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Angiologia e Cirurgia Vascular: Núcleo de Ética Profissional discute modelo de avaliação do internato

“Acredito que esta reunião seja o primeiro passo na direção do aprofundamento do debate de dois temas muito pertinentes na vida dos atuais e futuros cirurgiões vasculares portugueses”, afirma Diogo Cunha e Sá, coordenador do Núcleo de Ética Profissional da Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular.

O programa da reunião, que decorreu nas últimas semanas, em Lisboa, contemplou a discussão sobre “a avaliação do internato e o financiamento dos atos médicos nos setores público e privado, e as questões éticas inerentes”.



O primeiro painel abordou justamente o processo de avaliação do interno e os palestrantes foram, na sua maioria, jovens especialistas, “aqueles que, recentemente, lidaram de perto com o tema”. O modelo curricular foi o tema central, tendo procurado discutir-se “até que ponto poderá tornar-se o currículo mais objetivo – dado ser geralmente muito extenso −, de forma a tornar mais fácil a sua leitura e avaliação pelo júri, sem comprometer a sua qualidade”.

Outro aspeto em discussão foi a inflação das notas finais da avaliação do internato, o que “dificulta a identificação da diferenciação entre os internos”, e ainda a possibilidade de se fazer ou não uma prova escrita ou um teste de escolha múltipla”.


Diogo Cunha e Sá

Num contexto nacional em que “a maior parte dos cirurgiões vasculares que exercem atividade no Serviço Nacional de Saúde também atuam no setor privado e alguns dedicam-se exclusivamente a este último, sendo esta tendência crescente”, abordou-se ainda a eventualidade da criação de uma associação que represente os interesses dos cirurgiões vasculares no financiamento dos atos médicos em medicina privada.

“Não deve ser a Ordem dos Médicos nem a SPACV as entidades que devem discutir certas matérias, mas sim uma associação própria”, defende Diogo Cunha e Sá, que é ainda diretor do Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital Beatriz Ângelo.

O papel das sociedades científicas e da Ordem dos Médicos na avaliação do interno e no financiamento dos atos médicos foi tratado no painel que encerrou esta reunião, que abriu a discussão de várias áreas temáticas. “O Núcleo de Ética Profissional pretende promover o debate entre os colegas da especialidade para que, noutros fóruns, os assuntos sejam analisados e regulamentados”, realça.

Quais indicadores a incorporar "nos processos de formação e de certificação”

Alexandre Valentim Lourenço, presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, abordou o papel das sociedades científicas e da Ordem dos Médicos no financiamento dos atos médicos.

Começando por evidenciar o papel da OM na qualificação e valorização do ato médico, notou também que “as sociedades científicas devem identificar os indicadores clínicos suscetíveis de ser incorporados nos processos de formação e de certificação e sugerir o seu uso à OM”.

Dessa forma, “será possível participar articuladamente na regulação dos atos médicos”. Caso contrário, “a regulação será feita copiando modelos de outros países que têm outros sistemas de saúde e realidades assistenciais diferentes, o que pode gerar problemas de difícil resolução”.


Alexandre Valentim Lourenço

Essa atuação, do seu ponto de vista, estaria “na base de uma medicina mais qualificada e diferenciada, num contexto em que a população faz cada vez mais pressão para ter equidade e participar na decisão”. Nesse sentido, “é preciso requalificar os recursos humanos e incorporar a inovação tecnológica nos atos médicos sem perder a relação humana de proximidade e aconselhamento dos doentes”.

Alexandre Valentim Lourenço chamou ainda a atenção para a necessidade de se “olhar para os vários desafios que se avizinham, decorrentes da diferente realidade demográfica e das distintas patologias, cada vez mais crónicas e interrelacionadas”.

E destacou que “a atuação das especialidades médicas deve ser mais célere na elaboração de protocolos clínicos”, para a qual contribuiria o “participação das sociedades científicas como um dos braços técnicos e científicos e com as quais a OM tem de contar e colaborar”.

A vontade de continuar a dinamizar momentos de discussão

Esta segunda Reunião do Núcleo de Ética Profissional da SPACV contou com 40 participantes. A primeira aconteceu previamente ao surgimento da pandemia de covid-19, no anterior mandato, cuja direção da SPACV cabia a Armando Mansilha, impulsionador da criação deste núcleo, em 2018. Nessa data, Diogo Cunha e Sá assumiu a coordenação do Núcleo, juntamente com Pedro Brandão e Luís Silvestre como colaboradores.


Luís Mendes Pedro, presidente da SPACV, e Diogo Cunha e Sá

Sendo desejo da coordenação do Núcleo dinamizar outros momentos de discussão, a sua concretização “depende do interesse manifestado pela SPACV de promover esses encontros e da disponibilidade e mobilização dos especialistas e da própria organização, considerando que, exatamente por se tratar de um Núcleo de Ética, as reuniões não contam com o patrocínio da indústria farmacêutica”.

Diogo Cunha e Sá recorda que enquanto quando integrou o Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital de Santa Maria, há mais de 30 anos, existia meia centena de angiologistas e cirurgiões vasculares, ao longo dos anos, esse número foi aumentando, de tal forma que hoje serão cerca de três centenas.

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