Insuficiência cardíaca: «É fulcral identificar bem os doentes»

"O diagnóstico de insuficiência cardíaca (IC) pode ser muito simples, nomeadamente para clínicos experientes", afirma Paulo Bettencourt, coordenador do Núcleo de Estudos de IC (NEIC) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna. Contudo, o médico faz uma advertência:

"O facto de muitos dos sintomas e sinais que encontramos em doentes com esta condição serem partilhados com outras doenças, como, por exemplo, a doença respiratória crónica, pode fazer com que seja desafiante”.

O tema foi abordado na 1.ª Reunião do NEIC, que teve lugar no Porto no final de setembro.



De acordo com o diretor do Serviço de Medicina Interna da CUF Porto, é “fulcral identificar bem os doentes com IC” para que possa ser possível reconhecer aqueles que vão beneficiar de toda a intervenção médica, nomeadamente terapêutica, que melhore o prognóstico e a qualidade de vida destes doentes.

“Com muita frequência, os clínicos que se dedicam a esta área da IC identificam doentes que já têm queixas muitas vezes há meses ou anos e que frequentemente percorrem diversas especialidades sem que a IC seja reconhecida”, diz.

O internista lembra que todas as especialidades médicas generalistas, para além da Cardiologia, estão necessariamente envolvidas na abordagem dos doentes com IC, nomeadamente, e de forma muito significativa, a Medicina Geral e Familiar e a Medicina Interna.



Mas, como é que deve ser feito o diagnóstico em doentes em que existe suspeita de IC? Relativamente a esta questão, Paulo Bettencourt explica:

“Para o diagnóstico de IC, o doente tem de ter queixas compatíveis ou que sugerem IC e, adicionalmente, demonstrar que no seu coração algo não está bem - ou não funciona adequadamente ou a estrutura tem alterações importantes que causam os sintomas e a necessidade de demonstração de alterações da função da estrutura cardíaca.”

“A IC quase nunca surge sozinha”

O internista recorda que a IC é uma condição muito mais frequente nas pessoas mais idosas, que são doentes que “colecionam” patologias, algumas da quais são, entre si, fatores de risco para IC ou podem estar na sua génese.

“A IC quase nunca surge sozinha. Os indivíduos que sofrem com este problema são diabéticos, têm doença respiratória crónica, insuficiência renal, anemia, défices cognitivos”, refere, salientando a importância da diversidade do manejo integral nas diversas perspetivas que são necessárias para o bem cuidar destes doentes.

Organizar para "cuidados de maior qualidade"

Na Reunião, que contou com muitos dos principais especialistas da área, também se falou sobre organização de cuidados, tendo sido apresentada a experiência de Espanha com um programa de IC, bem como algumas de âmbito nacional.



“Numa perspetiva nacional, foi muito interessante percebermos as realidades diversas na área geográfica do país, especificamente como é que cada um se organiza com particularidades próprias pelo cariz geográfico e pelas características locais de cada área”, refere.

“Foi importante que as pessoas tivessem oportunidade de se conhecerem e de conhecerem o que os outros fazem e perceberem o que é necessário para melhor nos organizarmos. Não é tão complexo quanto isso organizarmo-nos para podermos prestar cuidados de maior qualidade.”


Irene Marques, César Lourenço, Pedro Morais Sarmento, Joana Pimenta, Inês Araujo e Paulo Bettencourt

No evento estiveram presentes mais de 150 participantes, entre especialistas em MGF, cardiologistas e internistas, o que, na opinião de Paulo Bettencourt, "demonstra a vontade e interesse que existe nesta área".

“É expectável que a IC se torne cada vez mais relevante na prática médica, uma vez que se estima que o número de doentes com esta condição vá aumentar progressivamente nos próximos anos”, conclui.


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