Homenagem ao urologista José Campos Pinheiro, que «apostava muito na relação médico-doente»

Entre vários abraços e aplausos assinalaram-se os 20 anos das Jornadas Nacionais de Urologia em Medicina Familiar, organizadas pelo urologista Manuel Mendes Silva. Além dos momentos de partilha de saberes, homenageou-se José Campos Pinheiro, precursor, juntamente com o responsável do evento, pela ligação desta especialidade hospitalar com os cuidados de saúde primários.


José Campos Pinheiro

Após dois anos de interregno por causa da pandemia, as Jornadas voltaram a realizar-se, reunindo urologistas e médicos de família em Lisboa para falar sobre diversos temas do foro urológico. Um dos nomes que marcou presença para uma homenagem pelos pares foi José Campos Pinheiro que, entre outros cargos, criou e dirigiu o Serviço de Urologia do Hospital Fernando da Fonseca (HFF), na Amadora, tendo acumulado esse cargo e a Direção Clínica.



“Tinha uma visão diferente de se fazer Medicina, apostando muito na relação médico-doente; é um homem humilde, de um delicado trato, que privilegia sempre o diálogo e o entendimento, aliando-os com grande exigência nos cuidados a prestar aos doentes, mantendo-se sempre sereno perante as adversidades”, disse Fernando Ferrito, atual diretor do Serviço de Urologia do HFF e seu amigo.

Na sua preleção fez ainda questão de salientar a luta pela articulação com os cuidados de saúde primários de Campos Pinheiro e o dom da palavra. “É naturalmente líder, sem ter necessidade de se impor.”


Fernando Ferrito

No ecrã foram sendo apresentadas algumas fotografias do homenageado que chegou também a criar e a liderar os serviços do Hospital Universitário de Luanda e do Centro Hospitalar de Coimbra. Esteve ainda à frente do Conselho de Administração do Hospital de Torres Vedras.

Manuel Mendes Silva: “um personagem incontornável”

Os vários elogios a José Campos Pinheiro estenderam-se a Manuel Mendes Silva. Coube ao urologista Júlio Fonseca, do Hospital da Luz Lisboa, falar sobre “um personagem incontornável da Urologia portuguesa”.

Sendo seu amigo, referiu que toda a carreira de Mendes da Silva se espelhou no que disse ser “uma enorme capacidade de comunicar, de transmitir conhecimento e de levar além-fronteiras a Urologia nacional, particularmente ao mundo lusófono”.


Catarina Empis (da Comissão Organizadora das Jornadas), Manuel Mendes Silva e Júlio Fonseca


Destacou, ainda, a sua “integridade como homem e como médico”, que o levaram a ser “um defensor intransigente da ética e da disciplina”. A aposta na relação com a MGF e na formação foram outros pontos elencados. “Estas jornadas são o reflexo do seu empenho e dedicação à educação médica contínua, à formação pós-graduada e ao estreitar das relações interdisciplinares das duas especialidades, com o objetivo de promover a saúde e a prevenção da doença.”

À semelhança da primeira homenagem, Júlio Fonseca também apresentou alguns slides com fotografias do urologista que, ainda hoje, aos 74 anos, mantém atividade clínica privada e é fellow do European Board of Urology e académico da Academia Nacional de Medicina do Brasil. É autor e coordenador de vários livros, preparando-se para lançar mais um nos próximos meses. Para trás ficou uma longa carreira, a nível nacional e internacional, destacando-se a atividade como urologista no Hospital do Desterro e no Hospital Militar Principal, em Lisboa.



Foram vários os convidados na sessão oficial de abertura das Jornadas e que também teceram elogios aos homenageados, tais como Miguel Ramos, presidente da Associação Portuguesa de Urologia (APU), Abranches Monteiro, presidente da Assembleia Geral da APU, Pedro Moura Reis, médico e administrador da Prismédica, e André Biscaia, presidente da USF-AN.  

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