«O ursinho vai ao médico» leva internos de Medicina Familiar a jardins de infância no Porto

A organização de uma sessão de educação para a saúde "no local onde as crianças passam bastante tempo do seu dia-a-dia e onde se sentem confortáveis, em vez de serem elas a virem ter connosco ao centro de saúde". Esta é considerada a principal mais valia do projeto intitulado "O ursinho vai ao médico". A explicação é dada por Hugo Almeida, da USF Barão de Nova Sintra.

Em declarações à Just News, o médico interno de Medicina Geral e Familiar (MGF) e principal impulsionador da ideia, sublinha a relevância deste elemento diferenciador. "O contacto torna-se assim mais informal e descontraído, o que notamos acaba por interferir na forma como as crianças interagem com os profissionais e com os objetos de apoio ao diagnóstico."


Banca dedicada à radiografia e às fraturas

Hugo Almeida recorda que o processo de construção e de implementação do projeto foi muito rápido e surgiu de forma natural:

"No início deste ano fomos abordados pela professora responsável do Jardim de Infância de São Caetano, que pretendia realizar uma ação de educação para a saúde, com o objetivo de desmistificar os medos despertados nas crianças pela ida a centros de saúde e pelo contacto com profissionais de saúde, afastando o receio da bata branca."

A sugestão foi acolhida com entusiasmo e colocada em prática por Hugo Almeida e Joana Baptista, da USF Barão de Nova Sintra, e por Joana Fernandes Ribeiro e Alice Longras, da USF Faria Guimarães, unidades que integram o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Grande Porto VI - Porto Oriental.


Área dedicada ao exame abdominal e auscultação

O contacto com crianças neste contexto não é, aliás, uma novidade para os médicos internos de MGF. "Enquanto estudantes, já tínhamos organizado e participado em diversas ações deste género", afirma Joana Fernandes Ribeiro.

Contudo, a médica interna da USF Faria Guimarães salienta que se tratavam de ações "em que as crianças é que se deslocavam a um determinado local, não sendo nós a ir ao encontro delas no seu ambiente. E este é um pormenor que faz uma grande diferença".

Faz ainda questão de referir que a ideia "contou com o apoio de todos os orientadores de formação, assim como dos coordenadores das USF". Na sua opinião, este é um "aspeto crucial", indicando que "eles também foram fundamentais na estruturação do projeto, assim como em toda a logística inerente ao mesmo".


Joana Baptista, Alice Longras, Hugo Almeida e Joana Fernandes Ribeiro

"Alargamento da iniciativa"

Após a realização desta primeira ação, que decorreu em maio, e dado o feedback "muito positivo", a equipa de quatro internos de MGF rapidamente equacionou a continuidade do projeto. "O alargamento desta iniciativa a outras instituições está previsto e deverá ocorrer já a partir do início do próximo ano letivo", adianta Joana Fernandes Ribeiro.

De acordo com a médica interna, "o projeto será apresentado a mais alguns jardins de infância e, caso surjam solicitações, procuraremos também estar disponíveis para efetuar a ação".


Otoscopia, oftalmoscopia e inspeção da faringe

Contributo para "maior proximidade com filhos e pais"

Segundo Hugo Almeida, este projeto de educação para a saúde traz ainda um outro benefício para todos. "Permite também aproximar crianças e pais dos cuidados de saúde, fazendo com que esse contacto se apresente como algo natural, prazeroso e salutar para a criança (futuro adulto) desde idades precoces."

Na sua opinião, "culturalmente persiste ainda a tentação em alguns pais de usar a expressão ´ida ao médico` como uma forma de punição ou ameaça, sem perceção do real impacto desse comportamento."

Desta forma, a equipa teve a preocupação de, no final da ação, "entregar às crianças um panfleto para elas levarem para casa, onde constam algumas estratégias que os pais podem adotar, de forma a preparar antecipadamente a consulta e a tranquilizá-los em relação à mesma".


Também as crianças do Jardim de Infância de São Caetano fizeram questão de entregar, no final da ação, umas lembranças aos quatro médicos internos
 


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