Hospital CUF Porto: Medicina Interna como especialidade «âncora» no internamento

Depois de uma década como diretor do Serviço de Medicina Interna do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), Paulo Bettencourt aceitou, há cerca de ano e meio, o desafio de coordenar a Unidade de Medicina Interna do Hospital CUF Porto. Um dos fatores que influenciou a sua decisão prende-se com o facto de considerar que naquela unidade hospitalar a Medicina Interna pode vincar-se como "especialidade coordenadora e charneira em termos hospitalares".

Paulo Bettencourt, que é professor catedrático convidado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, conhece todos os seus doentes pelo nome e não sai do hospital sem fazer uma última visita a cada um. É desta forma que o médico é retratado pelos profissionais de saúde com quem trabalha diariamente.

Em entrevista à Just News, publicada na última LIVE Medicina Interna, o internista conta que a criação da Unidade de Medicina Interna surgiu de uma vontade do Hospital CUF Porto em apostar na MI como especialidade “âncora” em termos de internamento, dando resposta às situações de emergência e cuidados intermédios e intensivos.


Flávia e Joana (alunas da FMUP), Marco Diogo (internista), Ana Gil (enfermeira), Maria Antónia Ruão (nutricionista), Sérgio Silva (internista), Paulo Bettencourt, Margarida Alvelos, António Sampaio, Alberto Leite, Albino Silveira (internistas)

Por outro lado, o hospital quis também apostar na área de ambulatório, o que levou à criação de um grupo mais extenso e coeso de internistas. No seu todo, a Medicina Interna é constituída por 59 médicos: nove residentes (o coordenador da Unidade, sete a tempo integral e um parcial) e 50 médicos que colaboram na Unidade de Cuidados Intermédios Polivalente-UCIP (coordenada por Alberto Leite, um dos internistas residentes), e/ou Consulta e/ou no Atendimento Permanente de Adultos.

Um número significativo dos doentes que são internados é proveniente da urgência, ficando a maioria ao cuidado da MI. De acordo com Paulo Bettencourt, “os internistas fazem a sua avaliação e solicitam os apoios necessários às outras especialidades”, um procedimento um pouco transversal nas áreas médicas.



Na CUF Porto, a área de internamento é comum às várias especialidades, sendo o número de camas adaptado às necessidades. Não há espaços físicos fechados, embora haja uma área preferencial à MI. Todos os quartos são individuais e dispõem de casa de banho.

“Apesar de ter a sua individualidade e o seu percurso próprio”, a Unidade de MI inter-relaciona-se muito com todas as outras especialidades do hospital. Exemplo disso é o facto de a equipa integrar os grupos multidisciplinares de abordagem à obesidade e terapêuticas biológicas.

No que respeita à Consulta Externa, além das de Medicina Interna Geral, a Unidade realiza também as de Doenças Autoimunes, Insuficiência Cardíaca, Risco Cardiovascular e Pré-operatório, tendo feito, em 2016, cerca de 6 mil consultas. O Atendimento Permanente de Adultos, na cobertura integrada de situações de urgência/emergência de todo o hospital, faz parte da sua atividade.

De destacar, também, que a equipa tem acesso e utiliza com alguma frequência o Hospital de Dia multidisciplinar.

Além dos encontros semanais, são realizadas diariamente duas reuniões (uma no período da manhã e outra à tarde), envolvendo o coordenador, os médicos que estão de serviço, a enfermeira responsável de turno e a nutricionista. 


Parceria próxima com a MGF 

Um dos aspetos que Paulo Bettencourt salienta é que, em relação ao standard do hospital público, na CUF Porto a Unidade tem um número de serviços mais amplo, nomeadamente em termos de ambulatório, o que leva a uma referenciação diferente.

“Nós somos muito escolhidos pelo doente e não pelo sistema que nos encaminha. E isso abre-nos também uma amplitude maior de patologias”, aponta. O coordenador da Unidade destaca, também, a “parceria próxima e interessante” que a MI estabelece com a Medicina Geral e Familiar no próprio hospital. “Sempre que a MGF precisa de algum parecer de doentes com patologia crónica mais complexa pede-nos ajuda e vice-versa”, afirma.



Paulo Bettencourt conta que neste momento a Unidade “vive muito as virtudes de uma organização pequena e de grande proximidade”, onde a comunicação é muito fácil e rápida, o que é uma “mais-valia muito relevante”.

“A MI foi a melhor escolha que podia ter feito”

Paulo Bettencourt nasceu no Porto a 12 de março de 1965. Concluiu a licenciatura na FMUP em 1989, onde também se doutorou, em 2001. É professor catedrático convidado daquela Faculdade desde 2005.

Fez a formação inicial e específica no Serviço de Medicina Interna do Hospital de São João (agora Centro Hospitalar de São João), que concluiu em 1997, onde permaneceu até 2016, tendo sido seu diretor de 2006 a 2016. Decidiu nessa altura aceitar o convite para coordenar a Unidade de Medicina Interna do Hospital CUF Porto.


Questionado sobre a opção pela Medicina, Paulo Bettencourt conta que apesar de na sua família não haver um único médico, havia uma “certa pressão” para enveredar por este tipo de carreira, que aceitou “de forma muito serena”, porque também lhe agradava.



No que respeita à especialidade, o médico considera que “a Medicina Interna foi a melhor escolha que podia ter feito”, sobretudo porque, pela sua perspetiva generalista e holística, “é muito completa e permite fugir do medo da monotonia e da repetição”, o que aponta como uma “mais-valia incomensurável” da especialidade.

Por outro lado, acredita que é uma área de conhecimento que “pode dar mais-valias adicionais em saúde aos doentes.”

Um dos fatores que o levou a aceitar o desafio de coordenar a Unidade de MI do Hospital CUF Porto prendeu-se com o facto de considerar que estava na altura de iniciar um novo percurso e que naquela unidade hospitalar a MI pode vincar-se como “especialidade coordenadora e charneira em termos hospitalares”.

O seu dia-a-dia é centrado na atividade profissional, entre o hospital e a FMUP, onde, além de ser docente, é investigador na Unidade de Investigação Cardiovascular, tendo, atualmente, projetos em desenvolvimento “muito desafiantes”. 





A reportagem completa pode ser lida na última edição da LIVE Medicina Interna. São também entrevistados outros profissionais da Unidade de Medicina Interna do Hospital CUF Porto:

- Alberto Leite: coordena a Unidade de Cuidados Intermédios Polivalente (UCIP), com capacidade para internamentode 12 doentes;
- Ana Gil: trabalha na Unidade de Medicina Interna desde que Paulo Bettencourt é coordenador da mesma, assumindo a função de enfermeira responsável de turno durante as manhãs;
- Maria Antónia Ruão: nutricionista clínica do hospital e colabora com a Unidade de Medicina Interna desde abril de 2016.

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