais."
E sublinha: "Não queremos apenas formar médicos, até porque não há medicina que valha a pena se não se tiverem profundamente em consideração os princípios de solidariedade e os valores da dignidade da pessoa humana."
"Conseguimos expandir o Congresso"
Para Sofia Jardim, coordenadora geral do VII In4Med, "o balanço é, sem dúvida, muito positivo. O evento cresce a cada edição e esta, a sétima, não foi exceção".
Em declarações à Just News, explica que além de manter as competições já existentes (Scrub Up, Doctor, Crack my Case e Postn`Speak - competição científica, de simulação, apresentação de postéres e comunicações orais) e a qualidade do programa científico e social, "tínhamos como objetivo expandir o Congresso. Conseguimo-lo com a maior novidade deste ano, o Ready.VII.Go!, um conjunto de vários pré-cursos que abriram os 4 dias de congresso. Foi um sucesso!" 
Outro objetivo foi "aumentar também a componente prática dos workshops e o número dos mesmos, de forma a abranger um maior número de preferências pelos estudantes".
A estudante de Medicina faz ainda questão de referir "toda a renovação da imagem do congresso, quer em termos de cartazes e publicações, quer no ambiente mais moderno e tecnologicamente avançado com que recebemos os nossos convidados".
Esta edição contou com cerca de 470 participantes, "a grande maioria são estudantes da FMUC, mas não foram poucos os que vieram do Porto e Lisboa, ou ainda da Covilhã e Braga. Além disso, tivemos ainda alguns participantes vindos da Hungria e da Roménia".
"3…2…1… PUSH!", um workshop onde os participantes tiveram oportunidade de "saber mais sobre o trabalho de parto em si e também sobre o suporte básico de vida da mulher grávida"
Workshops: "facilita imenso a aprendizagem"
Do programa do VII In4Med destacam-se as quatro dezenas de workshops. Para Sofia Jardim, a decisão de aumentar "a componente prática dos workshops e o número dos mesmos", de forma a abranger um maior número de preferências pelos estudantes, resultou bastante bem:
"Com um maior número de possibilidade de escolhas, conseguiríamos abranger um maior leque de preferências pessoais de entre tantos participantes. O facto de serem tantos workshops possibilita também a existência desses tais pequenos grupos de estudantes, o que facilita imenso a aprendizagem".
"Além de ser um ensino mais individualizado e pormenorizado, o ambiente torna-se mais acolhedor, sendo mais fácil a interação entre participantes e tutores.", afirma Sofia Jardim
"A perseverança da equipa triunfou"
Contudo, no que à organização dos workshops e do restante programa diz respeito, os desafios foram também mais exigentes:
"Primeiro temos que encontrar temas diferentes e que achemos interessantes abordar num novo workshop, depois encontrar um monitor dessa área que esteja disponível para o lecionar, e, por fim, há que arranjar todo o material necessário ao mesmo, desde modelos a kits de sutura, materiais descartáveis, material informático e até mesmo organizar a logística das salas onde os mesmos decorrerão."
Para Sofia Jardim, "a chave deste congresso está em todo o processo que o ergueu, que assenta em trabalho atempado, minucioso, atento e dedicado. Tivemos muitos nãos e alguns contratempos, mas a perseverança da equipa triunfou."
E sublinha: "A imagem do congresso é, e será, sempre o programa científico do mesmo, pelo que este é o que despende de mais trabalho".


