Nesta USF, as consultas em simultâneo de médico e enfermeiro «fazem muita diferença»

Na USF Lusitano, as consultas de Saúde Materna, de Planeamento Familiar e de Saúde Infantil são realizadas em simultâneo por médico e enfermeiro e a reação da equipa e dos utentes não podia ser melhor. Esta dinâmica singular, que exigiu uma arquitetura e uma programação informática próprias, veio tornar as consultas mais completas e fluidas.



“Deixámos cair o conceito de espaços dirigidos a determinados programas e concebemos vários gabinetes ombro a ombro, com dois computadores, para serem utilizados pelo médico e pelo enfermeiro de família em simultâneo, no caso das consultas de Planeamento Familiar, de Saúde Materna e de Saúde Infantil”, começa por referir Mariana Cerejo.


Apesar de não conhecerem nenhuma outra unidade com essa estrutura, para as três médicas, “só assim é que fazia sentido trabalhar, porque se o utente tem uma equipa de família essa realidade tem de ser muito evidente, na prática, para ele”. O objetivo foi conseguido porque, quando um dos profissionais, o médico ou o enfermeiro, não está presente, “o utente já pergunta por ele e sabe que, nesse caso, ‘não está tudo perdido’”.


Mariana Cerejo

Paralelamente, “as consultas ombro a ombro fazem muita diferença na vida dos doentes porque trazem diversas vantagens – ao ser visto por dois profissionais, o utente acaba por receber mais atenção; dilui ou evita perguntas repetidas, o que representa uma poupança de tempo; há um reforço da informação, o que é benéfico para o utente e também para a própria dupla, que aprende com a informação transmitida pelo seu par”.


A médica de família não tem dúvidas de que “a consulta fica mais completa e rica com dois profissionais a refletir e a opinar sobre os temas, tornando-se também mais rápida e fluida”. Existem ainda outras vantagens associadas, como seja do ponto de vista legal. Perante a vontade do utente de falar apenas com o médico ou com o enfermeiro sobre um assunto específico, tal também “é possível, sendo a informação transmitida depois ao colega”.

No caso da Consulta de Diabetes, optaram por não a realizar nesses moldes porque, “estrategicamente, é bom para o diabético receber informação repetida”.

Apesar de, hoje em dia, este processo estar bem consolidado a nível informático, no início, houve algumas dificuldades: “Foi preciso fazer adaptações no SClínico CSP e também foi necessário explicar aos parametrizadores do quiosque eletrónico que precisávamos que colocassem a
opção de admissão em consulta médica e de enfermagem em simultâneo para o mesmo utente.”

Mariana Cerejo desconhece a existência de outras unidades a adotar este método, contudo, quando partilha a experiência da Unidade em eventos científicos, adianta que “os colegas reconhecem que esta é uma boa ideia”.



“Esta dinâmica ombro a ombro 
permite rentabilizar tempo e recursos”

Cristina Perguiça, enfermeira do Conselho Técnico desde março deste ano, tem sob a sua responsabilidade, para além da prestação de cuidados de enfermagem a uma lista de utentes, aspetos como a gestão de recursos e a representação da equipa de enfermagem nos processos de contratualização.

Adicionalmente, tem um papel acrescido na equipa de vacinação, tendo sido responsável pelo desenvolvimento do processo de vacinação sazonal contra a gripe e a covid-19. Neste âmbito, a USF Lusitano é considerada um ponto de vacinação BCG, no concelho, o que lhe permite dar resposta a todos os utentes de Arruda dos Vinhos.

Enfermeira especialista em Saúde Infantil e Pediátrica, desde 2010, essa sempre correspondeu à sua “área de eleição em termos pessoais”.


Cristina Perguiça

Sendo a Consulta de Saúde Infantil uma das que são realizadas ombro a ombro, Cristina Perguiça realça a sua “mais-valia, por refletir o trabalho em equipa”. Do seu ponto de vista, “as famílias têm muita confiança na relação terapêutica que é estabelecida com elas e sentem grande proximidade tanto com o médico como com o enfermeiro”.

Na sua opinião, “esta dinâmica ombro a ombro permite rentabilizar muito o tempo relativo ao processo de educação para a saúde, ao evitar a duplicação de informação”.

No fundo, “cada profissional vai desenvolvendo a sua área de intervenção e, quando há um assunto menos bem desenvolvido, o outro complementa a informação, rentabilizando tempo e recursos”.



Cristina Perguiça adianta que, entre as sete enfermeiras da equipa, a sua colega Patrícia Campos ficou responsável pelo arranque do projeto “Cuidador Informal” na USF, que existe a nível nacional desde o final de 2022, visando “apoiar, em termos de saúde, quem cuida da pessoa dependente, seja familiar ou não”. Nesta segunda fase, já cada enfermeiro de família está responsável pelo apoio aos cuidadores das suas respetivas listas de utentes.

Quanto às áreas de especialização, além de si, há três outras colegas especialistas – em Saúde Mental e Psiquiátrica, em Saúde Comunitária e em Saúde Materna e Obstétrica. Por isso, ao longo do tempo, têm sido recebidos na USF alunos da licenciatura e da especialização de enfermagem, assumindo a equipa “um papel importante na formação de novos colegas”.

A Consulta de Desenvolvimento Pediátrico é um dos objetivos


Atualmente, além da carteira básica, são ainda realizadas as consultas de Cessação Tabágica e de Pé Diabético - Enfermagem. Futuramente, a equipa espera ainda oferecer a carteira adicional de Pequena Cirurgia, dada a diferenciação da médica Luísa Loureiro na área e a integração da USF na ULS do Estuário do Tejo, “facilitando a realização de análises, que passam a ser feitas no Laboratório de Colheitas da ULS”, explica Mariana Cerejo.


Cristina Perguiça e Mariana Cerejo

Mas não só. A dinamica da equipa leva a sua coordenadora a afirmar que têm ainda como objetivo criar as consultas de Dor/Cuidados Paliativos, em virtude da experiência da colega Rita Matos, e de Desenvolvimento Pediátrico, pela mão de Mariana Cerejo.

Segundo a médica, a formação pós-graduada que tem em Neurodesenvolvimento e a experiência de trabalho de quase uma década na Urgência de Pediatria do Hospital de Vila Franca de Xira "contribuiriam para o sucesso desse projeto".

E acrescenta: “Aqui, poderíamos dar uma primeira resposta aos pedidos para Consulta de Desenvolvimento, Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção do HVFX, dada a sua considerável lista de espera a nível hospitalar, e articular com os colegas de Pediatria. O ideal seria mesmo criar uma equipa dirigida a estes casos, até porque, nos EUA, estas crianças são também orientadas e seguidas pela MGF."


A reportagem completa pode ser lida na edição de maio do Jornal Médico dos Cuidados de Saúde Integrados.


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