Prémio António Arnaut distingue «Gestão em Saúde»

Gestão em Saúde - Organização Interna dos Serviços, da autoria de Mário Bernardino, administrador hospitalar, especialista em gestão de serviços de saúde, venceu a 3.ª edição do Prémio António Arnaut.

A obra, apresentada como um “manual de utilizador”, propõe-se prosseguir dois objetivos primordiais: colocar o doente no centro do sistema e adotar uma estrutura organizacional que assegure adequados padrões de eficiência e de qualidade.

Segundo o autor, apesar de muito se ter conquistado com o SNS, “colocar o doente no centro do sistema” continua a ser o desiderato. E se “as organizações não existem para se servir dos seus clientes, mas antes para os servir”, terá que ser de acordo com este desígnio que a estrutura organizacional dos serviços de saúde deve ser instituída.

Para a prossecução destes objetivos, o trabalho agora premiado sistematiza conceitos essenciais, com especial enfoque na organização interna. Aborda temas relacionados com a especificidade da gestão em saúde, bem como as áreas de gestão financeira, recursos humanos, logística, produção e marketing.



“O motor das transformações no setor hospitalar é a procura do modelo económico e de gestão ideais para uma maior eficiência e eficácia na prestação de cuidados de saúde. Todavia, um olhar retrospetivo sobre as  mudanças ocorridas nos últimos anos identifica algumas inconsistências com impacto negativo na equidade e sustentabilidade económica – o aparente fracasso da empresarialização dos hospitais, a reorganização das urgências e o desajustamento dos regimes de trabalho dos profissionais de saúde”, considera Mário Bernardino.

No seu entender, a implementação de um serviço de saúde e o desenho do seu perfil assistencial “devem estar subordinados às necessidades e expectativas dos utentes”. Por outro lado, os profissionais de saúde “deverão interiorizar que o doente é o propósito principal” e que o seu trabalho terá que estar necessariamente condicionado “pelos interesses e necessidades daquele”.

“O sucesso de qualquer processo de reforma passa por colocar o utente no centro do sistema de saúde e na alteração do paradigma que privilegia o foco nas instituições de saúde e nos interesses dos seus profissionais”, garante Mário Bernardino.

O autor acaba por identificar sete medidas prioritárias a adotar nas entidades que integram o SNS, afetas à rede de prestação de cuidados de saúde, com o objetivo de garantir a “equidade no acesso” e a “sustentabilidade económico-financeira”.

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