Cancro pediátrico com respostas «insuficientes e incipientes» para sobreviventes

A escassez de respostas a crianças e jovens sobreviventes de cancro foi uma das preocupações da diretora-geral da Saúde, que representou o ministro da Saúde no Fórum Cancro Pediátrico 2018. No evento, organizado pela Associação Internacional Lions, a responsável sublinhou que “os programas de acompanhamento de sobreviventes de cancro pediátrico são insuficientes e incipientes”.

Perante os participantes no Fórum, que decorreu na Biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras, Graça Freitas mostrou-se preocupada com as poucas respostas que existem para estas crianças e jovens e seus familiares, que viveram o drama da doença oncológica.

“A existência de programas que deem resposta às necessidades de profilaxia e diagnóstico precoce a complicações tardias decorrentes do tratamento é um direito destes sobreviventes e uma obrigação da nossa sociedade”, realçou.



A diretora-geral da Saúde destacou o papel importante da Consulta dos DUROS (Doentes que Ultrapassaram a Realidade Oncológica com Sucesso) do IPO de Lisboa, para a qual são encaminhados ex-doentes que tiveram uma neoplasia antes dos 15 anos e que terminaram a terapêutica há mais de cinco anos.

Graça Freitas fez ainda questão de relembrar que é essencial dar respostas às famílias que se deparam com o diagnóstico: “É preciso ter em atenção a disrupção social e familiar nestes casos, sobretudo nas famílias de mais baixos recursos e com emprego menos estável, que ainda não veem respostas para todas as necessidades.”

Os problemas que os pais costumam enfrentar foi das temáticas mais abordadas no Fórum, quer por médicos como pelas associações presentes -- a ACREDITAR e a Fundação Osório de Castro --, e por Clara Guterres, do Instituto da Segurança Social. Todos realçaram a necessidade de haver mais respostas, mas também de se informar os pais sobre o que podem fazer perante a doença dos filhos.

Uma das discussões com maior relevo, em termos de direitos, foi precisamente em torno da necessidade de haver mais apoios para os pais das crianças e jovens com cancro, que apenas têm direito a 4 anos, não prorrogáveis, de baixa por assistência a filho menor quando esse período de tempo nem sempre é suficiente para a recuperação da criança e jovem.

A perspetiva dos profissionais de saúde

No Fórum foram ainda apresentadas as experiências do trabalho desenvolvido, nos últimos anos, no IPO de Lisboa e no IPO do Porto. Os diretores dos serviços de Pediatria daqueles dois institutos, Filomena Pereira e Armando Pinto, respetivamente, deram a conhecer os avanços na área da Oncologia Pediátrica e o apoio que é dado atualmente. Ambos concordam que a taxa de sobrevida está a aumentar, estando nos 80%. Contudo, será preciso apostar mais no acompanhamento dos sobreviventes.


Armando Pinto, Filomena Pereira e Carlos Martins

Filomena Pereira frisou ainda a necessidade de se dar mais respostas às crianças dos PALOP, dando o exemplo da Guiné-Bissau, onde a vinda de uma criança com cancro para Portugal ainda depende, muitas vezes, da capacidade económica dos pais.

Armando Pinto, por sua vez, apontou a necessidade de ser criado, no Norte, um único centro de Oncologia Pediátrica e a importância de existirem protocolos uniformizados de tratamento.



Nas questões mais relacionadas com a acessibilidade e a gestão, Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte, apontou a importância dos centros de referência, para a necessidade de existir um registo oncológico pediátrico disponível online e para mais respostas de apoio a pais no interior do País.


Manuel Abecasis

Manuel Abecasis, responsável pela Unidade de Transplantes de Medula do IPO de Lisboa, fez um balanço dos 30 anos de atividade daquela Unidade, recordando que, apesar dos muitos avanços, “não se pode parar, havendo ainda muito a fazer em termos de investigação e de recursos”. 


Maria João e Carlos Nunes

O Fórum do Cancro Pediátrico 2018 foi organizado pela Associação Internacional Lions e teve como responsável o imunoalergologista Carlos Nunes, que é assessor para o Cancro Pediátrico naquela entidade. O médico moderou o debate, juntamente com a jornalista Maria João.


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