Hospital de São Bernardo oferece cuidados de Imunoalergologia há 25 anos em Setúbal

Foi há 25 anos que Filipe Inácio chegou ao Hospital São Bernardo, em Setúbal, para ali criar uma Unidade de Imunoalergologia. “A equipa era eu e... eu”, diz, sorrindo. E sublinha: “Continuamos a ser o único hospital periférico do país com um laboratório integrado no Serviço de Imunoalergologia.”



Filipe Inácio, 68 anos, começou a sua atividade profissional no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, tendo sido o primeiro interno e especialista de carreira hospitalar de Imunoalergologia.

Apesar de satisfeito com o que fazia na casa onde se formara e de, inclusive, ser responsável pela Unidade de Imunidade Celular, aceitou o convite para rumar a Setúbal e “começar do zero”. Ficaram a ganhar os doentes da região, que deixaram de ter de se deslocar a Lisboa para receber cuidados de Imunoalergologia.

“Nasci e cresci nesta cidade, onde o meu trabalho é reconhecido, e não estou arrependido de ter deixado Santa Maria”, garante. “Obviamente que, em termos profissionais, o caminho teria sido outro se me tivesse mantido em Lisboa, onde ainda lecionei durante uns anos, mas estou feliz por ter tomado essa decisão, porque sei que fiz a diferença nesta região”, afirma.

E bem se recorda do que pediu a quem o convidou para fazer parte da equipa do Hospital São Bernardo: recursos humanos adequados e um laboratório integrado no Serviço, “mas claro que ainda levou algum tempo até que se conseguisse esse objetivo”.


Filipe Inácio e Elza Tomaz, que também deixou o Hospital de Santa Maria para abraçar o projeto de Setúbal

Numa fase inicial, teve o apoio da imunoalergologista Elza Tomaz nas consultas, a tempo parcial e uma vez por semana. “Foi a primeira especialista, depois de mim, a integrar o quadro. Posteriormente, contei também com o contributo do Dr. Vinhas de Sousa e da Dr.ª Fátima Jordão. São pessoas extraordinárias, muito competentes, inteligentes e dedicadas. Foi, de facto, uma aposta ganha”, afirma Filipe Inácio.

A equipa do Serviço de Imunoalergologia do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) foi crescendo ao longo do tempo, tendo agora mais de duas dezenas de elementos: 6 médicos do quadro e 5 em formação, 2 enfermeiras que dão apoio ao Hospital de Dia, 3 administrativas, 4 técnicas superiores de diagnóstico e terapêutica e 2 assistentes operacionais. Como mera curiosidade, refira-se que Filipe Inácio é o único homem.

Serviço com duas vertentes: clínica e laboratorial

“Damos resposta a toda a região sul", explica Filipe Inácio. "Além disso, somos o único Serviço do país a quem a Administração Central do Sistema de Saúde conferiu a responsabilidade de todo um distrito, neste caso, o de Setúbal, ou seja, passámos de 230 mil habitantes para 1 milhão.”

Apesar do orgulho que demonstra pelo reconhecimento da ACSS, Filipe Inácio admite que acabou por "gerar alguns constrangimentos ao Serviço".

“As listas de espera aumentaram, sobretudo nas consultas subsequentes, e por isso precisamos de mais recursos humanos, mas obviamente que damos o nosso melhor para prestar cuidados de qualidade, diferenciados, à nossa população”, diz.



Filipe Inácio reconhece sentir uma grande satisfação e alegria pelo trabalho desenvolvido ao longo de duas décadas e meia, nomeadamente na área laboratorial. “O Serviço está estruturado em duas vertentes: a clínica e a laboratorial, porque há 25 anos percebi que o caminho da Imunoalergologia iria depender também desta última componente.” E a aposta foi ganha.

O médico realça ainda o aspeto organizacional, referindo: “Estamos bem estruturados.” E esclarece que "o doente que recorre, pela primeira vez, à consulta faz a avaliação funcional respiratória, quando indicada, no mesmo dia, assim como os testes cutâneos e as análises necessárias". Esta gestão tem permitido, sublinha, “uma grande poupança de tempo e de recursos”.

Dr.ª Barbie: "vestir a pele do outro”

A cardiopneumologista Leonor Campos é um dos elementos da equipa que a Just News entrevistou para esta reportagem do jornal Hospital Público.



“Bem-vindos à Sala Mágica, porque a Dr.ª Barbie não faz exames respiratórios, mas jogos", afirma a especialista, mais conhecida como Dr.ª Barbie, enquanto nos mostra o desenho da Barbie com dois corações afixado na porta de entrada do seu gabinete.

“A Barbie sou eu e os corações simbolizam a Madre Teresa de Calcutá, ou seja, é uma Barbie com o coração da Madre Teresa”, explica, sorrindo, apesar de ter acordado com um torcicolo no dia em que esta reportagem foi feita.

“Ao longo da vida, vamo-nos desmotivando e muitos acabam por trabalhar consoante o seu humor, mas eu não me dou a esse luxo, aliás, redobrei a minha dose de paciência e boa disposição, apesar de me terem dito, no início, que esta sala mágica iria durar pouco tempo...”, indica.



Um dos segredos da técnica superior de Cardiopneumologia é “vestir a pele do outro” e viver um dia de cada vez. “Quando alguém entra por esta porta torna-se eu. Nesse momento, vou tratá-la como gostaria de ser tratada. Além disso, vivo todos os dias em festa, porque nunca sei qual vai ser o último...”

“A equipa está consolidada"

Filipe Inácio adianta à Just News que irá manter-se como diretor do Serviço de Imunoalergologia do CHS até ao final do ano. Depois... “vou reformar-me e entregar a pasta”.

Garante que o fará sem qualquer preocupação, porque “a equipa está consolidada e quem me suceder tem todas as competências para continuar a fazer um trabalho de qualidade, sem pôr em causa os cuidados à população”.



Questionado sobre as características que um diretor de um serviço deve ter, identifica algumas: “Tem de ser um médico diferenciado, um bom clínico, que conheça as dificuldades do dia-a-dia, reconhecido interpares, para que seja respeitado. Deve ser um bom líder e ter a capacidade de estabelecer boas relações humanas.”

“Temos que saber gerir as pessoas, o que não é uma tarefa fácil. É preciso entender as dificuldades e ansiedades dos outros para conseguir mediar os conflitos, porque somos humanos e os problemas pessoais também se refletem no trabalho, por mais que tentemos que assim não seja”, refere, sublinhando: “A minha gestão foi sempre de porta aberta, apostando na proximidade.”


Filipe Inácio: "o ambiente na equipa é muito bom"

Apesar da experiência que adquiriu ao longo dos anos, considera que se deveria dar mais atenção à formação em Gestão quando a um médico é dada a direção de um serviço: “De repente, temos uma responsabilidade para a qual não temos qualquer preparação e a tutela devia pensar nisso.”



A reportagem completa, que inclui as perspetivas de outros profissionais e a relevância de diferentes áreas do Serviço de Imunoalergologia, pode ser lida no Hospital Público (março/abril 2019).

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