Doentes respiratórios e Covid-19: «guia de atuação clínica para os cuidados primários»

“Os corticosteroides orais podem e devem continuar a ser utilizados nas doenças respiratórias, como asma e DPOC, sempre que necessário, seguindo as recomendações das guidelines prévias à pandemia da COVID-19.”

A mensagem consta de um conjunto de recomendações do Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias (GRESP) da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. Cláudia Vicente, médica de família e membro deste grupo de trabalho, explica que estas diretivas foram elaboradas tendo como base os dados partilhados pela Global Initiative for Asthma (GINA) e pela Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD).

Em declarações à Just News, refere que era crucial este esclarecimento, já que inclusive “na comunidade médica têm surgido várias dúvidas quanto à utilização de corticosteroides orais devido ao seu mecanismo de ação imunossupressor”. Contudo, sublinha:

“A posição da GINA e GOLD é que a sua utilização nas agudizações deve continuar a ser feita segundo as normas e recomendações atuais e, caso haja perda ou diminuição de controlo da asma ou da DPOC, o ajuste terapêutico deve ser efetuado de acordo com o estipulado anteriormente à pandemia atual.”

Uma posição que, salienta, é partilhada pelo GRESP, bem como por outras associações de médicos para os cuidados de saúde primários, como a Primary Care Respiratory Society, a American Academy of Allergy & Asthma Imunology ou a COPD Foudation.


Cláudia Vicente

"Guia de atuação clínica" apoia na referenciação hospitalar

A par deste breve conjunto de recomendações sobre asma e DPOC, o GRESP publicou um documento, mais elaborado, intitulado "Critérios clínicos e de referenciação hospitalar em doentes com patologia respiratória crónica e com provável infeção por SARS-Cov-2".

Publicado originalmente pela Sociedad Espanola de Medicina de Familia y Comunitaria, pretende "servir de guia de atuação clínica perante casos prováveis de Covid-19 em cuidados de saúde primários". 

E, no momento atual, a denominada fase de mitigação, os cuidados de saúde primários assumem precisamente uma particular relevância, como é indicado no próprio documento:

"As principais portas de entrada para os casos prováveis de COVID-19 são as unidades de saúde familiar (USF), unidades de cuidados personalizados de saúde (UCSP) e Unidades de Cuidados da Comunidade, através das Equipas de Cuidados Continuados Integrados e Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos."



Cláudia Vicente faz ainda questão de sublinhar que  “as infeções víricas, tal como a doença Covid-19, são um importante fator de perda de controlo ou de agudização da asma e da DPOC". Por esse motivo, reforça a "mensagem crucial" de que estes doentes devem manter a sua medicação de controlo habitual, "não devendo interromper os corticosteroides inalados habitualmente prescritos e o restante tratamento”.

Os doentes com comorbilidades associadas, tais como a rinite na asma ou a síndrome de apneia obstrutiva do sono e/ou outras doenças cardiovasculares na DPOC, "devem igualmente cumprir os tratamentos para estas patologias, no sentido de as manter igualmente equilibradas e controladas”.


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