Infeção por VIH: «tratar os doentes é muito mais que medicá-los»

O Porto acolhe, nos dias 12 e 13 de julho, a 8.ª edição do Encontro Nacional Clínica de Ambulatório VIH/Hospitais de Dia, que se centrará no tema “Prevenir, acolher, tratar e acompanhar com dignidade e qualidade”. Segundo a infeciologista Rosário Serrão, presidente da Comissão Organizadora, o rastreio e o diagnóstico precoce devem estar nas “mãos” dos especialistas de MGF.

Em declarações à Just News, a responsável pela Clínica de Ambulatório VIH do Serviço de Doenças Infeciosas do CHSJ realça que a prevenção tem de ser cada vez mais falada, assim como a importância da realização do rastreio. Rosário Serrão preside ao evento, em conjunto com António Sarmento, diretor do Serviço de Infeciologia do CHSJ, que é presidente da Comissão Científica do 8.º Encontro.



Com uma periodicidade bienal, a reunião, que decorrerá na Alfândega do Porto, tem como principais objetivos a troca de ideias e o debate entre profissionais que trabalham diariamente com o mesmo objetivo: rastrear, diagnosticar o mais precoce possível e acompanhar a pessoa que vive com VIH com qualidade e dignidade.

Destina-se, em primeiro lugar, aos infeciologistas, mas também aos internistas que, por todo o país, acompanham a nível hospitalar doentes com infeção pelo vírus da imunodeficiência humana tipo 1 e 2, e a todos os profissionais de saúde que, das mais variadas formas, interagem com a pessoa que vive com VIH.

Desde logo, os especialistas de MGF, médicos de saúde pública, farmacêuticos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e, ainda, "todos os técnicos de saúde que trabalham em organizações governamentais ou não governamentais ligadas ao VIH e que acompanham estes doentes".

“Vamos procurar proporcionar uma abordagem daquilo que é, afinal, o dia-a-dia de uma Clínica de Ambulatório VIH, para além do tratamento da infeção VIH, em diferentes mesas, com discussão de temas tão atuais como as infeções sexualmente transmissíveis – um paradigma multidisciplinar, problemas no emprego, nos lares de 3.º idade, nos empréstimos bancários, ou a abordagem da tuberculose latente, as novas estratégias terapêuticas, a coinfeção pelo vírus da hepatite C”, adianta.



A infeciologista destaca ainda a primeira mesa-redonda intitulada “Antes da chegada ao hospital: identificar comportamentos, alertar riscos, otimizar o rastreio”, bem como uma sessão que se focará no tema “A PrEP: riscos e benefícios, com a visão do médico, do farmacêutico, das ONG e da DGS”, que terá um jornalista como facilitador, à conversa com os vários intervenientes.

A diretora dos programas nacionais da DGS para a área das Hepatites Virais e para a área da infeção VIH/SIDA e Tuberculose, Isabel Aldir, vai proferir uma conferência focada na meta 90-90-90 da ONU.


António Sarmento com a Comissão Organizadora: Jorge Soares, Rosário Serrão, Ernestina Fernandes, Carmela Piñero e Cátia Caldas

Taxa baixa de rastreio da infeção por VIH no Norte


Rosário Serrão considera que o rastreio, o diagnóstico precoce e a retenção dos doentes nos cuidados de saúde são os maiores desafios da atualidade na área do VIH/SIDA. Na sua opinião, “o rastreio e o diagnóstico precoce devem estar nas ‘mãos’ dos especialistas de MGF e nos centros de diagnóstico e aconselhamento que promovem o rastreio (Centros de Aconselhamento e Deteção Precoce do VIH - CAD, Associação Abraço, Associação Médicos do Mundo, APDS)”.

A médica frisa que o papel da MGF deve ser “pensar nesta patologia em muitas situações clínicas com que se deparam, oferecer a possibilidade do rastreio a todas as pessoas, referenciar para consulta de especialidade hospitalar e manter-se sempre como a referência para o doente na sua orientação nas mais diversas situações clínicas”.

“Tratar os doentes é muito mais que medicá-los”

António Sarmento, que dirige o Serviço de Doenças Infeciosas do CHSJ há 12 anos, salienta que o tema do Encontro Nacional Clínica de Ambulatório VIH/Hospitais de Dia – “Prevenir, acolher, tratar e acompanhar com dignidade e qualidade” – pretende alertar para a ideia de que “tratar os doentes é muito mais que medicá-los”.



“Na abordagem dos doentes, há todo um processo de acolhimento, de acompanhamento com dignidade e qualidade. A medicina não é só técnica. O médico tem de ter uma boa preparação técnica, mas tem de ir muito além disso”, salienta.

Questionado sobre as perspetivas para o futuro no que respeita à terapêutica, António Sarmento refere que se espera a cura definitiva, sem ser necessário tomar mais medicamentos. “Pode ser complicado, mas já há muitas doenças curáveis”, diz. E acrescenta:

“Para já, a doença é crónica e, enquanto medicados, os doentes fazem uma vida normal. Neste momento, não há muito mais a esperar, a não ser a cura. Os medicamentos que temos são muito eficazes e seguros, pouco tóxicos e com poucos efeitos secundários.”

O Serviço de Doenças Infeciosas do CHSJ é constituído por três setores: Clínica de Ambulatório, Internamento e Unidade de Cuidados Intensivos.

seg.
ter.
qua.
qui.
sex.
sáb.
dom.

Digite o termo que deseja pesquisar no campo abaixo:

Eventos do dia 24/12/2017:

Imprimir


Próximos eventos

Ver Agenda