Cuidados Paliativos do CHBM com «abordagem abrangente» das necessidades dos doentes



A Unidade de Cuidados Paliativos (UCP) do Centro Hospitalar do Barreiro Montijo foi a primeira a surgir na Península de Setúbal. Começou a receber doentes no dia 22 de abril de 2010 e desde então que a sua atividade tem sido marcada por uma "abordagem abrangente" das necessidades desses doentes.

Foi assim que, em 2017, a UCP foi reorganizada funcionalmente, com reforço e dinamização da Equipa Intra-Hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos (EIHSCP), e efetivamente implementada a Consulta Externa de Cuidados Paliativos.

Integrada inicialmente na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), a alteração da legislação, dia 1 de abril de 2017, veio permitir uma maior celeridade na prestação assistencial aos doentes da área de influência do CHBM.

No que respeita à vertente de internamento da UCP, apesar de a maioria dos doentes internados ser residente nos concelhos de responsabilidade direta do CHBM, têm sido recebidos na Unidade pessoas de outras áreas, cumpridos que estejam os critérios clínicos para o internamento.


Ana Paula Figueiredo

Para Ana Paula Figueiredo, a médica responsável pela Unidade, esta mudança legislativa “trouxe uma mais-valia considerável, permitindo que os doentes com patologia complexa e/ou com sintomas descontrolados possam ter acesso mais atempado aos cuidados de que necessitam”.

A criação, dinamização e reforço dos recursos humanos (nomeadamente, através da contratação de outra médica) da Equipa Intra-Hospitalar constituiu "mais um passo importante no apoio integrado aos doentes com necessidade de cuidados paliativos".


Elementos da equipa da Unidade de Cuidados Paliativos do CHBM

Esta equipa acompanha, em paralelo com os médicos assistentes e com os enfermeiros dos vários serviços de internamento do CHBM, os doentes para os quais é solicitada a sua colaboração.

“Compete-lhe avaliar as suas necessidades clínicas na área dos cuidados paliativos, colaborar na terapêutica com vista ao controlo sintomático, avaliar o doente e a família nas várias vertentes que os cuidados paliativos abrangem (emocional, espiritual, psicossocial) e, ainda, colaborar com os profissionais de cada serviço na realização do plano de intervenção individual”, esclarece Ana Paula Figueiredo.

Taxa de ocupação acima dos 80%

O início da consulta externa veio alargar a prestação destes cuidados médicos, de enfermagem, sociais e de apoio psicológico a doentes a residir no seu domicílio ou em lares. “Qualquer médico nos pode referenciar doentes”, explica Ana Paula Figueiredo.

A maioria dos doentes que a EIHSCP acompanha ou que estão internados na UCP são do foro oncológico, mas “qualquer doença incurável, progressiva e que se acompanhe de sofrimento é uma doença paliativa, algumas desde o seu diagnóstico: insuficiência cardíaca nas fases mais avançadas, insuficiência respiratória, bronquite crónica, insuficiência renal grave, doenças degenerativas do sistema nervoso central (por exemplo, esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica), etc.”.



Atualmente, a Unidade de Internamento da UCP conta com oito camas, distribuídas por seis quartos individuais e um duplo, instalações sanitárias e duches adaptados a pessoas com mobilidade reduzida. A taxa de ocupação supera os 80%.

No que respeita à Consulta Externa, há atualmente dois tempos semanais de consulta. Porém, esta está organizada de acordo com o conceito de “Consulta Aberta”, o que significa que em qualquer dia útil da semana, entre as 8 e as 16 horas, “o doente ou a família nos pode contactar” e, se for o caso, será realizada uma consulta urgente (fora dos dias destinados à consulta normal) ou dadas orientações e esclarecidas dúvidas telefonicamente.

"Promove-se a vida com dignidade e qualidade"

A Unidade de Cuidados Paliativos e a Unidade Domiciliária de Cuidados Paliativos (UDCP) “partilham” uma profissional de enfermagem e muito mais. Apesar de se tratarem de equipas distintas, existe ("como as boas práticas clínicas impõem") colaboração entre os profissionais em duas vertentes:

"No que diz respeito à identificação da eventual necessidade de internamento na Unidade de um doente seguido pela UDCP ou, por outro lado, no caso de alta de um doente internado na UCP para casa ou para um lar e que careça de apoio domiciliário para assegurar a continuidade de cuidados."

Como explica Ana Paula Figueiredo, “são doentes com situações clínicas graves, muitas vezes instáveis, cujos sintomas se podem agudizar a qualquer momento e uma das nossas prioridades é tentar evitar que recorram ao Serviço de Urgência."

Nesse sentido, sublinha, "é necessária uma boa comunicação entre as várias equipas para que a assistência a estes doentes e também às suas famílias seja o mais rápida e adequada possível."


Ana Paula Figueiredo: “Naturalmente que o alvo do nosso esforço é o doente, mas a família é parte constante da nossa atenção e acompanhamento"

Relativamente aos procedimentos realizados na unidade, a médica assinala que “respeitam a decisão do doente, devidamente informado. Promove-se a vida com dignidade e qualidade. Quando se fala em sofrimento em doentes paliativos, o sintoma que muitas vezes é lembrado é a dor física”.

Este sintoma, porém, é apenas uma parcela da Dor: “Esta tem intrinsecamente ligada a si múltiplas vertentes de uma vivência que engloba a componente psicológica, emocional, de relação com os outros e com o meio em que socialmente o doente se integra, com os vários afastamentos que a própria situação de doença implicou (amigos, família, trabalho, etc) e espiritual."

E faz questão de destacar: "Se apenas se tratar um dos ´braços` desta Dor, o trabalho de um médico ou de qualquer outro profissional está incompleto e não atinge os seus objetivos."

“Há que dar formação obrigatória desde a faculdade"

O corpo de profissionais da Unidade de Cuidados Paliativos é constituído por duas médicas especialistas de Medicina Interna e com formação avançada em Cuidados Paliativos, enfermeiros, assistentes técnicos, fisioterapeuta, psicóloga, assistente social, assistente espiritual, farmacêutica e nutricionista.

Estando fisicamente integrada numa instituição hospitalar, ”existe uma estreita colaboração entre todos os profissionais dos outros serviços, notando-se uma sensibilidade crescente por parte destes”.

Vários trabalhos já demonstraram “a necessidade premente de mais equipas com formação em Cuidados Paliativos, a vários níveis. No ambulatório, através de equipas de profissionais da comunidade, e nos hospitais, através de um maior número de profissionais disponíveis. Como há muitos anos se tem conhecimento, o aumento da esperança de vida é uma realidade que se continuará a acentuar nas próximas décadas”.

Porém, formar profissionais especializados nestas áreas “não é suficiente”, diz Ana Paula Figueiredo. “Há que dar formação obrigatória desde a faculdade, porque faz parte da Medicina, da Enfermagem e do saber de outros grupos profissionais da área da Saúde olhar para os cuidados paliativos como um dos braços do conhecimento científico.”



O artigo pode ser lido no Hospital Público.

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