«Vamos recolocar a Obstetrícia e Ginecologia nacional no caminho que ela merece»

A abertura do 6.º Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal ficou caracterizada pela partilha de apelos e de mensagens de esperança. A presença do ministro da Saúde, Manuel Pizarro, favoreceu a identificação dos principais problemas que estão a assolar a especialidade e a tentativa de traçar soluções. 



Aproveitando a presença de Manuel Pizarro no painel da sessão de abertura, Diogo Ayres de Campos, diretor do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Medicina da Reprodução do CHULN, estrutura que ficou encarregue de organizar esta edição, que decorreu no final do ano passado, dirigiu-lhe três apelos.

Suportando-se em números oficiais recolhidos em julho de 2022, adiantou existirem 13 serviços de Obstetrícia e Ginecologia em “situação particularmente preocupante, dado todos terem seis ou menos especialistas no quadro com idade inferior a 50 anos, momento a partir do qual podem abdicar de fazer Urgência noturna. Três deles não têm qualquer especialista com menos de 50 anos no quadro e sete não têm internos nem irão recebê-los em 2023”.


Diogo Ayres de Campos

Alertando para a dificuldade de fixar médicos em locais afastados das grandes cidades após terminarem a especialidade, disse temer que “não havendo medidas excecionais, os blocos de partos e as urgências desses hospitais acabem por encerrar”. E caracterizou-os como sendo “serviços sem grande ânimo interno, que estão totalmente dependentes de prestadores de serviço para manter as portas abertas”.

O segundo apelo que fez diz respeito à necessidade de desviar situações não urgentes das urgências de Obstetrícia e Ginecologia para os Cuidados de Saúde Primários e para as consultas hospitalares abertas, à semelhança do que sucede nas urgências gerais de adultos. Observou ainda que “a isenção das taxas moderadoras para grávidas não deve incluir o uso indevido ou abusivo dos cuidados de saúde”.



O obstetra destacou ainda a importância da aprovação a curto prazo da nova proposta de revisão da rede de referenciação hospitalar em Obstetrícia, Ginecologia e Neonatologia, dado que esta “não é revista há mais de 20 anos e está tão desatualizada que são poucos os hospitais que ainda a respeitam”.

Trata-se se “um documento fulcral para a organização dos serviços hospitalares e para a definição das valências, dos critérios de referenciação, dos recursos humanos, das instalações e dos equipamentos”.


Diogo Ayres de Campos evidenciou ainda que “a Ginecologia, a Medicina da Reprodução e a Oncologia Ginecológica nunca tiveram uma rede de referenciação hospitalar, o que levou a que, nesta última área, houvesse um número elevado de serviços com casuísticas muito baixas e resultados terapêuticos subótimos”.

O encerramento de maternidades na zona sul com caráter praticamente diário tem “graves repercussões nos cuidados prestados às grávidas, no risco clínico que está associado e na motivação dos profissionais de saúde”.



Diogo Ayres de Campos finalizou o seu discurso afirmando: “Estamos a atravessar um momento difícil nos cuidados obstétricos e ginecológicos públicos nacionais. Aqueles que já foram um dos nossos motivos de orgulho a nível internacional correm, atualmente, o risco de se tornarem num parente pobre da oferta de saúde privada.”

Deixou o apelo para que “exista uma abordagem concertada entre todas as instituições envolvidas e partilhou a “grande confiança que os profissionais do SNS colocam na equipa ministerial e na direção executiva do SNS”. E a mensagem final é de grande esperança: “Vamos aproveitar este momento para recolocar a Obstetrícia e Ginecologia nacional no caminho que ela merece.”

Nuno Clode, presidente da SPOMMF, havia antecedido a intervenção de Diogo Ayres de Campos, inaugurando a sessão de abertura. O obstetra apresentou alguns dos hot topics que seriam discutidos ao longo dos três dias do Congresso, como “a abordagem da gravidez não evolutiva ao longo da gestação, a rotura prematura de membranas, as infeções na gestação, concretamente a pneumonia vírica, a toxoplasmose e o citomegalovírus”. 

Nuno Clode e Diogo Ayres de Campos

Realçou ainda a importância do debate da “patologia médica menos habitual, mas que, existindo, acarreta riscos”, nomeadamente o lúpus, a esclerose múltipla e a síndrome dos anticorpos antifosfolípidos. Associado ao trabalho de parto, referiu a importância do tratamento de temáticas como “a ecografia no período expulsivo e a utilização de instrumentos”. 

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