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Integração de cuidados de saúde: «Vamos apoiar a implementação de 12 projetos em Portugal»

"Começar projetos é relativamente fácil", afirma Adelaide Belo, presidente da PAFIC - Portuguese Association for Integrated Care. Na sua opinião, "o problema é fazê-lo de uma forma planeada, com avaliação de resultados e as respetivas correções, necessárias á sua manutenção e sustentabilidade".

Por esse motivo, surgiu esta ideia de "proporcionar um apoio em consultadoria, para a implementação de projetos de integração de cuidados, tendo em conta os princípios do ciclo da qualidade (PDCA cycle) – Plan – Do – Check – Act", explica a especialista de Medicina Interna da ULS do Litoral Alentejano, em declarações à Just News.

"Princípio da centralidade nas pessoas"

O programa, intitulado Integrar+, decorrerá entre setembro de 2022 e janeiro de 2023, sendo desenvolvido em parceria com a Lean Health e a Roche. Até dia 15 de julho, as candidaturas estão abertas "a nível nacional, para todos os níveis de cuidados e outras parcerias, nomeadamente com serviço social ou autarquias", refere Adelaide Belo. Serão depois selecionados os 12 projetos a apoiar.

Segundo o Regulamento, deverão "compreender pelo menos uma de 4 dimensões de integração: Clínica, Profissional, Organizacional e Funcional" e "seguir o princípio da centralidade nas pessoas".

É também referido que as candidaturas deverão refletir "uma abordagem que assume a perspectiva dos indivíduos, cuidadores, família e comunidade, como participantes e beneficiários dos serviços e cuidados de saúde, organizados em função das necessidades compreensivas dos mesmos e não em doenças, e que respeitam as suas preferências".

"É imprescindível o caminho da coordenação"

E qual a realidade atual da integração de cuidados em Portugal? "A perceção da PAFIC é que cada vez mais há a consciência por parte dos profissionais de que, para respondermos às necessidades das pessoas com doença(s), é imprescindível o caminho da coordenação", afirma Adelaide Belo.

Uma coordenação que se tem de verificar "quer entre os vários níveis de cuidados de saude, quer com outras áreas, nomeadamente a área social, mas também respostas comunitárias, mais próximas das pessoas".

Por outro lado, a médica considera que também há "cada vez mais consciência por parte dos cidadãos de que as respostas têm que ser encontradas tendo em conta as suas necessidades e preferências. A pandemia que vivemos também serviu para expor essa necessidade."

Adelaide Belo


"Este é um caminho que já se iniciou"

Relativamente aos principais obstáculos para uma maior integração de cuidados, Adelaide Belo afirma que podem agrupar-se em 5 grandes itens:


1) Organização das instituições, quer local, quer central, onde não uma política expressa de integração de cuidados. Há iniciativas não enquadradas numa estratégia orienatdora. Verifica-se muitas vezes que quer os indicadores, quer os incentivos não estão focados nos resultados e até conflituam quando há instituições que querem avançar com programas de coordenação;

2) Cultura organizacional que ainda é muito virada para si própria e para os vários grupos que a compõem e que é sempre difícil de mudar o foco para centrar nas necessidades das pessoas;

3) Governação clínica e liderança – as iniciativas nesta área , que verdadeiramente resultam, devem ser “de baixo para cima”. Para tal a existência de lideranças locais é determinante;

4) Partilha de dados - consideramos que o acesso à informação do doente tem de ser partilhado por todos, incluído o próprio;

5) Participação das comunidades – que têm de sentir que são incluídas neste processo como parceiras e não como substitutas de algo que outro devia fazer.

Na sua opinião, "este é um caminho que já se iniciou, mas é certo que ainda temos um longo percurso a percorrer". Especificamente quanto à PAFIC, o objetivo é claro: "Pretende ser uma referência para quem está ou quer iniciar este percurso."

Divulgação de iniciativas que sirvam de "alavanca motivadora para novas ideias"

Até final deste ano a PAFIC tem previsto realizar ainda outras ações. É o caso do "Mapeamento das iniciativas de Integração de Cuidados", que já existem.

"Sabemos que existem projetos a serem desenvolvidos em todas as regiões, mas que são pouco divulgados", afirma Adelaide Belo, acrescentando:

"O que pretendemos é fazer um reportório dessas iniciativas, de modo que possam estar acessíveis a todos e serem uma alavanca motivadora para novas ideias. Lançamos, assim, o desafio a quem tenha projetos em curso que os partilhe nessa plataforma."

De acordo com a presidente da PAFIC, está também a ser planeada a realização de webinares sobre temas específicos e adianta que, "muito em breve, iremos lançar o Prémio Nacional de Integração de Cuidados."

Questionada sobre qual a maior conquista que se poderá celebrar nesta área da integração de cuidados, Adelaide Belo afirma:

"Será caminharmos para uma organização dos serviços centrados nas pessoas, de acordo com a ´WHO global strategie on Integrated people-centred health services – 2016-2026`, de modo a podermos proporcionar respostas às verdadeiras necessidades que as pessoas sentem, a vários níveis, de uma forma sustentável para o nosso país."

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