Consulta de reconciliação terapêutica já observou mais de 160 utentes sem médico de família
A ULS Almada-Seixal (ULSAS) tem a funcionar, desde março de 2025, uma consulta de reconciliação terapêutica nos cuidados de saúde primários, dirigida a utentes sem médico de família, com o objetivo de "identificar problemas relacionados com medicação, otimizar regimes terapêuticos, aumentar a segurança e reduzir gastos em saúde".
De acordo com a unidade, desde o início do projeto foram já observados mais de 160 doentes em 217 consultas farmacêuticas, num total de cerca de 600 intervenções farmacêuticas.

UCSP Amora: Catarina Diogo (Residente Farmacêutica)/ Helena Duarte (Farmacêutica) / Ricardo Silva (MGF) / Ana Margarida Simões (Farmacêutica) / Maria Lourenço (Residente Farmacêutica) / Patrícia Ribeiro ( Residente Farmacêutica)
UCSP Amora e UCSP Almada
Lembrando que esta consulta de revisão e reconciliação da medicação, orientada por farmacêuticos hospitalares em abordagem multidisciplinar, "é pioneira em Portugal", a ULSAS esclarece que esta valência começou a ser implementada na unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) Amora, tendo sido alargada, em novembro de 2025, à UCSP Almada.
Esta consulta distingue-se das demais existentes no País por "se destinar a utentes sem médico de família, à partida, mais vulneráveis". Por outro lado, no modelo instituído na ULSAS, "o utente vê a sua situação resolvida num único contacto, nesta consulta – a articulação com o médico, sempre que o farmacêutico identifica essa necessidade, é feita na hora e o utente não tem de ir a várias consultas".
A equipa é composta por farmacêuticos hospitalares, residentes farmacêuticas, médicos de Medicina Geral e Familiar (MGF) e um gestor hospitalar. A proposta de intervenção farmacêutica (ajustes de dose, suspensão de fármacos ou pedidos de meios complementares de diagnóstico e terapêutica) é discutida, durante a consulta, com o médico de MGF envolvido no projeto.
Esta consulta visa, ainda, promover hábitos de vida saudáveis e encaminhar doentes prioritários para consulta médica, sempre que se justifique.
Segundo a ULS, este modelo de consulta tem demonstrado "eficácia na otimização da terapêutica, com impacto económico, confirmando o valor de uma intervenção farmacêutica estruturada e direcionada aos utentes de maior risco, e reforçando a importância da integração de cuidados, da descentralização de consultas e do trabalho multidisciplinar".
Na avaliação económica realizada aos 6 meses de projeto na UCSP Amora, concluiu-se que a desprescrição decorrente das intervenções resultou numa poupança anual estimada de 14.628,93€, dos quais 7.808,96€ correspondem à comparticipação do Sistema Nacional de Saúde.
UCSP Almada: Sandra Ferro (Coordenadora médica da UCSP Almada) / Rui Gerardo (MGF) / Helena Duarte (Farmacêutica) / Bárbara Resende (Residente Farmacêutica)
O modelo de consulta mereceu duas distinções
A consulta de reconciliação terapêutica nos cuidados de saúde primários da ULSAS mereceu o prémio de 2.º melhor póster na categoria inovação em farmácia hospitalar, na 5ª edição dos Revolution Poster Awards, e foi distinguida durante as XVIII Jornadas de Farmácia Hospitalar, como melhor projeto submetido às DIFH - Divulgar Iniciativas em Farmácia Hospitalar.
O objetivo passa agora por "alargar este modelo de integração de cuidados a outras unidades de cuidados de saúde primários da ULSAS e implementar a consulta farmacêutica de reconciliação terapêutica na transição de cuidados como prática regular".


