Hipertensão Arterial Pulmonar: 200 doentes fazem terapêuticas específicas no CHULN

Criado em 2015, o Centro de Tratamento de Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (CHULN) - Hospital Pulido Valente é um dos seis centros que existem no país.

Esta valência resultou da fusão de duas consultas de hipertensão pulmonar, uma que decorria no Hospital de Santa Maria e era ligada à Unidade de Tratamento Intensivo para Coronários (UTIC), e outra mais ligada à Pneumologia e que se realizava no Hospital Pulido Valente.

“Centros como o nosso são importantes no estabelecimento e confirmação do diagnóstico da hipertensão pulmonar", explica Nuno Lousada, coordenador da Consulta de Hipertensão Pulmonar. Para tal, refere o médico, são utilizados "exames não invasivos e invasivos, como o cateterismo cardíaco direito, que deve ser feito por equipas que tenham experiência no assunto, para classificar corretamente os doentes”.



Experiência com medicamentos e no acompanhamento dos doentes

Há uns anos, os doentes com hipertensão pulmonar (HTP) tinham uma mortalidade muito elevada. Mais recentemente, tem-se desenvolvido um novo grupo de medicamentos que tem permitido uma redução não só da mortalidade como também da morbilidade.

Em entrevista à Just News, publicada na revista Coração e Vasos, o cardiologista refere que, “como os medicamentos usados no tratamento da HTP são onerosos, também por isso é importante que as equipas tenham experiência no seu uso, tal como no acompanhamento destes doentes”.


Nuno Lousada

O especialista, que fez todo o seu percurso como cardiologista no HPV, atualmente integrado no CHULN, ressalva, no entanto, que isto não invalida que os doentes não possam ter um acompanhamento geral na sua área de residência, "embora precisem de ir ao centro de referência de um modo periódico, para um acompanhamento mais especializado, sobretudo aos grupos I e IV".

O médico recorda que na HTP existem cinco grupos de doentes:
- os que têm hipertensão HAP, situação relativamente rara, onde se incluem as formas idiopáticas, familiares, associadas a toxinas, a doenças do tecido conjuntivo, cardiopatias congénitas, infeção por VIH, entre outras (Grupo I);
- aqueles em que a HTP decorre da patologia do coração esquerdo (Grupo II);
- os que têm uma patologia associada a doenças respiratórias (Grupo III);
- aqueles em que a HTP deriva do tromboembolismo pulmonar crónico (Grupo IV);
- e os casos em que a causa da HTP é multifatorial e desconhecida (Grupo V).

Neste momento, o Centro tem aproximadamente 200 doentes a fazer terapêuticas específicas, que pertencem sobretudo aos grupos II e IV.

E segue também cerca de 200 que muitas vezes têm alta, mas que estão a ser estudados ou que são acompanhados preventivamente, para avaliar se desenvolvem HTP, nomeadamente aqueles que sofrem de doenças reumatológicas. Existem depois alguns doentes com HTP, com doenças cardíacas e pulmonares, que, não fazendo terapêutica específica, também são acompanhados.

De destacar que o Centro oferece a possibilidade de fazer o acompanhamento dos doentes em urgência.


Parte da equipa do Centro de Tratamento de HPA do CHULN

Tratamento da HTP é assegurado por uma equipa multidisciplinar dedicada

Além dos cardiologistas e pneumologistas, a equipa envolve fisiatras, psiquiatras, reumatologistas e outros profissionais de saúde não médicos, nomeadamente, assistente social, enfermeiros, farmacêutico, fisioterapeutas, psicólogo, técnicos que efetuam exames complementares de diagnóstico diferenciados e administrativos.

Nuno Lousada faz questão de destacar o papel fundamental da enfermagem, que assume particular importância no conjunto de doentes que usam prostanoides, uma terapêutica que exige especialização por parte de quem a administra.



Salienta também o apoio da Psicologia, da Psiquiatria e da Fisiatria, pela importância que a reabilitação assume nestes doentes, tal como da Reumatologia, porque muitas vezes surge em pessoas que sofrem de doenças reumáticas, como a artrite reumatoide. O farmacêutico também tem um papel importante, sobretudo porque estes doentes usam fármacos muito onerosos.

No futuro, o coordenador do Centro gostaria que existisse uma sala própria para os exames invasivos. Neste momento, há, aliás, um projeto totalmente definido pelo diretor do Serviço de Cardiologia, Fausto Pinto, para a área da hemodinâmica.

O médico espera ainda que “seja possível desenvolver mais a área da reabilitação e fisioterapia” e que “o Centro consiga sempre acompanhar os novos fármacos que vão surgindo”. Por outro lado, e no que respeita à investigação, ambiciona que seja possível que o Centro participe em estudos sobre novos fármacos e técnicas.


Hospital Pulido Valente

Alguns doentes beneficiam de angioplastia pulmonar

No Centro de Tratamento de HAP do CHULN apenas os casos que necessitam de tromboendarterectomia pulmonar cirúrgica, que pertencem ao conjunto de doentes com HTP tromboembólica crónica (grupo IV), são referenciados para um dos principais centros europeus, em Inglaterra.

“Recomenda-se que exista um centro cirúrgico para 40 milhões de habitantes. Ora, Portugal tem 10 milhões, portanto, devemos ter ligação com os centros europeus mais importantes, por não existir um número elevado de doentes para fazer essa cirurgia, sendo difícil que o cirurgião esteja corretamente treinado”, menciona, referindo que já foram submetidos a este tipo de cirurgia entre 30 a 40 doentes. Dentro deste grupo, há situações em que a cirurgia não resolve o problema na totalidade.

Nestes casos, tem vindo a ser desenvolvida, com o apoio dos especialistas que se dedicam à cardiologia de intervenção, uma nova técnica – a angioplastia pulmonar –, onde também tem havido bons resultados e com grande melhoria da qualidade de vida dos doentes. Nuno Lousada explica em que circunstâncias é utilizada:

“As lesões trombóticas podem ser nas grandes artérias, nas médias (segmentares), ou nas mais periféricas. Nas mais centrais, a cirurgia é muito importante. Nas médias pode haver intervenção cirúrgica, mas a angioplastia também pode ajudar. Quando é só um tromboembolismo periférico, usa-se terapêutica médica, como se faz com os outros tipos de doenças de HTP.”



A reportagem pode ser lida na revista Coração e Vasos de janeiro 2020.

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