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Definição de políticas públicas na área da saúde: «A APAH é, hoje, um ator incontornável»

As palavras são de Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, a pouco tempo de deixar o lugar que ocupou durante seis anos. A demonstração da importância dos administradores hospitalares no setor junto da população e o reconhecimento da classe quanto à necessidade de formação ativa foram, no seu entender, as ações mais importantes conseguidas pela sua direção.


O processo eleitoral para a nova Direção da APAH decorreu dia 31 de maio

Após seis anos à frente da direção da APAH, Alexandre Lourenço considera que a maioria dos objetivos foram cumpridos. “A finalidade das duas direções que presidi era transformar a APAH numa associação representativa dos interesses socioprofissionais dos administradores hospitalares”, refere.

Olhando para o percurso feito, “conseguiu-se fazer pontes com várias entidades e, hoje, a APAH é um ator incontornável na definição de políticas públicas na área da saúde”.


O administrador hospitalar do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra considera mesmo que “a APAH promoveu a criação de conhecimento e de soluções para o sistema de saúde, conseguindo agregar diferentes partes e ocupar um espaço único no setor”.

A criação dos barómetros dos internamentos sociais, da transformação digital e do acesso ao medicamento é um desses exemplos. Simultaneamente, “produziram-se um conjunto de livros focados na criação de valor, sobre os cuidados de saúde de proximidade e a transformação digital, por exemplo, e elaboraram-se propostas sobre recursos humanos, inteligência de dados, financiamento, organização do sistema, acesso a cuidados de saúde, e ainda uma agenda para a medicina de precisão, em conjunto com a Ordem dos Médicos”.


Alexandre Lourenço

“Traçar caminhos conjuntos trazendo os doentes para o fulcro do sistema”

Alexandre Lourenço orgulha-se também do “espaço de discussão aberto a vários agentes que a APAH criou no sentido de prestar melhores cuidados de saúde à população”. Entendendo que, “muitas vezes, os administradores hospitalares eram vistos como economicistas e focados na redução de custos”, foi preocupação desta última direção “trazer os doentes para o fulcro do sistema”.

Nesse sentido, em 2021, foi assinado um protocolo com as associações de doentes, que se traduz num “compromisso para encontrar soluções de resolução de problemas e traçar caminhos conjuntos”.

Uma das preocupações das duas direções consistiu na transformação dos serviços em função das necessidades da população. Como descreve, “enquanto vários setores têm feito grandes alterações em função da conveniência da população, nos serviços de saúde públicos continua a existir uma rigidez e um paternalismo que empurra os doentes e as famílias para o setor privado”.

Para si, esta transformação envolveria “a reformulação de horários de funcionamento, a organização de processos de agendamento de cuidados, o investimento na prestação de cuidados de maior proximidade, a melhor integração entre unidades hospitalares e cuidados de saúde primários e ainda entre o setor da saúde e o social”.


Direção da APAH entre 2016-2019

“Capacitar quem exerce funções de gestão”

A formação dos administradores hospitalares foi, igualmente, âmbito de trabalho por parte da direção da APAH, que conseguiu “promover a academia APAH, um conjunto de iniciativas formativas em que se procurava a capacitação daqueles que exercem funções de gestão e a transformação do sistema”. Foram ainda atribuídas bolsas de estudo e dinamizadas visitas de estudo a hospitais internacionais.

Por outro lado, defenderam-se os hospitais públicos com vista a “dar-lhes autonomia e garantir ferramentas de gestão, por estar demonstrada uma deterioração da capacidade de gestão dos hospitais por falta destes instrumentos”. Desta forma, estas últimas direções destacaram a importância da “autonomia das organizações e da responsabilização dos gestores”.


Alexandre Lourenço com Xavier Barreto, que venceu as eleições para a liderança da APAH

Futuro: “Espera-se mais do que uma continuação”


Alexandre Lourenço considera que “estes seis anos corresponderam a um ciclo e aquilo que se espera da futura direção é mais do que uma continuação – esperam-se novas ideias e energias renovadas”. No fundo, espera que esta nova direção, à qual demonstrou o seu apoio, durante o triénio 2022-2025, “consiga encontrar novas formas de prestar serviços aos administradores hospitalares e ao SNS e oferecer mais e melhor do que aquilo que foi feito nestes seis anos”.

A profissionalização da gestão dos hospitais e dos serviços de saúde é a área de trabalho que lamenta não ter conseguido firmar, mas que acredita vir a concretizar-se a curto prazo. “As negociações com o Governo sobre a revisão da carreira de administração hospitalar foram iniciadas e há um compromisso das partes em avançar”.

Quanto à ação de que mais se orgulha, é precisamente “a demonstração da mais-valia dos administradores hospitalares na gestão dos serviços de saúde, quando, há seis anos, esse papel não era tão reconhecido”. Atualmente, não tem dúvidas de que “os administradores hospitalares são uma voz ativa e reconhecida, também fora das instituições de saúde”. Por outro lado, “a formação ativa e contínua dos administradores ativos foi um ganho adquirido”.

As eleições para a nova direção da APAH aconteceram no último dia de maio. A lista liderada por Xavier Barreto, administrador hospitalar do Centro Hospitalar Universitário de São João, venceu com 64,3% dos votos, contra a lista liderada por Diana Breda, presidente do Conselho Diretivo do Hospital Arcebispo João Crisóstomo, em Cantanhede. A tomada de posse da nova direção deverá acontecer durante este mês de junho.

Alexandre Lourenço é doutorado em Gestão pela Nova School of Business & Economics e mestre em Gestão da Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública. Atualmente, é Professor Auxiliar Convidado na Escola Nacional de Saúde Pública, coordenador da pós-graduação em Gestão de Instituições de Saúde do ISEG e consultor da OMS para as áreas de financiamento e fortalecimento dos sistemas de saúde. É ainda tesoureiro da European Health Management Association e membro do Board da European Association of Hospital Managers.

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