Orientadores de formação em Medicina Geral e Familiar: «Matosinhos tem grupo de excelência»

A disponibilidade de apoio, em termos pessoais e científicos, dos orientadores de formação da ULS de Matosinhos “é fantástica”, afirma a diretora do Internato de MGF, Teresa Carneiro. No seu entender, “isso também contribui muito para o sucesso dos nossos internos”.

A médica, que presidiu à Comissão Científica do 5.º EnMGF – Matosinhos, falou à Just News no decorrer do encontro que no final da semana passada, dias 16 e 17 de maio, atraiu duas centenas de participantes, na sua grande maioria internos de Medicina Geral e Familiar, mas também alguns especialistas.



A adesão à edição deste ano foi, aliás, de tal forma significativa que os organizadores foram obrigados a mudar o local de realização do evento, que já não aconteceu, como vinha sucedendo desde o primeiro ano, no auditório do Hospital Pedro Hispano. De registar que a grande maioria das inscrições veio de fora da ULS Matosinhos, em particular da zona norte, mas também do centro.

A presidir à reunião e à própria Comissão Organizadora esteve Joana Sousa, 27 anos, interna da USF Maresia, eleita pelos seus colegas para assumir essa responsabilidade. Já integrava a equipa do ano passado, mas uma dezena de elementos da CO é estreante nesta matéria.

A escolha da especialidade de MGF não lhe suscitou qualquer dúvida, até porque, reconhece, “gosto do desafio que é o doente entrar no gabinete e eu não saber exatamente porquê. Podemos ter agendada uma consulta de hipertensão ou de diabetes e o que o incomoda é uma dor no ombro que se arrasta há 3 ou 4 meses…”


Joana Sousa

Abordar temas onde "não nos sentimos muito à vontade"


O programa do 5.º EnMGF inclui temas pouco habituais neste tipo de reuniões. Joana Sousa reconhece que, de facto, houve a intenção de abordar matérias relativamente às quais “muitos de nós não nos sentimos muito à vontade”.

E prossegue: “Quisemos tentar ajudar a esclarecer algumas dúvidas que vão surgindo na prática clínica diária, apresentando soluções para mais facilmente se conseguir lidar com os doentes que nos aparecem”.



Logo a primeira sessão plenária foi bem o exemplo do que se pretendeu fazer este ano. Intitulada “Quebrando tabus sobre…”, durante duas horas, ouviu-se falar de sexualidade no adolescente, disfunção sexual masculina e feminina e “novos” comportamentos sexuais.

Teresa Carneiro destaca a sessão “MGF além-fronteiras”, moderada pelo seu colega da USF Horizonte Jaime Correia de Sousa: “A questão do voluntariado, as formações no estrangeiro ou a medicina do viajante são temas que passam cada vez mais por nós.”


Joana Sousa, Teresa Carneiro e Jaime Correia de Sousa

“Procurou-se também investir na interligação -- que é muito própria da MGF, como pilar e prestadora dos primeiros cuidados – com outras especialidades, como a Dermatologia, a Neurologia ou a Psiquiatria”, afirma Teresa Carneiro, esclarecendo que a construção do programa da reunião resultou de um trabalho conjunto da CO e da Comissão Científica.

A componente prática também esteve presente no 5.º EnMGF, com quatro workshops “que se procurou tornar o mais práticos possível, muito em termos de aperfeiçoamento de técnicas”, sublinha Teresa Carneiro. E destaca o que se centrou na colocação de implantes subcutâneos, bem como o treino que foi proporcionado de exame físico com manobras de joelho e ombro.

Joana Sousa faz referência aos workshops do segundo dia, “com uma componente não tão prática, mas focando temáticas muito importantes para nós”. É o caso da síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS), “porque é preciso sabermos ler e gerir os relatórios que nos chegam de doentes com essa patologia”. A temática da antibioterapia estruturada foi também explorada, útil para se perceber, por exemplo, “quando usar um antibiótico”.



Psiquê: "Cultivamos muito a componente cultural"

O denominado “Momento Abel Salazar”, assim chamado pelo facto de o Internato de Matosinhos ter adotado o nome daquele célebre médico e investigador do Porto, cuja Casa-Museu se localiza no concelho, foi este ano preenchido com uma peça de teatro. Em “palco” esteve o Grupo de Teatro Psiquê, formado por doentes do Hospital Magalhães Lemos. “Foi um momento lúdico e cultural”, explica a diretora do Internato Abel Salazar, que esclarece ainda:

“O lema de Abel Salazar era ‘Se um médico só sabe de medicina nem de medicina sabe’. Para além da atualização técnico-científica, nós também cultivamos muito, na Direção do Internato, a componente cultural, que deve fazer parte de qualquer pessoa: as artes, a literatura, a música…”



Formação: “a procura da excelência permanente dos cuidados”


Teresa Carneiro, 51 anos, foi a primeira interna da USF Horizonte, que faz parte da Unidade Local de Saúde de Matosinhos, a única ULS urbana no nosso país, “construída” em torno do Hospital Pedro Hispano. É diretora do Internato Abel Salazar desde setembro de 2017, lidando com perto de meia centena de internos e umas duas dezenas e meia de orientadores de formação.

Não revela qualquer tipo de hesitação quando afirma que “não podemos descurar nunca a excelência dos cuidados que prestamos, portanto, a formação acaba por ser a procura da excelência permanente dos cuidados”. Embora “todas as especialidades médicas precisem de muita formação”, no caso particular da MGF, “é necessário investir numa atualização permanente”.

“Nós lidamos com problemas numa fase bastante incipiente, frequentemente, com inúmeras hipóteses de diagnóstico. Jogamos muito com probabilidades”, justifica a médica.



Pronunciando-se sobre a evolução registada nos últimos 20 anos, Teresa Carneiro considera que “a formação está agora muito mais bem organizada e estruturada e, por outro lado, existe a possibilidade de utilizar várias formas de aprendizagem, incluindo a formação online”.

Paralelamente, “os internos são pessoas muito interessadas, motivadas e profissionais a fazer as coisas, trabalham muito, mesmo muito; penso que aproveitam bem as oportunidades todas”.

Para Teresa Carneiro, “os internos aplicam-se muito na sua própria formação e acabam por implementar coisas novas nos locais onde trabalham. Desafiam os médicos orientadores, mais velhos, e isso é excelente”.


Comissão Organizadora: Filipa Martins Guedes, Carla Longras, Joana Calejo, Catarina Calheno Rebelo, Helena Garcia Fonseca, Pedro Costa Dias, Joana Teixeira e Silva, Bárbara Amorim, Fontes Alves, Helena Brandão, Leonor Luz Duarte, Maria João Camões, Raquel Lobo Cardoso, Carolina Macedo de Abreu e Joana Sousa





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