Doentes politraumatizados na Urgência: «A formação em trauma devia ser obrigatória nos cursos de Medicina»

Para Ana Oliveira, cirurgiã do Centro Hospitalar Tondela Viseu (CHTV), não há qualquer dúvida: “A formação em trauma devia ser obrigatória nos cursos de Medicina.”

A médica falou à Just News da “necessidade de se saber estabelecer prioridades no doente com trauma” na sequência do 26.º Curso ATLS – Advanced Trauma Life Support for Doctors em Viseu, que decorreu nos dias 29 e 30 de novembro.



“Na formação base de um médico, ou seja, no curso de 6 anos, não está nada contemplado na área do trauma, mas é uma lacuna grave”, enfatiza Ana Oliveira. E explica porquê:

“Quem trabalha na Urgência recebe muitos doentes politraumatizados, e em estado grave, e precisa de ter noção das prioridades de abordagem, para estabilizar o problema que ameaça, no imediato, a vida da pessoa.”


Ana Oliveira

Exemplificando, a cirurgiã esclarece que “o doente com mais sangue não tem de ser o mais grave e, nas situações em que há várias lesões, a que precisa de ser estabilizada primeiramente nem sempre é a mais visível”.

A médica lamenta que não haja formação pré-graduada nesta área, quer em Portugal como no mundo, o que pode por em causa a vida de quem entra num hospital. “Como não tive formação, é normal que acabe por tratar primeiro a zona onde se vê mais sangue. Mas o problema que pode causar a morte mais no imediato pode estar no tórax…”



Desta forma, a responsável destaca a importância dos Cursos ATLS, considerando mesmo que “esta formação não é para o médico, mas para salvar a vida do doente”. E garante: “Na Urgência, se houver médicos com formação em trauma, a probabilidade de a vítima de trauma ver as suas lesões diagnosticadas e tratadas atempadamente é muito maior do que se ninguém tiver esse conhecimento.”


Formadores, coordenadores e formandos

Programa igual no mundo inteiro

Ana Oliveira é uma das formadoras de ATLS em Portugal, tendo sido responsável pelo curso que decorreu no CHTV. “Em Portugal já fizemos 270 cursos, sendo este o 26.º em Viseu. O programa é igual em todo o mundo e destina-se a médicos civis e militares que lidam com doentes com trauma, sobretudo para quem se encontre em locais isolados.”

O curso foi criado em 1978, nos EUA, após um ortopedista ter tido um acidente de viação. “Ele percebeu que os filhos não estavam a ter a abordagem mais adequada e foi assim que se percebeu que se devia pensar em dar formação aos médicos para saberem como melhorar a qualidade da abordagem inicial do doente politraumatizado.”



O ATLS é realizado em mais de 47 países dos diferentes continentes e o programa formativo é igual em qualquer parte do mundo, seguindo os padrões estabelecidos internacionalmente pela American College of Surgeons.  Existe em Portugal desde 1999, sob a orientação da Sociedade Portuguesa de Cirurgia (SPC).

Além desta formação para médicos, também foi criado o programa ATCN – Advanced Trauma Care for Nurses.


Ana Oliveira com os formadores e coordenadores do curso: Hélder Patrício (enfermeiro), Liliana Duarte e Inês Barros (médicas), Tiago Clamote (enfermeiro), Fernando Valério e Luís Filipe Pinheiro (médicos) e Luís Júnior (enfermeiro). Ausente na foto: Luís Machado Rodrigues (médico).


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