Cuidados Intensivos: Santa Maria inaugura nova Unidade Estrutural de Intervenção Crítica

O Hospital de Santa Maria (CHULN) inaugurou na última sexta-feira uma nova Unidade Estrutural de Intervenção Crítica (UNEIC), de 14 camas, que se somam às anteriores 11. Esta instituição passa a ter uma das maiores unidades de cuidados intensivos do país, com 25 camas exclusivamente de nível III.



Numa cerimónia de inauguração que contou com a presença da ministra da Saúde, Marta Temido, João Miguel Ribeiro, diretor do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital de Santa Maria (CHU Lisboa Norte), enquanto apresentava o novo espaço, destacou “o concretizar deste acréscimo de capacitação notável, que procurou aliar um conceito de inovação tecnológica com a comodidade do serviço prestado”.

Nesta vertente, distingue-se a existência de televisões individuais dirigidas a cada um dos doentes, bem como a disponibilização de tablets e a possibilidade de terem consigo os seus próprios meios tecnológicos.


João Miguel Ribeiro

Como o diretor do Serviço elucidou, “existem longos períodos de internamento em que os doentes não estão sedados nem ventilados”, pelo que se pretendeu “investir numa lógica de qualificação do tipo de cuidados prestados, em termos de personalização, assim como numa lógica de salvaguarda da privacidade de todos, com a existência de boxes que podem ser individualizadas, mantendo o acesso permanente dos profissionais de saúde”.



Com duas das 14 camas em quartos isolados, com a possibilidade de terem pressão positiva ou negativa, “estes espaços oferecem um espectro de resposta a todas as situações e os dados recolhidos estão constantemente a ser transferidos para as bancadas centrais de monitorização”. Esta nova unidade deverá reunir em permanência entre 10 a 12 médicos e 10 enfermeiros.

Daniel Ferro, presidente do Conselho de Administração (CA) do CHULN, realçou a “capacidade de reforço estrutural dos cuidados críticos, viabilizando a prestação de um melhor serviço e o fortalecimento da região e do SNS”.


Daniel Ferro

Tendo a Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente sido equipada, em 2002, com 11 camas, só em 2015 foi ampliada para 30 camas, a que acrescem agora 14. Somam-se ainda 67 camas de intensivos especializados, registando-se assim capacidade para serem recebidos 111 doentes nos cuidados intensivos.



Esta capacitação dependeu do esforço financeiro de aproximadamente 3,5 milhões de euros, obtido através do apoio conjunto do Ministério da Saúde, da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, da Administração Central do Sistema de Saúde, da Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva e da Câmara Municipal de Lisboa. Associaram-se ainda vários doadores da sociedade civil, entre eles Cristiano Ronaldo, Jorge Mendes e a Fundação Oriente, na pessoa de Carlos Monjardino.



Recordando que, desde março de 2020, a Medicina Intensiva, em articulação com vários outros serviços, assistiu mais de 500 doentes em UCI Covid-19, 10% com recurso a ECMO (oxigenação por membrana extracorporal), o presidente do CA ressaltou que foi alcançada uma taxa de sobrevivência de 80%. E não deixou de lembrar que “a pandemia não originou apenas coisas menos boas, mas gerou também oportunidades, como a que assinalamos”.

Após visitar a nova UNEIC, Marta Temido, ministra da Saúde, referiu que “há um ano, consciencializámo-nos da necessidade de reforço da resposta em CI, e esta ampliação vem oferecer mais segurança aos doentes, que sabem que podem contar com uma estrutura de saúde com capacidade de responder a qualquer necessidade”.



Quanto ao futuro, a ministra da Saúde frisou que “é momento de prosseguirmos e pensarmos nas várias infraestruturas que ainda precisamos de remodelar, nos equipamentos que precisamos de instalar e nos profissionais que precisamos de formar”.

Considerando que hoje a Medicina Intensiva “é muito mais do que o limite de quatro paredes – é uma especialidade que tem intervenção em várias áreas hospitalares”, no seu entender, “é necessário despertar a comunidade hospitalar para esta prática e levar este conceito à sociedade”.



Como forma de reconhecimento pelo trabalho realizado, Marta Temido atribuiu uma medalha de ouro do Ministério da Saúde à Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a covid-19, presidida e ali representada por João Gouveia, intensivista do CHULN. “A Comissão teve a capacidade de nos apoiar naquilo que era, simultaneamente, a resposta às necessidades assistenciais dos doentes, e o planeamento de uma oferta reforçada nesta área de atividade”, refere.

Marta Temido terminou o seu discurso na Aula Magna da FMUL desafiando os profissionais de saúde a “não perderem a visão estratégica e a olharem para o futuro, procurando construir cidades mais saudáveis, mais resilientes e mais coesas, socialmente mais justas, porque os determinantes sociais da saúde são essenciais para a qualidade de vida e para o estado de saúde das pessoas”.


Marta Temido

A ministra da Saúde deixou ainda uma palavra especial à Academia, definindo-a como “o esteio daquilo que é o caminho que precisamos de continuar a percorrer para prestarmos bons cuidados de saúde e para oferecermos respostas adequadas à produção das exigências de um país moderno e coeso”.

Não pôde deixar de pedir que “o SNS não perca o ânimo e a capacidade de acreditar em si, que conquistou ao longo destes últimos difíceis 15 meses, enquanto serviço público em que os portugueses confiam”.



Presidente do Centro Académico de Medicina de Lisboa, Fausto Pinto caracterizou esta expansão como “um contributo importante para o Centro Académico”, lembrando que “vivemos num mundo altamente competitivo e desafiante, que não se compadece com hesitações, nem com falta de visão estratégica e de coragem”.


Fausto Pinto

Na sua opinião, “será a capacidade que tivermos de manter e cultivar um espírito inovador, através das melhores metodologias e práticas modernas, que ditará o sucesso ou insucesso de uma instituição como um centro académico médico – que alia ensino, investigação e atividade assistencial − e, por conseguinte, o avanço da Medicina em Portugal”.


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