Enfermeiros querem apostar mais na gestão estratégica, «entroncada numa visão holística»



Integrado nas comemorações do Dia Internacional do Enfermeiro, assinalado a 12 de maio, o CH do Médio Tejo promoveu um debate que contou com a presença de Sérgio Gomes, chief nursing da DGS, que proferiu a palestra "Os múltiplos olhares sobre o Exercício da Enfermagem – o contributo do enfermeiro diretor".


Sérgio Gomes

Sérgio Gomes começou por fazer uma reflexão tendo por base também as mudanças na sociedade e que afetam a Enfermagem, tais como o envelhecimento da população, o aumento das doenças crónicas, um maior emporwement dos doentes e o que designou de “mais grupos de pressão”.

Na sua intervenção, defendeu a existência de “uma gestão estratégica, entroncada numa visão holística”, que permita “a inovação, uma maior proatividade e que seja mais uniformizada”.



Como disse, “o enfermeiro do futuro é o que faz acontecer”. O responsável sublinhou a necessidade de se apostar mais na gestão estratégica e na criação de indicadores
e de padrões de qualidade, defendendo ser preciso “ter mais transparência na nossa intervenção”.

Afirmou ainda não querer ser “reconhecido pela técnica, mas pela capacidade em utilizar os conhecimentos para a mudança”, devendo-se criar acessibilidade nos cuidados.

A comentar as suas palavras estiveram os enfermeiros diretores José Ribeiro, do CH Tâmega e Sousa, Margarida Filipe, da ULS de Matosinhos, Carlos Portugal, do CH Tondela-Viseu, e Carla Mendes, do CH de Setúbal.


José Ribeiro

"Tornar visíveis os resultados do que se faz"

José Ribeiro, que preside à Associação Portuguesa de Enfermeiros Diretores, concordou com Sérgio Gomes quanto à questão da gestão, afirmando: “Os enfermeiros diretores devem ter um plano estratégico, sendo necessário, para o efeito, a normalização dos registos que, através de indicadores, permitam a criação de padrões de qualidade.”

Lembrou ainda que “os enfermeiros têm que reorganizar o seu trabalho para passarem do enfoque na qualificação para o da competência”. No seu entender, “ainda não se conseguiu criar o valor suficiente para que sejam visíveis os resultados do que se faz”.



"É necessário rejuvenescer as teorias da Enfermagem"

O responsável defendeu igualmente uma mudança de paradigma: “Não podemos ficar pelo cuidar, é necessário rejuvenescer as teorias da Enfermagem, produzindo assim novos conhecimentos e intervenções autónomas, para que o trabalho dos enfermeiros seja mais realçado nas equipas multidisciplinares.”

Questões que, na sua opinião, se tornam cada vez mais importantes, "com as mudanças sociodemográficas a que se tem assistido nos últimos anos, como a diminuição na natalidade e o envelhecimento da população, em associação às doenças crónicas e a uma maior complexidade de cuidados".

“Há 20 anos tínhamos outros objetivos"

Estes foram, aliás, aspetos com os quais todos os comentadores estiveram de acordo. Margarida Filipe começou por dizer que “as organizações movem-se com as pessoas que a integram”, sendo fundamental, na sua opinião, “uma autorreflexão sobre o que cada um dos enfermeiros já fez para mudar a atual situação”.

Chamou também a atenção para as mudanças que têm ocorrido: “Há 20 anos tínhamos outros objetivos. A preocupação era ter uma licenciatura, uma ordem profissional, o que dependia de associações coletivas, como sindicatos. Atualmente, com a desvalorização das associações, as mudanças estão mais centradas em respostas individuais.”


Margarida Filipe, José Ribeiro, Carla Mendes, Carlos Portugal, Ana Paula Eusébio e Sérgio Gomes

"O enfermeiro é o mais indicado para dar uma resposta holística"

Os comentários prosseguiram com Carlos Portugal, que destacou as mudanças sociodemográficas, “uma oportunidade para a Enfermagem”. E deu o exemplo concreto da institucionalização de idosos. “Devemos lutar para que nas instituições haja sempre um enfermeiro gestor de caso, porque é o profissional de saúde mais indicado para dar uma resposta holística, dentro de uma equipa multidisciplinar.”

Realçou ainda o papel desta profissão no ambulatório ou em novos projetos, como a hospitalização domiciliária: “O enfermeiro, como cuidador formal, deve prescrever cuidados e supervisionar os mesmos, para se garantir que haja alguém que se responsabiliza por aquela pessoa que está dependente.”

Defendeu também o uso das novas tecnologias, a integração de cuidados, a intervenção na prevenção e na literacia em saúde e a liderança participada. 

Por fim, Carla Mendes fez um resumo de alguns momentos da história da Enfermagem, frisando que houve “oportunidades perdidas”, como o facto de não se ter aceitado, com o Processo de Bolonha, que o enfermeiro iniciasse a sua carreira como mestre. “Perdeu-se competitividade”, disse.

O painel foi moderado por Ana Paula Eusébio, enfermeira diretora do CHMT.



Artigo publicado na edição de setembro/outubro do jornal Hospital Público.

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