Medicina Interna de Portimão-Lagos organizada como «um grande Serviço com várias unidades funcionais»

Nuno Bernardino Vieira nasceu no antigo Hospital de Portimão no dia 19 de maio de 1978. Mudou-se para Lisboa para fazer o curso na FMUL e o internato Geral de 2 anos cumpriu-o na sua terra natal. Este serviu, desde logo, para duas coisas: cimentar a sua ideia de se tornar internista e confirmar que estava no sítio certo para prosseguir a sua carreira de médico.

Diretor do Serviço de Medicina Interna da Unidade de Portimão-Lagos da ULS Algarve desde 5 de agosto de 2024, preside ao 32.º CNMI, a edição de 2026 do grande evento anual da SPMI, Sociedade de que é um dos três vice-presidentes.



Para Nuno Bernardino Vieira, “o grande desafio que se coloca em qualquer organização é, acima de tudo, a gestão dos recursos humanos, principalmente quando eles são muito escassos para aquilo que se quer fazer e para os desafios que existem e as responsabilidades que se colocam”.

“Não me posso queixar, pois, o meu Serviço tem-me dado todo o apoio. Mas tenho a clara noção de que o que se quer fazer e o que lhes é pedido é muito, estando perfeitamente consciente do cansaço associado a esse esforço. Em todo o caso, acho que as pessoas têm motivação, havendo um desejo coletivo de que o Serviço ande para a frente e evolua. Que se torne atrativo, capaz de captar mais colegas, para que realmente tenhamos melhores condições. E, começando pelos nossos internos que vão acabando a sua formação, procurando fixá-los, o que, aliás, conseguimos com os últimos que por aqui passaram, para ir enriquecendo o nosso corpo de internistas”, afirma.



A contar consigo, a equipa começou o ano com um total de 24 especialistas, importando não esquecer que o Serviço que dirige não está limitado a Portimão, estendendo-se a Lagos. O diretor tem as contas feitas: “Em termos de projeção, com base no plano de ação que temos para as várias unidades funcionais, devíamos ser 42. Para assegurar os mínimos!”

“Ao nível da organização e do crescimento do Serviço, devo dizer que tem sido um percurso, embora ainda curto, de continuidade relativamente ao que a Dr.ª Luísa Arez vinha fazendo e muito bem”, faz questão de sublinhar Nuno Bernardino Vieira.

Mas destaca, por exemplo, o que, já sob a sua direção, tem sido feito no último ano e meio no que concerne à criação de unidades funcionais que, “embora elas, em certa medida, já existissem, estão agora mais claramente definidas, nomeadamente com a nomeação de um coordenador para cada uma delas”. No seu entender, “isso faz com que a liderança esteja mais próxima de quem está no terreno”.

Dispondo de quatro unidades de internamento de agudos – três em Portimão e uma em Lagos --, o diretor enumera uma série de outras mais diferenciadas: a de AVC, a de cuidados intermédios, a de hospitalização domiciliária, a de consultadoria, ou a que está dedicada à formação e à investigação, por exemplo.


“Eu penso que uma coisa que nos pode distinguir é o facto de termos várias áreas dentro do Serviço que em muitos outros locais estão fora, como sucede, nomeadamente, com o AVC ou com a hospitalização domiciliária, que em alguns hospitais são completamente independentes. Eu diria que estamos organizados como um grande Serviço que tem várias unidades funcionais, procurando que cada uma delas tenha alguns objetivos de desempenho para atingir”, diz Nuno Bernardino Vieira.

É evidente que o facto de os recursos humanos serem muito limitados faz com que, naturalmente, na maior parte dos casos, nessas unidades funcionais não existam equipas fixas de profissionais, obrigando a uma rotatividade dos elementos por diferentes unidades.



Relativamente aos internos de MI, que eram 14 no final de novembro, o diretor dizia na altura à Just News ter esperança de vir a conseguir preencher as quatro vagas disponíveis no âmbito do concurso entretanto aberto, na expetativa de repetir o êxito de um ano antes, quando as três vagas a concurso foram ocupadas. “Acaba por ser um pouco o sangue que contribui para garantir o futuro e o dinamismo do Serviço”, comenta, prosseguindo:

“A ideia passa muito por tentar ter um Serviço que seja motivador, que tenha alguma inovação, que faça igualmente investigação, que proporcione formação de qualidade a todos, porque por aqui passam os internos de formação Geral, os de MI mas também os de outras especialidades que têm que fazer o estágio de MI. Eu acho que a melhor montra que podemos ter para o futuro é formarmos bem quem nos conheceu, porque pode ser que queiram depois voltar e enriquecer a nossa equipa, apesar da carga assistencial que temos nos limitar.”


Os três vice-presidentes do 32.º CNMI: João Estevens (tesoureiro), Ricardo Louro (secretário-geral) e Nuno Bernardino

Em busca de “uma identidade forte e um objetivo comum”

Nuno Bernardino Vieira concluiu que a melhor forma de pôr o Algarve a organizar um Congresso Nacional de Medicina Interna seria “juntando esforços”. Isto é, basicamente, agregando os internistas do público e do privado, na prática, os que trabalham na ULS (Faro e Portimão-Lagos) e os que exercem no Grupo HPA Saúde (Alvor e Gambelas, em Faro).

“Penso que também serve para mostrarmos a união que existe entre as diferentes equipas de MI e fazer algo com mais impacto. Adicionalmente, dá-se a coincidência de o nosso CNMI acontecer precisamente 25 anos depois daquele que foi o primeiro e único Congresso organizado até agora pela MI do Algarve e quando se celebra o 75.º aniversário da nossa Sociedade”, salienta.



Uma responsabilidade acrescida, diz Nuno Bernardino Vieira, prende-se com a circunstância de “atravessarmos uma fase em que precisamos de encontrar uma identidade forte e de nos unirmos para um objetivo comum. É um facto que a MI perdeu força, não só com os movimentos originados em torno da criação de novas especialidades médicas mas também com o estado a que chegaram os nossos serviços no SNS, fracos e depauperados, em consequência da saída de muitos colegas”.

A conclusão é evidente: “Os serviços formam pior as pessoas, daí resultando que ficam com a sua imagem afetada, o que faz com que os internos de formação geral percam qualquer interesse em ir para MI, daí originando um decréscimo no número de novos especialistas. Um autêntico ciclo vicioso!”

“É necessário que a Tutela invista a sério na Medicina Interna, que todos reconhecem ser o pilar dos hospitais, sendo certo que com o enfraquecimento continuado da MI as instituições hospitalares funcionarão cada vez pior. Os privados já perceberam isso e valorizam os internistas, por saberem que os outros especialistas vão trabalhar melhor”, desabafa Nuno Bernardino Vieira.


A reportagem completa aos serviços de Medicina Interna da ULS Algarve (unidades de Portimão-Lagos e de Faro) e à Unidade de Alvor do Grupo HPA Saúde pode ser lida na LIVE Medicina Interna 35 - Jan.-Abr. 2026.

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