Dermatopatologia: «bom trabalho em Portugal» contribui para «revigorar a subespecialidade»

Valorizar mais a Dermatopatologia é um dos objetivos da Internacional Society of Dermatopathology, que realizou o 40.º Simposium, entre 19 e 21 de setembro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Para Isabel Viana, da comissão organizadora local, “os mais jovens devem estar atentos a esta subespecialidade, que requer muita persistência e paixão”.



Num evento que contou com mais de 400 inscritos de 46 países, a especialista e diretora do Serviço de Dermatologia do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO) destacou, em entrevista à Just News, o percurso da Dermatopatologia e como pode ser uma escolha importante para os futuros dermatologistas.

“Quando começámos a trabalhar nesta área, os dermatologistas e os anatomopatologistas estavam de costas voltadas, mas há uns anos essa realidade mudou com a criação da subespecialidade”, recordou.

Face a esse avanço, a dermatologista espera que os mais novos se possam interessar pela área. “Espero que se apaixonem pela Dermatopatologia. O longo - e difícil – caminho percorrido pelos mais velhos tem permitido novas oportunidades.”


Isabel Viana

A justificação para que não haja tantos subespecialistas como seria necessário está, na opinião da médica, “no interesse por outras valências dermatológicas mais rentáveis e pela escassez de recursos humanos nos serviços”. A situação poderá mudar dentro em breve, conforme adiantou Isabel Viana:

“Até ao final do ano serão conhecidas as unidades hospitalares com idoneidade formativa, o que será uma forma de revigorar a Dermatopatologia.”


O simpósio contou com uma presença assinalável de jovens médicos

Relativamente à relevância da reunião, a médica sublinha que "estiveram presentes os grandes nomes da Dermatopatologia mundial que, com a excelência das suas apresentações, contribuíram sem dúvida para o sucesso alcançado por este evento".

“Em Portugal faz-se um bom trabalho em Dermatopatologia”

Esta é a segunda vez que Portugal recebe o Simposium e o presidente da ISDP, Dieter Metze, garantiu que não hesitou na escolha do nosso país. “Estivemos aqui há 15 anos e o sucesso foi enorme.”



As razões não se ficam apenas pelas glórias do passado. “Em Portugal faz-se um bom trabalho na subespecialidade da Dermatopatologia, existindo uma boa ligação entre dermatologistas e anatomopatologistas que se dedicam a esta área, o que, obviamente, contribui para a otimização dos cuidados de saúde”, sublinhou.

O responsável referiu ainda à Just News que “nem todos os países europeus apresentam esta realidade, nalguns os laços entre ambos são mais pobres, o que tem repercussões para os doentes”.


Dieter Metze

Relativamente às patologias que mais preocupam os dermatopatologistas, considerou que “todas são importantes, já que o que está em causa é a saúde e o bem-estar das pessoas”. Contudo, realçou o "incremento das doenças dermatológicas infeciosas", que têm aumentado particularmente nos últimos anos.

E, nesse sentido, o presidente da ISDP deixou um alerta: “É preciso estar atualizado sobre as diferentes patologias, porque, num mundo globalizado, facilmente podem surgir casos clínicos menos comuns.”


José Carlos Cardoso, Rui Bajanca, Isabel Viana, Helmut Kerl, Esmeralda Vale, Dieter Metze e Luís Soares Almeida

Além de Isabel Viana, da comissão organizadora local fizeram parte também Rui Bajanca, José Carlos Cardoso, Luís Soares Almeida e Esmeralda Vale. O evento decorreu sob a égide da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia e com o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Anatomia Patológica.

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