Redução do ruído hospitalar: CHUC avança com projeto em seis serviços

São seis os serviços do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC) que integram o projeto-piloto de combate ao ruído hospitalar. A iniciativa é do projeto H2 – Humanizar o Hospital que, ao fim de um ano de várias atividades, faz um balanço positivo.

“Trabalho e entusiasmo não faltaram, apesar do muito por fazer”, disse o coordenador João Pedroso Lima à Just News.

Para o também responsável pela Unidade de Gestão Intermédia de Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, "o ruído é um dos principais problemas dos hospitais", tendo sido realizadas algumas análises de acústica no CHUC, com a colaboração do Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade (ITeCons) da Universidade de Coimbra.


João Pedroso Lima

“Mediu-se o nível de ruído numa enfermaria de Medicina Interna durante vários dias, que concluiu que é o dobro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Registaram-se 60 decibéis para ruído basal e 100 nos picos de ruído, quando os limites são de 30 e 40, respetivamente.”

Com base nestes dados preocupantes, têm sido realizadas ações de sensibilização, sendo frequente ver-se no CHUC um emoji com o slogan “Baixinho” a relembrar a necessidade desse cuidado.

“É preciso evitar falar alto, bater com as portas, estar atento ao som dos telemóveis, rádios, televisões, equipamentos hospitalares, entre muitos outros aspetos que vão agora ser sistematicamente tidos em consideração pelos serviços-piloto, de acordo com um conjunto de normas de atuação já aprovadas pelo Conselho de Administração”.

Mudanças que implicam outras medidas: “Reconhecemos que, nalgumas situações, isso exige também importantes alterações de natureza estrutural.”

Em suma, o objetivo é evitar o impacto negativo do ruído hospitalar de dia e, sobretudo, de noite. “É prejudicial para a recuperação dos doentes, mas também para os próprios profissionais de saúde que estão muitas horas expostos a um nível de ruído excessivo”, reforça o médico.


Uma das reuniões dinamizadas no âmbito do projeto

Comunicação e empatia: “Algo que leva o seu tempo”

Mas esta não é a única iniciativa do projeto H2, como se pôde ver ao longo do primeiro ano de existência. “Reunimos com 27 serviços, médicos e outros de apoio, sensibilizando para a necessidade de nos preocuparmos mais com as pessoas, quer sejam doentes, familiares ou colegas de trabalho.”

E, como mencionou João Pedroso Lima, “os médicos mais novos e os internos também ficaram a conhecer este projeto de humanização”.

As ações formativas foram prática corrente em 2019, tendo chegado a mais de 500 formandos das várias áreas profissionais – 65 médicos, 200 enfermeiros, 75 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica e mais de 200 assistentes técnicos -, estando ainda algumas para avançar este ano.

“Além da promoção de uma cultura de humanização, estas sessões visaram essencialmente alertar para a necessidade de haver uma maior e melhor comunicação e empatia com os doentes e seus familiares e também interpares”, indicou.

Este é inclusive um dos pontos mais complexos do H2. “Temos consciência que a aposta na comunicação e na empatia é algo que leva o seu tempo, porque implica uma mudança cultural, comportamental. É preciso ser persistente.”

Das atividades desenvolvidas neste primeiro ano de atividade do Projeto H2, João Pedroso Lima destacou ainda a iniciativa “What matters to you”, de âmbito internacional, decorrida nos dias 6 e 7 de junho de 2019, e que permitiu auscultar necessidades, para além do ponto de vista assistencial, sentidas pelos utentes e familiares.


Fernando Regateiro, presidente do Conselho de Administração do CHUC, e João Pedroso Lima

"Temos todos que nos preocupar mais com as pessoas"

O Projeto H2 também assinalou, em 2019, o Dia Mundial do Doente, contando com a presença e apoio da ministra da Saúde, tendo-se dado especial atenção ao valor do silêncio em meio hospitalar. Organizou ainda, com a colaboração do Laboratório de Racionalidade e Ética Aplicada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, uma mesa-redonda em que se debateram questões de ética médica.

Como faz questão de salientar João Pedroso Lima: “Já chegámos a largas centenas de pessoas, dentro e fora do hospital, tendo também em conta as iniciativas junto da comunicação social e o apoio de embaixadores bem conhecidos do público, como André Sardet, Filipe Albuquerque, José Cid e, mais recentemente, Luís de Matos.”

João Pedroso Lima recorda que “este projeto é o embrião de onde nasceu o Compromisso para a Humanização Hospitalar, criado no âmbito da Coordenação para a Reforma Hospitalar.

Este documento a que o médico se refere foi assinado em setembro de 2019 "por praticamente todos os hospitais nacionais, perante a Secretária de Estado da Saúde e a Ministra da Saúde, e comprometendo os signatários a elaborar os seus respetivos Planos de Humanização e a fazê-los cumprir de acordo com um faseamento programado”.

E, em jeito de conclusão, acrescenta: “O que procuramos com o Projeto H2 é uma maior humanização do hospital, mostrando a utentes, familiares, cuidadores e profissionais que, acima de tudo, temos todos que nos preocupar mais com as pessoas, e que devemos respeitar-nos uns aos outros”.



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