Portugal organiza 1.º Encontro de Risco Cardiovascular Global de Pequenos Países Europeus

Dia 18 de novembro terá lugar, no VIP Grand Lisboa Hotel & Spa, o 1.º Encontro de Risco Cardiovascular Global de Pequenos Países Europeus, que, além de Portugal, envolverá a Bélgica, a Holanda, a Áustria, a Suíça e a Hungria. A Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), presidida por Manuel de Carvalho Rodrigues, é a anfitriã do evento.

Em declarações à Just News, o cardiologista do Centro Hospitalar da Cova da Beira e professor da Faculdade de Ciências da Saúde da UBI conta que, na reunião, jovens investigadores dos referidos países terão a oportunidade de apresentar os projetos que estão a desenvolver atualmente na área do risco cardiovascular.

Cada um dos seis países envolvidos na reunião estará representado por 2 ou 3 jovens investigadores. As moderações às respetivas palestras ficarão a cargo de especialistas seniores de países que não estejam envolvidos nas mesmas.



“Temos de ser capazes de trazer para nós os jovens investigadores. Precisamos de fazer com que este grupo etário perceba que estamos atentos e, ao mesmo tempo, estimular o desenvolvimento de atividade científica, até porque, para podermos existir, temos de ter produção científica”, afirma Manuel de Carvalho Rodrigues.

Haverá um momento dedicado a uma discussão política sobre se há espaço para pensar numa reunião anual ou bianual destes países que comece a ter visibilidade junto da Europa.

O conceito de “pequeno país” também será discutido. O objetivo é criar “regras claras” quer no que respeita à área geográfica, quer à área populacional, que definam os países que se podem juntar ao grupo atual.

Na reunião, os seis países estarão representados ao mais alto nível pelos presidentes e secretários de todas as sociedades científicas envolvidas, assim como pelos seus grandes impulsionadores. Conforme refere Manuel de Carvalho Rodrigues, trata-se de “trazer o passado para o presente e garantir o futuro com o presente!”.

Os destinatários deste evento são, sobretudo, os jovens investigadores, ou seja, “aqueles que serão o futuro das sociedades presentes”.

Parceiros com "capacidade revitalizadora"

Explicando como surgiu a ideia de organizar esta reunião, aquele responsável refere que a SPH tem tido, ao longo dos anos, a preocupação de encontrar parceiros que tenham uma “capacidade revitalizadora, inovadora e pioneira”, no sentido de poder rejuvenescer algumas estruturas de maior dimensão, como, por exemplo, a Sociedade Europeia de Hipertensão (SEC).

“O que pretendemos é que haja algum cuidado com especificidades de países que, por terem uma dimensão pequena, mas que, por terem problemas grandes, precisam de ter uma atenção e uma dedicação completamente diferentes”, refere. E exemplifica:

“Portugal é um país pequeno, mas tem uma grande incidência quer relativa, quer absoluta de AVC, o que implica que tenhamos de ter um olhar diferente para a situação.”

Conforme relata, a ideia tem vindo a alicerçar-se nos últimos anos e a SPH, em conjunto com a Sociedade Húngara de Hipertensão, com a qual tem mantido uma parceria estreita, têm vindo a trabalhar no sentido de unir os pequenos países da SEC, numa tentativa de ver o que estão a fazer, perceber quais as suais preocupações e tentar “ganhar uma voz mais forte” por ser comum.


Fernando Pinto, Luis Martins e Manuel Carvalho Rodrigues

Quando tomou posse como presidente da SPH, em fevereiro de 2017, Manuel de Carvalho Rodrigues garantiu que iria retomar o processo a quem, como ele próprio, estava na génese deste projeto, Luís Martins e Fernando Pinto, respetivamente, diretor do Serviço de Cardiologia e assistente graduado de Cardiologia do CHEDV, que também já foram presidentes da SPH.

Aproveitando o Congresso Europeu de Hipertensão de Milão de 2017, o presidente da SPH falou com colegas de outros países com dimensões geográficas e populacionais semelhantes a Portugal, expôs as preocupações atrás relatadas e aferiu a disponibilidade destes para participar nesta reunião. Segundo conta, “a ideia foi bem aceite” e a SPH propôs-se a ficar responsável pela sua organização.

Portugal representado por dois jovens investigadores

O nosso país irá estar representado neste encontro por dois jovens investigadores. Joana Silva Monteiro, especialista em Medicina Geral e Familiar, da Maia, apresentará um trabalho sobre Consulta Motivacional que, segundo Manuel de Carvalho Rodrigues, “tem sido muito apreciado”.

Por sua vez, André Simões, especialista de Medicina Interna do Hospital de Vila Franca de Xira, apresentará o trabalho que tem desenvolvido na Consulta de Hipertensão Arterial nas áreas da logística e organizacional, que pode servir de modelo para outros países.


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