Opinião

«Medicina anti-aging» – conceito

Marco Ribeiro Narciso

Assistente hospitalar de Medicina Interna, Serviço de Medicina III do CHULN - H. Pulido Valente

“Outrora, a velhice era uma dignidade; hoje, ela é um peso.”
François René de Chateaubriand
1768-1848

Desde sempre que o Homem procura uma forma de aumentar a sua longevidade e atrasar os efeitos da passagem do tempo.

Sabemos desde há muito que alguns condicionantes de saúde (alimentação, saneamento...) estão fortemente relacionados com a longevidade e a carga de doença de uma população.

Ao perceber que a carga de doença poderia ser reduzida através de uma intervenção precoce nos fatores de risco, surgiu o conceito de medicina preventiva, pilar basilar dos cuidados de saúde primários: a longevidade e a qualidade de vida são preservadas pela redução de fatores de risco e pela adoção de comportamentos protetores, como uma dieta equilibrada e exercício.



A par do aumento da esperança média de vida nos últimos séculos, o avanço tecnológico permitiu melhor entendimento do mecanismo das doenças e possibilitou a intervenção direta na sua patofisiologia. No final do século XX, num contexto de grande esperança nos avanços científicos realizados, começou a ganhar forma a ideia de que o envelhecimento em si poderia ser objeto de intervenção terapêutica médica.

Em 1993, foi fundada a American Academy of Anti-Aging Medicine (A4M) nos Estados Unidos da América, pela mão de dois osteopatas, que foi gradualmente conquistando membros em áreas diversas como osteopatia, medicina, nutrição, naturopatia e homeopatia.

Não sendo reconhecida pelas associações profissionais médicas estabelecidas (tais como a American Medical Association), tem vindo a promover produtos sem evidência científica sólida e a “acreditar” profissionais na prática da “medicina anti-aging” em mais de 100 países, encontrando-se no centro de um negócio multimilionário que tem crescido anualmente, apesar de litígios com entidades reguladoras.


Intervenção de Marco Narciso durante a 3.ª Reunião do Núcleo de Estudos de Geriatria

O conceito de mecanismos de envelhecimento celular como potencial alvo terapêutico parece ter implicações de investigação promissoras, nomeadamente no melhor conhecimento dos mecanismos de regeneração e programação celular.

Contudo, no presente, o nome “medicina anti-aging” serve de chancela para a comercialização de suplementos alimentares, prescrição de medicamentos off-label e recomendação de tratamentos de beleza ou testes diagnósticos sem utilidade ou benefício cientificamente comprovado e, como no caso da suplementação hormonal, potencialmente perigosos.



Artigo publicado no Jornal da 3.ª Reunião do Núcleo de Estudos de Geriatria e distribuído aos participantes da reunião.

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