Arquitetura Hospitalar: contributo «para a saúde e bem-estar de utentes e profissionais»

Pensar na luz ou no espaço de um hospital para que caiba uma cama ou para se evitar a proliferação de infeções é cada vez mais ter em conta a saúde e o bem-estar dos utentes, mas também dos profissionais que ali trabalham.

Esta perspetiva tem sido mais valorizada nos últimos anos no âmbito da Arquitetura Hospitalar, "mas ainda há um longo percurso a percorrer", salienta Teresa Magalhães, coordenadora da disciplina opcional “Tecnologias e Equipamentos Hospitalares” da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP-NOVA).



Em declarações à Just News, a responsável refere que “o maior desafio é manter um equilíbrio entre a modernidade, que traz esse bem-estar, e os valores e a história de cada edifício hospitalar".

"Maior sensibilização e formação"

Teresa Magalhães realça que “a Arquitetura Hospitalar faz parte da estratégia do desenvolvimento destas instituições de saúde”. Contudo, “ainda é uma área à qual se recorre em última instância, não se tendo em conta as vantagens de se desenhar e planear o espaço para se criar um bom ambiente para utentes e profissionais dos vários pontos de vista, como estéticos, ergonómicos, tecnológicos, logísticos, entre outros”.

Uma realidade que, na sua opinião, obriga a “uma maior sensibilização e formação de todos os players envolvidos na arquitetura hospitalar e que tanto é o arquiteto, como os administradores, os profissionais de saúde, os engenheiros, os ergonomistas, os designers, etc.”

Trata-se, assim, de uma tarefa que se exige multidisciplinar e integrada na estratégia do hospital. “É preciso pensar no caminho que se pretende fazer e nas necessidades”, apontou.

Discutir o futuro da construção dos hospitais

Foi a pensar na necessidade de promover um maior conhecimento sobre o tema, que vem suscitando um crescente interesse de diversos profissionais, que a ENSP decidiu realizar recentemente o Seminário “Arquitetura Hospitalar”, reunindo intervenientes com diferentes competências.



O evento, organizado precisamente por Teresa Magalhães, teve como objetivo principal "ser um espaço de divulgação e de discussão do que foi, do que é e do que será o futuro da construção dos hospitais, enquadrado naquilo que é a estratégia de evolução da prestação de cuidados”.



Desafios tecnológicos: "Arquitetura Hospitalar é uma boa resposta"

Uma das temáticas abordadas na reunião esteve centrada no contributo e potencial da componente tecnológica. A esse propósito, a responsável, que é atualmente presidente do Conselho Executivo do Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, salienta que “há várias empresas, em Portugal, que trabalham com a realidade virtual, desenhando as mudanças ou o espaço a criar em computador, passando a sua experimentação pela realidade física.”

Teresa Magalhães refere que a preocupação com a Arquitetura Hospitalar não se deve cingir aos novos edifícios. “Não podemos, obviamente, estar sempre a construir hospitais de raiz; nesse trabalho multidisciplinar e integrado é possível – e já se vê algumas mudanças nos últimos tempos – transformar uma unidade antiga num espaço mais agradável, ergonómico e funcional”, diz.

E continua: "A Arquitetura Hospitalar é uma boa resposta para os vários desafios de hoje em dia, relacionados com o surgimento de novas tecnologias e de novos equipamentos, que obrigam também a alterações logísticas.”



No seu entender, apesar de faltar muita sensibilização e informação sobre a importância desta área, nota-se que, na prática, já se vai recorrendo à Arquitetura Hospitalar, sobretudo nos novos edifícios, que são essencialmente parcerias público-privadas e privadas. Mas, “nos públicos e mais antigos também já se veem mudanças”, acrescenta.


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