Psiquiatra Luís Madeira quer uma SPPSM mais capaz de contribuir para a dignidade dos doentes

O novo presidente, que tomou posse do cargo dia 23 de março, deixou claro que pretende ver a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental “mais presente no debate científico, clínico, ético e institucional”. Tem pela frente um mandato de 3 anos (2026-2029) para cumprir.

Luís Madeira, 43 anos, fez questão de salientar, na intervenção que proferiu na cerimónia de tomada de posse da nova Direção da SPPSM, que herda “um património institucional, científico e humano que importa reconhecer, respeitar e prolongar”. Foram palavras particularmente dirigidas a João Bessa, o presidente cessante (2023-2026).


Luís Madeira

Agradecendo à equipa que o vai acompanhar na tarefa que agora assumiu, revelou estar bem consciente de que uma sociedade científica “só cresce quando trabalha em rede, com confiança, abertura, competência e sentido de missão comum”. E logo esclareceu estar decidido a “aprofundar áreas que hoje me parecem decisivas para o futuro da nossa especialidade”.

Reforçar a capacidade de a SPPSM reforçar a sua capacidade de “criar comunidade” é um dos seus objetivos: “Precisamos de promover iniciativas em rede, aproximando psiquiatras de diferentes gerações, contextos clínicas, áreas de diferenciação e regiões do país. Precisamos de uma sociedade mais participada, mais útil para os seus membros, mais capaz de estimular o debate, a partilha e a cooperação.”

Luís Madeira, que é professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) e coordena o Departamento de Psiquiatria do Hospital CUF Descobertas, referiu-se depois à necessidade de, no seu entender, “dar uma atenção renovada aos grandes assuntos clínicos da atualidade”.

E enumerou a tensão entre cuidados de proximidade e exigências formativas, as novas formas de intervenção em saúde mental, a articulação com a Pedopsiquiatria, sobretudo na adolescência e na transição para a idade adulta, as pontes com a Neurologia e ainda os limites e desafios dos sistemas público e privado na resposta assistencial.

“A SPPSM deve ser um espaço qualificado para discutir estes temas com seriedade, pluralismo e independência”, afirmou, perante quem se encontrava na sala da FMUL onde se realizou a cerimónia, nomeadamente Maria Luísa Figueira, anterior presidente da SPPSM (2012-2017). A tomada de posse aconteceu no final da última Assembleia-Geral presidida por Miguel Bragança, que, entretanto, cedeu esse lugar a Maria João Heitor, outra ex-presidente (2020-2023).



Uma Sociedade mais próxima dos especialistas no terreno

“Quero uma Sociedade mais próxima dos especialistas no terreno, que não se esgote no apoio ao internato, mas que reconheça também o valor dos membros efetivos, das iniciativas individuais, do pensamento crítico e da possibilidade de speak up institucional. Uma Sociedade que ajude a ligar serviços, a gerar colaboração e a tornar mais claro o uso dos seus recursos em benefício da comunidade científica”, deixou claro o novo presidente da SPPSM.

A sua intenção é agregar novos membros e envolver os atuais de forma mais ativa, dinamizar as quase duas dezenas de secções que integram a SPPSM, acolher projetos e “clarificar a articulação” com o Colégio da Especialidade. Até porque, como sublinhou, “uma sociedade científica forte precisa de identidade própria, capacidade agregadora e clareza institucional”.

O aprofundamento das relações internacionais é também um objetivo de Luís Madeira, que destacou a importância das parcerias europeias, ibero-americanas e lusófonas. Tal como a valorização da Revista de Psiquiatria e Saúde Mental. “prosseguindo o esforço de indexação, promovendo cal papers apelativos e aumentando a sua visibilidade e ambição internacional”.

Em matéria de formação, diz querer “contribuir para uma visão mais estruturada”, congregando os cursos que já existem “num programa modular, progressivo, articulado com universidades, que possa, no futuro, ter tradução em percursos pós-graduados mais formais”. Adicionalmente, considera que deve ser criada formação em temas nucleares da saúde mental dirigida a outros públicos, incluindo cuidadores e sociedade civil.

No entender de Luís Madeira, a SPPSM deve apoiar, de forma continuada, eventos científicos de interesse nacional e internacional que “criem conhecimento e consolidem redes”, reforçando ainda a presença portuguesa na EPA e na WPA, as associações europeia e americana de Psiquiatria.

A aproximação à sociedade civil é um objetivo que deve continuar a ser perseguido, o que, na sua opinião, “implica acompanhar de forma isenta as iniciativas legislativas relevantes, defender os direitos das pessoas com incapacidade psicossocial e desenvolver instrumentos de observação e análise do estado de saúde mental em Portugal”.

Entretanto, Luís Madeira diz ser muito importante continuar o esforço desenvolvido pelas direções anteriores da SPPSM em criar uma rede nacional de investigadores em saúde mental. “Capaz de facilitar colaboração, candidaturas, integração de equipas e circulação de conhecimento”, frisou.


Maria Luísa Figueira, Maria João Heitor, João Bessa, Luís Madeira e Albino Oliveira Maia

Refletir sobre a ética e a deontologia na saúde mental

O psiquiatra manifestou ainda o desejo de que a Sociedade a que agora preside possa vir a criar uma comissão dedicada à reflexão sobre a ética e a deontologia na saúde mental. E adianta: “Articulada com os grandes princípios hoje em dia discutidos a nível europeu e internacional e capaz de oferecer contributos sérios para a prática psiquiátrica e para o debate público.”

“Continuidade sem imobilismo, ambição sem rutura, proximidade sem perda de exigência, abertura sem dispersão”, eis como Luís Madeira sintetizou o espírito que pretende trazer à SPPSM.

“Quero uma Sociedade mais útil para os psiquiatras, mais respeitada na sociedade, mais presente no debate científico, clínico, ético e institucional, e mais capaz de contribuir para a dignidade dos doentes e para a qualidade dos cuidados em saúde mental”, concluiu.

Tendo ganho as eleições realizadas em novembro de 2022, durante o XVI Congresso Nacional de Psiquiatria, Luís Madeira integrou quatro meses depois a Direção da SPPSM como presidente-eleito, cargo que vai ser assumido nos próximos três anos por Albino Oliveira Maia, o presidente que lhe sucederá (2029-2032).

Com doutoramento na área da Medicina – Filosofia da Psiquiatria, Luís Madeira é professor associado com agregação de Ética e Deontologia Médica da FMUL e coordena o Centro de Bioética e Humanidades Médicas daquela Faculdade. É membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e presidente da Secção de Psicopatologia da European Psychiatric Association.


Atrás: Manuel Gonçalves Pinho, Beatriz Lourenço, Pedro Morgado e Albino Oliveira Maia
À frente: Maria João Heitor, Luís Madeira e João Bessa

CORPOS SOCIAIS DA SPPSM
2026-2029

DIREÇÃO

Presidente
Luís Madeira
Vice-presidente
Susana Sousa Almeida
Presidente eleito
Albino J. Oliveira Maia
Presidente cessante:
João Bessa
Secretário
Pedro Morgado
Tesoureiro
Manuel Gonçalves Pinho
Vogais
Beatriz Lourenço
Ana Matos Pires
Miguel Bajouco


MESA DA ASSEMBLEIA-GERAL
Presidente
Maria João Heitor
Vice-presidente
Gonçalo Cotovio
Secretário
João Canha


CONSELHO FISCAL
Presidente
Ema Conde
Vice-presidente
Sofia Gomes
Secretária
Fabiana Ventura


CONSELHO CONSULTIVO
António Pacheco Palha
Maria Luísa Figueira
João Marques Teixeira
Maria João Heitor

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