Triagem de Manchester: «Temos de organizar a resposta à doença aguda»
Após o sucesso da implementação nos Açores, o projeto de Triagem Telefónica como ferramenta de triagem primária e secundária vai ser alargado a "muitos países, como a Alemanha, a Áustria, a Austrália e Nova Zelândia", adianta Paulo Freitas. O presidente do Grupo Português de Triagem (GPT) explica que este foi um dos grandes anúncios da reunião do International Reference Group, que teve lugar há dias em Manchester e onde marcou presença, junto com outros portugueses.
Em declarações à Just News, o médico internista e diretor do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca afirma que esta vai ser a base da orientação dos doentes com doença aguda, urgente e não urgente. 
“Com a triagem primária abriram-se novas linhas de trabalho, nomeadamente a triagem por não médicos, ou seja, através de métodos feitos nos lares e instituições onde os doentes estão internados ou vivem. O objetivo é identificar os doentes que devem ser avaliados numa urgência hospitalar ou podem aguardar pela consulta médica programada, para não serem deslocados para os hospitais”, afirma, lembrando que um dos piores indicadores da Saúde em Portugal é o elevado número de doentes que recorrem às urgências.
De acordo com Paulo Freitas, através das novas ferramentas de triagem primária, pretende-se que, quando o doente telefona numa situação de emergência ou urgência por uma linha telefónica, "seja garantido o atendimento em tempo útil pelos meios que são necessários para esse doente".
“Temos de organizar a resposta à doença aguda”, afirma, acrescentando: “O que todos os países querem é redirecionar a doença aguda na urgência, que é diferente de uma urgência em emergência. Tendo já sido identificados os critérios de doença aguda não urgente, o objetivo é evitar o recurso à urgência hospitalar.”
Açores com "a melhor rede de emergência da Europa"
O presidente do GPT salienta que, em abril, a Região Autónoma dos Açores venceu o prémio da melhor rede de emergência da Europa, pela implementação de uma série de medidas, onde se inclui a triagem telefónica. Adianta ainda que a Região Autónoma da Madeira "também já manifestou interesse em implementar a triagem telefónica".
Triagem de Manchester "passará a funcionar com atualizações periódicas"
Na reunião do International Reference Group foi aprovada também uma nova versão do PTM, a implementar em 2018, que, a partir de agora, será atualizado periodicamente.
Segundo Paulo Freitas, haverá dois tipos de atualizações: críticas e não críticas. As críticas são aquelas que os estudos provam que conduzem à redução da mortalidade dos doentes ou interferem de forma significativa no seu outcome e têm de ser implementadas imediatamente (em três meses). As não críticas podem ser introduzidas em 12 meses.
Na prática, o que acontecerá é que, como relata, “ao invés de ser baseado em edições de livros, como tem sido até aqui, o Protocolo passará a funcionar como um programa de software, com atualizações periódicas”.
Além de Paulo Freitas, estiveram presentes na reunião em Manchester, Ângela Valença, enfermeira especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica no Bloco Operatório do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, e António Marques, anestesiologista e diretor do Centro Materno Infantil do Norte.
O International Reference Group, do qual participam 25 países, reúne-se todos os anos para aprovar as mudanças do PTM, que visa melhorar o processo de priorização no atendimento de doentes em serviços de urgência e emergência.
A Reunião do International Working Group em Manchester contou com a presença de representantes dos 25 países onde o Sistema de Triagem de Manchester está implementado
3.ª Reunião Internacional do Grupo Português de Triagem
O Grupo Português de Triagem realiza, esta quinta-feira, dia 23 de novembro, a sua 3.ª Reunião Internacional.
Paulo Freitas será o orador da primeira conferência, intitulada “Novas fronteiras da triagem: implementação nacional e internacional”, na qual fará um resumo dos 18 anos do Protocolo de Triagem de Manchester e falará sobre as perspetivas para o futuro, particularmente sobre as novas ferramentas de triagem.
Serão, depois, apresentados os resultado de uma auditoria externa feita a nível nacional nos serviços de urgência.
Falar-se-á, também, sobre a importância do PTM na organização de sistemas de catástrofe. Carmo Caldeira terá a seu cargo uma palestra na qual irá explicar de que modo a Madeira se preparou, através do PTM, para responder aos dois recentes desafios: os grandes incêndios que deflagraram na ilha e à “famosa” queda de uma árvore, que fez diversas vítimas. 
Outro dos convidados será Filipe Ribeiro, enfermeiro e um dos coordenadores do projeto da Região Autónoma dos Açores, que venceu o prémio da melhor rede de emergência da Europa.
Serão debatidos outros temas, como “A Metodologia Lean na Gestão dos Serviços de Urgência”, “A relevância do Protocolo de Manchester num Serviço de Atendimento permanente de um Hospital Privado” e o “Financiamento dos Serviços de Urgência: Necessitamos de um novo modelo?”, entre outros.
O programa pode ser consultado aqui.



