Opinião

Internistas criam Núcleo de Estudos de Ecografia: «A era da POCUS despontou»


José Mariz

Coordenador do Núcleo de Estudos de Ecografia (NEECO) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.


A Point-Of-Care UltraSonography (POCUS, como é internacionalmente conhecida) é uma técnica de diagnóstico segura, em rápido crescimento e usada por quase todas as especialidades médicas. O seu desenvolvimento não seria possível sem ecógrafos cada vez mais portáteis e fiáveis.

O uso da POCUS nas técnicas invasivas tornou-a notória. Quem duvida que o uso do ecógrafo torna mais segura a colocação de um cateter venoso central ou a realização de um bloqueio neuromuscular? Adicionalmente, vários protocolos foram desenvolvidos para tornar o uso da POCUS mais eficiente, particularmente no doente em estado crítico.

O uso correto da POCUS pode rapidamente estreitar o diagnóstico diferencial e aprimorar o processo de decisão na orientação do doente.


Elementos do Núcleo de Estudos de Ecografia reuniram-se no 25.º Congresso Nacional de Medicina Interna (CNMI) para delinear atividades a realizar

Os 4 pilares que sustentam a metodologia hipocrática da observação objetiva do doente foram, assim, reforçados com um quinto, o da “insonação”, algo como uma “ecoscopia” no exame físico, depois da inspeção, auscultação, percussão e palpação. A POCUS já foi mesmo cunhada como o “estetoscópio visual do século XXI”.

Para além da aceitação empírica, vários estudos científicos têm vindo a comprovar que o uso da POCUS reduz a incerteza no diagnóstico sem comprometer a segurança do doente. E, do ponto de vista do doente, há evidência que o uso da POCUS aumenta o seu grau de satisfação e melhora de forma racional o uso de recursos. Para o internista, a POCUS mostra que, não sendo a solução para tudo, pode ser útil em muitos casos da prática clínica. O fim do estetoscópio? Não parece.


José Mariz

A era da POCUS despontou e está em crescimento sustentado em todos os ramos da Medicina. Mas, sem formação adequada, a POCUS pode levar a diagnósticos errados que lesam o doente. Por isso, é necessário estabelecer regras que ajudem a implementar este novo paradigma semiológico que, sem ser disruptivo em teoria, pode sê-lo na prática, se não ensinado corretamente.


No 1.º dia do 25.º CNMI realizou-se o Curso organizado pelo NEECO sobre a POCUS

Convenhamos, POCUS é uma realidade internacional e algumas das escolas médicas de vanguarda criam oportunidades para que os seus alunos desenvolvam familiaridade com esta técnica desde as cadeiras básicas. Por que não é assim na pós-graduação médica?

Daí que um grupo de internistas entusiastas e que praticam diariamente POCUS tenha criado o Núcleo de Estudos de Ecografia (NEECO). Uma das suas primeiras missões será levantar as necessidades que os internistas portugueses identifiquem como prementes para a aplicação da POCUS na prática clínica.



O NEECO vai focar-se na formação, sem querer romper com as tradições que têm mostrado eficácia, rigor e benefício para os doentes. Voltado para os internistas, não vai deixar de dialogar com todos os colegas que pratiquem POCUS nas mais diversas situações clínicas. Pois, se a Medicina Interna sempre foi o baluarte do ensino da colheita da história clínica e do exame físico, não pode ficar de lado da evolução da POCUS na prática médica.



É tempo de dar os primeiros passos de forma segura.  A casa hipocrática onde vivemos não fica de forma nenhuma abalada.



Artigo publicado no Jornal do 25.º Congresso Nacional de Medicina Interna.

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