Escola Nacional de Saúde Pública já tem Associação de Estudantes

"Este é um momento histórico", afirma Leandro Luís, presidente da Direção da Associação de Estudantes da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Universidade NOVA de Lisboa. Criada muito recentemente, trata-se da primeira vez que a ENSP conta com uma Associação de Estudantes.

Em declarações à Just News, salienta que "esta é a implementação de um projeto abordado ao longo de vários anos, mas nunca concretizado, em grande parte devido às características da oferta formativa existente ser muito diversificada e atrair diversas áreas profissionais".

Leandro Luís, coordenador da Comissão Local de Informatização Clínica do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, recorda que "a própria ENSP-NOVA foi o ninho de várias associações profissionais, que cresceram a partir desta, mas sempre após a conclusão dos estudos na ENSP-NOVA pelos antigos estudantes ou através dos seus professores."



De acordo com o responsável, licenciado em Enfermagem, "a existência de uma entidade que permita aproveitar as características do corpo de estudantes que a ENSP-NOVA tem, valorizando as suas características e competências académicas e profissionais, criando uma dinâmica de valorização do seu talento, foi considerada uma necessidade para a evolução da ENSP-NOVA".

Um projeto que, "desde o início", conta com o apoio e envolvimento do diretor da ENSP, João Pereira, "com quem partilhamos a mesma visão", refere Leandro Luís, que passa pela "valorização dos estudantes como o ativo mais valioso da Escola, contribuindo para uma gestão da Saúde cada vez mais humana, analítica e baseada em evidência científica."


O diretor da ENSP com alguns dos elementos da então Comissão Instaladora da Associação de Estudantes: Margarida Bandarra, Leandro Luís, João Pereira, Luíza Alba Freitas, Daniela Carvalho, Maria Luísa Teixeira e Nuno Simões

Os primeiros corpos sociais da Associação tomaram posse a 15 de março. Contudo, o trabalho de preparação começou há vários meses. Depois de oficializarem a AEENSP no cartório em novembro do ano passado, os sócios fundadores criaram uma Comissão Instaladora, que organizou um processo eleitoral.

"A diversidade é uma grande virtude para a AEENSP-NOVA"

Leandro Luís recorda que a ENSP-NOVA oferece cursos pós-graduados, "o que leva a que a maioria dos seus estudantes sejam também profissionais a exercer funções em diversas áreas de atividade, por norma relacionadas com a Saúde".

Desta forma, "a diversidade de origens formativas dos estudantes apresenta-se como um grande desafio, mas também uma grande virtude para a AEENSP-NOVA". Observando as licenciaturas de origem dos elementos da AEENSP-NOVA, verificam-se desde licenciados em Ciências Biomédicas, Ciências Farmacêuticas, Enfermagem ou Medicina.

Por outro lado, "em alguns casos, a formação adicional é particularmente relevante". Há elementos que são também antigos alunos, "tendo já realizado cursos como a Especialização em Administração Hospitalar, a Especialização em Saúde Pública, a Especialização em Medicina do Trabalho ou ainda o Mestrado de Gestão em Saúde".

Para Leandro Luís não há qualquer dúvida quanto ao "valor que cada elemento acrescenta à Associação, na medida em que detem um skill-mix diferenciado, em termos académicos e profissionais."



Equipas multidisciplinares: diferentes visões para o mesmo problema

Leandro Luís foi um dos participantes do XLIII Curso de Especialização em Administração Hospitalar, onde teve a oportunidade de "trabalhar em equipas multidisciplinares, que reuniam arquitetos, economistas, gestores de empresas, enfermeiros, juristas, médicos, farmacêuticos e engenheiros."

Na sua opinião, "o maior desafio nestas equipas relaciona-se com a liderança dos processos, o que numa fase inicial não se revela fácil devido às características de cada profissão e à visão que cada um tem do mesmo problema". No entanto, sublinha, a utilização de mecanismos de liderança situacional, permitindo a cada estudante liderar a sua área de conhecimento e contribuir para um produto comum, leva ao sucesso das atividades desenvolvidas."

E acrescenta: "Na Andragogia, ou educação de adultos, o fator preponderante para o sucesso é o aproveitamento da experiência de cada um, otimizando o seu talento para a resposta aos problemas existentes. A criação de dinâmicas de equipas multidisciplinares é desta forma um meio de criar profissionais mais dinâmicos, criativos, atentos e resolutivos."



"Uma mais valia única para garantir um crescimento robusto"

Este foco nas potencialidades da diversidade é, aliás, transversal a toda a equipa da Associação. É o caso de Miguel Cabral e Margarida Bandarra, vogais da Direção.

Para o médico interno de Saúde Pública da USP António Luz (ACES da Amadora), "a ENSP apresenta várias características muito próprias. O facto de ser uma instituição de ensino exclusivamente pós-graduado obriga a que os seus estudantes tenham não só uma formação muito diversa, mas também, e muitas vezes, uma diversidade de experiência e percurso profissional riquíssima."

"Esperamos poder continuar a contar com o envolvimento de estudantes dos vários cursos da ENSP, até porque isso será uma mais valia única para garantir um crescimento robusto e produtivo da AEENSP e da própria ENSP, que certamente também ganhará com o trabalho da AE.", refere Miguel Cabral.



"Catalisador de ideias e projetos"


"Já lá vai o tempo em que a formação de base ditava a profissão de uma vida", afirma Margarida Bandarra, gestora da Unidade de Ensaios Clínicos do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, que recorda a sua própria situação:

"De farmacêutica a marketer e de marketer a gestora. Pelo meio uma necessidade comum: sair da zona de conforto, aprender com os outros e compreender melhor outras realidades.  E nada melhor para isso do que as Organizações de Saúde com a sua tão conhecida complexidade."

Para Margarida Bandarra, "o sentimento de que fazemos parte de um meio de cultura muito diversificado que pode funcionar como um catalisador de ideias e projetos para uma ainda maior aproximação dos estudantes à ENSP-NOVA e vice-versa é inspirador e contagiante."

E deixa o convite: "Todos são bem-vindos. Todos os que têm vontade de aprender, ajudar na fertilização de ideias, contribuir com novos projetos, aceitarem desafiar e serem desafiados e não menos importante partilhar bons momentos de reflexão e desenvolver novos laços de amizade."


A tomada de posse dos primeiros órgãos sociais da AEENSP realizou-se a 15 de março, com a presença de grande parte dos elementos

Também Carlos Palos, presidente da Mesa de Assembleia Geral e especialista de Medicina Interna, partilha do mesmo entusiasmo quanto ao potencial da Associação de Estudantes.

Na sua opinião, "poderá contribuir para um maior envolvimento dos médicos em assuntos relacionados com a saúde pública nas suas várias vertentes do conhecimento, desde as ocorrências de saúde pública e seus determinantes, políticas e educação para a saúde, áreas comuns a todas as áreas da medicina e nas quais existem lacunas no que respeita à realidade portuguesa".

Para o responsável pelo Grupo de Coordenação Local do Programa de Prevenção, Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos do Hospital Beatriz Ângelo, "a aproximação pretendida a Associações externas à ENSP-NOVA permitirá valorizar os estudantes, mas também captar mais a atenção dos médicos para esta temática e a sua importância na prática clínica".

"Associativismo estudantil é menos ativo do que nas Faculdades"

Naturalmente que a Just News não podia deixar de questionar o diretor da ENSP sobre a criação desta nova valência da Escola. Dado o seu envolvimento direto e apoio em todo o processo, não será de admirar que manifeste "muito optimismo e orgulho".

O responsável recorda que tem procurado "estimular a participação dos estudantes na vida da Escola e da Universidade, para além da sua participação individual nos cursos" e destaca uma das particularidades da Escola que dirige:

"Somos uma Escola de pós-graduação, e como tal o associativismo estudantil é menos ativo do que nas Faculdades. Tive a sorte de encontrar um grupo de estudantes muito motivado para estas questões e fico extremamente contente de terem concretizado a criação da Associação."

Um desafio que está a ser superado e que é também destacado por Margarida Bandarra: "Pela duração e estrutura curricular da formação pós-graduada, é deveras mais desafiante conseguir a envolvência e compromisso dos estudantes para com uma estrutura associativa; basta pensarmos que estamos a falar de um tempo de permanência na ENSP, que em alguns casos, pode ser apenas de dois anos."


João Pereira

João Pereira confirma que, "muito embora noutras épocas a participação dos alunos tenha conhecido alguns momentos de grande impacto, como na segunda metade da década de 1970, quando a Escola se tornou uma instituição autónoma, esta é a primeira vez que a Escola tem uma Associação de Estudantes".

O responsável faz questão de esclarecer que, tendo presidido ao primeiro Conselho Pedagógico da Escola a partir de 1999, a participação dos alunos "tem sido sempre muito forte ao longo dos anos". E acrescenta: "Tenho a certeza que a criação da AEENSP-NOVA contribuirá fortemente para fazermos ainda mais e melhor no futuro."


"Um verdadeiro laboratório de ideias para o SNS"

"A ENSP recebe anualmente perto de 200 novos estudantes para cursos de doutoramento, mestrado e especialização", salienta João Pereira, participando ainda em ações de formação de curta duração "várias centenas de alunos". O perfil destes estudantes é, como já se viu, muito diversificado, "com formações de base que vão desde a medicina à economia, da enfermagem ao direito, das ciências farmacêuticas à psicologia, e das tecnologias da saúde (cardiopneumologia, nutrição, fisioterapia e outras) à gestão."

A ENSP recebe também "cada vez mais alunos de outros países, atualmente perto de uma centena, com representação de quase 30 países e cobrindo os cinco continentes".

Este panorama leva João Pereira a destacar igualmente a "riqueza da diversidade formativa dos nossos alunos", fator que contribui para um trabalho desenvolvido noutros planos, nomeadamente, "na investigação, consultoria e serviços à comunidade, e que tornam a Escola num verdadeiro laboratório de ideias para o Serviço Nacional de Saúde".



Maior ligação entre atuais e antigos alunos

A criação da Associação de Estudantes surge precisamente numa altura em que a ENSP está a procurar "estreitar e reforçar relações com os seus antigos alunos", procurando constituir a Associação de Antigos Alunos da Escola Nacional de Saúde Pública.

João Pereira confirma que "efetivamente, essa é uma das nossas ambições" e que "em breve será constituída a Associação de Antigos Alunos da Escola Nacional de Saúde Pública (AAA_ENSP)". O objetivo é muito claro:

"Fomentar as relações entre os antigos alunos, e entre estes e a Escola, promovendo o contacto social e profissional, através de eventos de carácter sócio-cultural e científico e facilitando e estimulando o reforço do prestígio dos antigos alunos e da Escola que os formou."

De acordo com o diretor da ENSP, muitos dos antigos estudantes "ocupam ou ocuparam lugares de destaque no sistema de saúde". Apesar de considerar que sempre foram mantidas "fortes ligações aos nossos alunos", acredita que é possível promover "ainda uma maior aproximação para potenciar ideias e projetos inovadores na área da saúde pública e gestão em saúde. E, naturalmente, espero que encontre na recém-criada Associação de Estudantes um parceiro privilegiado para estes fins."


Sócios fundadores da AEENSP no momento da escritura: À frente - Daniela Carvalho, Maria Luísa Teixeira, (notária) e Margarida Bandarra
Atrás - Jorge Barroso Dias, Miguel Cabral, Carlos Palos, Nuno Simões e Leandro Luís (ausente na foto: Luíza Alba Freitas)

Leandro Luís está igualmente confiante que "a AEENSP-NOVA permitirá a construção de uma rede interna, que inclui estudantes de diferentes áreas formativas da ENSP-NOVA, o que permite a criação de relações entre os estudantes atuais, mas que, em muitas situações, são também antigos estudantes".

Na sua opinião, estas ligações "sairão reforçadas com a criação da Associação de Antigos Alunos, na medida em que estes poderão vir a contribuir para ambas as Associações, estabelecendo uma relação visceral entre ambas".

Entretanto, adianta que em breve "será apresentado um calendário de eventos que vamos promover".

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