Programa de Acesso ao Medicamento Hospitalar permite ao doente «ficar protegido em casa»

Além de coordenar a Unidade de Farmácia do Hospital Pulido Valente, Marisa Rodrigues assume também a responsabilidade de dirigir o Programa de Acesso ao Medicamento Hospitalar (PAM-H) do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN).

Apesar de ter sido impulsionado pela situação pandémica, o projeto vinha a ser pensado há largos anos. "Já tínhamos identificado esta necessidade, sob a forma de um projeto que equacionava a entrega de medicação nas farmácias comunitárias, a fim de evitar que doentes pré-selecionados – com problemas de mobilidade, incapacidade financeira ou residência distante − recorressem presencialmente à farmácia hospitalar", explica Marisa Rodrigues.



Em contexto pandémico, esta necessidade tornou-se mais evidente, “pelo crescente afluxo de doentes preocupados com a manutenção da terapêutica” e o estado de emergência
potenciou, “mais do que a necessidade de enviar para a farmácia comunitária, a exigência de ir ao encontro do doente que estava protegido em casa”.

Esta maior distância, no entanto, traduziu-se num “acompanhamento tão ou mais próximo do que o presencial, através de teleconsultas farmacêuticas dirigidas a quem inicie terapêutica ou demonstre dúvidas, através de um tempo de exclusividade para o doente, que permite, inclusive, uma mais fácil validação da adesão à terapêutica”.

Programa trouxe "uma maior ligação de proximidade ao farmacêutico"

A crescente procura deste sistema rapidamente extrapolou as 15 a 20 entregas diárias de março para 50, em maio, e 100, em novembro. Na última semana de outubro, este programa totalizava 7500 entregas em domicílio e farmácia comunitária.


Marisa Rodrigues

“O programa veio trazer não só comodidade, mas uma garantia e confiança no serviço que é prestado e uma maior ligação de proximidade ao farmacêutico”, garante Marisa Rodrigues, que desde 2011 trabalha no CHULN.


"Pode (agora) fazer-se o ensino da administração de fármacos injetáveis"

Este programa tem apostado agora na via eletrónica, com a criação de um e-formulário para ativar este serviço, e de um e-mail para o qual o doente pode enviar as suas dúvidas e pedir o envio da medicação. Está ainda a ser desenvolvida uma aplicação informática que pretende ser “um canal de comunicação direto, em que o doente pode acompanhar a evolução da encomenda e fazer a gestão da terapêutica”.

Com a utilização de videocâmaras, este programa está agora capacitado a fazer videochamadas, em que, “à distância, pode fazer-se o ensino da administração de fármacos injetáveis”. 



Agendar a deslocação ao hospital para "um melhor atendimento"

O agendamento presencial na farmácia hospitalar é outro aspeto que tem vindo a ser implementado,  de forma a “controlar o fluxo de doentes e assegurar a disponibilidade de tempo e recursos para um melhor atendimento”.

No HPV, que só detém um balcão de atendimento e recebe 50 doentes diários, Marisa Rodrigues sublinha que “há menos solicitações quanto a este programa”, tendo sido apenas referenciados para o PAM-H os doentes com hipertensão pulmonar. Preparada a medicação exclusiva daquele hospital, é enviada centralmente para o Hospital de Santa Maria, a partir de onde é distribuída.



A Unidade de Farmácia do HPV conta com três farmacêuticos, dois técnicos, um assistente operacional e um administrativo. Apesar de desenvolver “grande parte das funções do HSM em versão reduzida”, a centralização do envio da medicação para o internamento é feito a partir das instalações do HSM. 

O PAM-H é uma das conquistas do Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), dirigido por João Paulo Lopes da Cruz. À Just News, o responsável destaca a importância e os bons resultados deste projeto.

“Recebemos mensagens a agradecer porque muitas vezes os doentes nem o correio recebem e nós conseguimos fazer-lhes chegar os medicamentos”, declara. E realça que, com este programa, “a farmácia hospitalar tem recebido muitos elogios e, inclusive, declarações de louvor por parte dos doentes e dos profissionais de saúde do CHULN”.


João Paulo Lopes da Cruz

Esperando manter o projeto além do período pandémico, o nosso interlocutor apostou na criação da Consulta de Apoio Farmacêutico, em formato telefónico, com possibilidade de videochamada. Teve em conta a maior disposição de o doente para, em casa, “partilhar dúvidas relativas à medicação e efeitos adversos, possibilitando o reforço da adesão à terapêutica, que presencialmente na farmácia de ambulatório não conseguiriam obter porque o tempo disponível é mais escasso”.



A reportagem completa ao Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica do CHULN, com entrevistas a mais de uma dúzia de profissionais, pode ser lida na edição de novembro/dezembro do Hospital Público.
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