Ajudar pessoas com demências: «robô terapêutico» é mais uma ferramenta

Amália é o nome do "robô terapêutico que estimula pessoas com demência" que vai estar em destaque, em fevereiro, no Congresso Internacional de Demências, organizado pela Unidade de Gerontopsiquiatria e Reabilitação Cognitiva da Casa de Saúde da Idanha.

“É um complemento à intervenção técnica no âmbito da promoção do bem-estar e da qualidade de vida de quem sofre de demência”, explica Carla Pombo, enfermeira chefe daquela Unidade.

Recolha de fundos

A também presidente da Comissão Organizadora do Congresso Internacional de Demências falou à Just News deste robô terapêutico, que vai estar disponível a partir de fevereiro. Para a sua aquisição e para a formação dos profissionais em roboterapia foi lançada uma campanha de crowdfunding que, no início deste mês, conseguiu reunir o valor pretendido - 4869€, ou seja, 80% do objetivo para o projeto Amália.

Uma ajuda conseguida em pouco mais de um mês e que é um "complemento terapêutico extraordinário à nossa intervenção".


Equipa da Unidade de Gerontopsiquiatria

Segundo a enfermeira, o robô, em forma de foca, é dotado de inteligência artificial, reagindo a estímulos positivos e negativos e respondendo pelo próprio nome. “O objetivo é diminuir os níveis de ansiedade, principalmente no final da tarde, e promover a comunicação nas fases intermédia e avançada da doença”, menciona.

E acrescenta: “Nem todos os utentes vão necessitar desta ajuda e será sempre um complemento às restantes intervenções.”

O facto de ser uma foca e não outro animal justifica-se por ser um estímulo neutro para as pessoas com demência. “Há quem tenha medo, alergia ou más experiências com gatos e cães, o que não iria trazer mais-valias no tratamento”, afirma.



Carla Pombo refere que o Amália foi apresentado aos utentes da Unidade, que se mostraram muito entusiasmados com a ideia. “Foram eles que escolheram o nome, em homenagem a Amália Rodrigues”, revela.

Em suma, a enfermeira explica que o robô terapêutico contribui para melhorar o desempenho social, emocional e cognitivo das pessoas com demência, tendo capacidade para expressar emoções, emitir sons reais, abrir e fechar os olhos, mover a cabeça e as barbatanas, reagir ao toque, ao som e à luz.

O seu criador foi Takanori Shibata, que é investigador sénior no Human Informatics Research Institute – National Institute of Advanced Industrial Science and Technology, em Tóquio, é uma das presenças no Congresso Internacional de Demências.



Apostar na técnica e no humanismo

O Amália vai ser, assim, mais uma técnica disponível para os profissionais, a juntar a muitas outras da Unidade de Gerontopsiquiatria e Reabilitação Cognitiva da Casa de Saúde da Idanha, uma unidade que integra o Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus.
 
Tendo sido fundada em 2005, a Unidade tem vaga para 26 utentes, que recebem apoio de um psiquiatra, de um médico de Medicina Interna, de 10 enfermeiros, de 10 assistentes operacionais, de um neuropsicólogo, de uma assistente social e de técnicos de Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Terapia da Fala e Psicomotricidade.

“Os doentes têm um plano individual de tratamento que é estruturado e reavaliado semanalmente por uma equipa multidisciplinar”, observa Carla Pombo.



A Unidade que se localiza no Piso 4 tem à disposição uma Sala Terapêutica Multifunções e um Ginásio Cerebral Sénior, onde se trabalha a reabilitação e a estimulação cognitiva. Mas os doentes também têm à disposição serviços partilhados, como a Fisioterapia, a sala de Snoezelen e os ateliês de atividades ocupacionais.



Programas educativos para os cuidadores

Para Carla Pombo, o grande segredo do sucesso que têm tido desde 2005 está nas técnicas utilizadas, mas, sobretudo, na componente humana: “O mais importante é proporcionar bem-estar e qualidade de vida, daí que também apostemos em programas educativos para os cuidadores saberem como lidar com a doença do seu familiar e para que não haja retrocessos após o internamento.”

A Unidade tem uma média de internamento de 3 meses, tendo também a possibilidade de aceitar utentes para descanso do cuidador ou por ausência temporária do mesmo.



O que também diferencia esta Unidade, segundo Carla Pombo, é a aposta na estimulação/reabilitação nas atividades básicas e instrumentais de vida diária. Estas atividades são trabalhadas no âmbito de um programa de intervenção da responsabilidade dos enfermeiros.

Psicogerontologia: “uma prioridade nacional”

Pedro Varandas, diretor clínico da Casa de Saúde da Idanha, é o presidente da Comissão Científica do Congresso Internacional de Demências. É com orgulho que vê a realização deste evento, que se deve, como sublinhou, “a profissionais muito empenhados, que têm conseguido, ao longo destes anos, adquirir conhecimentos e experiência sustentados na evidência científica”.



O psiquiatra espera que o evento possa ser uma forma de mostrar o que de melhor se faz na área da demência na Casa de Saúde da Idanha, mas não só. “Estes encontros são fundamentais para se partilhar experiências, para que todos possamos melhorar no que fazemos, para o bem de uma população que está a envelhecer cada vez mais.”

Para Pedro Varandas, o País precisa de ver na Psicogerontologia “uma prioridade nacional”, já que o aumento das demências surge associado ao envelhecimento. No seu entender, seria importante ver o que já se faz em Portugal e apostar na criação de um Plano Nacional de Demências. “Seria uma forma de se conseguir otimizar a prestação de cuidados nesta área, permitindo uma maior articulação entre as várias instituições”, diz.



O Congresso Internacional de Demências vai ter lugar na Casa de Saúde da Idanha, em Belas, reunindo especialistas nacionais e internacionais. Vai permitir o debate sobre os cuidados paliativos na demência, as características dos cuidados a prestar a pessoas com demência e as novas abordagens de terapias não farmacológicas na pessoa com demência, entre outros temas.

O objetivo é que o Congresso "seja um fórum de atualização e reflexão sobre os principais temas no âmbito da Gerontopsiquiatria ao nível da clínica e terapêutica, bem como o aprofundamento das questões relativas aos cuidados e boas práticas".

A propósito do tema central do evento, Carla Pombo e Pedro Varandas sublinham que desde há longos anos a Casa de Saúde da Idanha "tem desenvolvido com sucesso cuidados a pessoas com demência em Unidades de Internamento (curta, média e longa duração) e em consulta externa".

Contactos:
Casa de Saúde da Idanha - Irmãs Hospitaleiras
Telf.: [+351] 214 339 400 | TLM [+351] 961 883 511

Email: csi@irmashospitaleiras.pt 
Email secretariado: u14.csi@irmashospitaleiras.pt 

A inscrição e a submissão de resumos para pósteres e comunicações livres pode ser efetuada aqui.


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