Provas de função respiratória devem ser «exames comuns na prática clínica»

Para o imunoalergologista Luís Miguel Borrego, não há qualquer dúvida de que “os cardiopneumologistas são fundamentais na avaliação dos doentes com asma e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)". O especialista foi o coordenador, juntamente com Mário Morais de Almeida, do 4.º Simpósio Internacional de Função Respiratória, organizado pelo Centro de Alergia da CUF Descobertas Hospital.

Luís Miguel Borrego destacou na reunião, que decorreu esta sexta-feira, o papel dos cardiopneumologistas numa equipa multidisciplinar, porque “é muito importante contar com o apoio de profissionais altamente qualificados na execução de provas de função respiratória”.



Provas essas que devem ser fomentadas. “Comunidade médica e população devem ser consciencializados para a sua relevância na melhoria da qualidade de vida de quem sofre de uma patologia respiratória crónica”, reiterou.

A importância de "envolver todos os profissionais"

Na sua opinião, epesar de já se apostar na espirometria, incluindo nos cuidados de saúde primários, é preciso desmistificar a ideia de que este tipo de exames são difíceis: “Pelo Contrário, são fáceis, exequíveis e uma mais-valia significativa na avaliação e vigilância do grau de obstrução, além de servirem como prognósticos da mortalidade na DPOC ou na reabilitação”.

Apesar do apelo, Luís Miguel Borrego reconheceu que se têm dado passos relevantes nos últimos anos e que "já se começa a dar mais visibilidade às provas de função respiratória". Contudo, considera ser ainda preciso fazer mais "para que sejam exames comuns na prática clínica, sendo necessário, para isso, envolver todos os profissionais".



Nuno Daniel Costa, presidente da Associação Portuguesa de Cardiopneumologistas (APTEC), também advogou uma maior aposta nas provas de função respiratória e realçou o papel destes profissionais na sua realização. “Apenas os cardiopneumologistas têm as competências legais para estes exames”, disse.

E alertou: “Quando executadas por outros profissionais estamos perante um problema de saúde pública, já que um exame mal realizado pode levar a um diagnóstico incorreto ou a terapêuticas menos adequadas.”



Nuno Daniel Costa referiu ainda que a APTEC defende que os cardiopneumologistas são “uma componente da equipa multidisciplinar e não meros executores de provas de função respiratória, uma vez que interpretam o referido exame”.

O evento, este ano, focou-se na ajuda que estes exames podem dar a doentes que praticam exercício físico ou que tenham intenções de o fazer face aos benefícios do mesmo na doença respiratória e à avaliação que se deve fazer aos doentes de DPOC antes de viajarem de avião.

Nesta última temática contou-se com uma palestra de Ian Smith, investigador britânico da Universidade de Cambridge e do Papworth Hospital, que tem elaborado trabalhos sobre a avaliação pré-voo na DPOC para evitar hipoxemia e agravamento da patologia respiratória.



Na sessão de abertura, além de Luís Miguel Borrego e de Nuno Daniel Costa, estiveram Mário Morais de Almeida e Cristina Bárbara, em representação do presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), Venceslau Hespanhol. Ambos defenderam também uma maior aposta nas provas de função respiratória e a desmistificação de que são exames complexos.

O evento teve o patrocínio científico da APTEC, da SPP e da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica.

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