Obstetra Luísa Pinto:«Não podemos perder de vista a dimensão humana que marca a nossa profissão»
A transmissão de um vídeo marcou o início da sessão de abertura da Reunião da Primavera da SPOMMF, que se realizou em Peniche dias 17 e 18 de abril. Luísa Pinto, que assumiu no princípio do ano a presidência desta Sociedade, acompanhou com algumas reflexões as imagens de um parto que estavam a ser projetadas, reconhecendo que, sendo esse “um dos momentos mais marcantes da vida, por fazer parte da nossa rotina, corremos o risco de o banalizar”.
No entanto, sublinhou, “para quem o vive, é sempre único, marcado por uma enorme intensidade física e emocional, por um equilíbrio entre vulnerabilidade e força, incerteza e esperança”. E frisou: “Cabe-nos garantir a segurança, antecipar o risco e intervir quando necessário, sem ocupar o centro da cena. A nossa presença deve ser competente, serena e discreta, criando as condições para que este momento seja vivido com segurança, dignidade e respeito.”.png)
Luísa Pinto
Após dar as boas-vindas aos mais de 250 participantes na Reunião da Primavera da SPOMMF, Luísa Pinto fez questão de lembrar que a Sociedade a que preside “assume-se como voz técnica, ética e independente na promoção da qualidade dos cuidados obstétricos, no investimento na formação contínua e no apoio à investigação”. Contribuindo, afinal, para que a Medicina Materno-Fetal em Portugal “continue a evoluir com solidez, responsabilidade e visão”.
Mas também quis deixar expresso que a SPOMMF representa “uma força social”, afirmando: “Devemos ter consciência de que, individual ou coletivamente, o nosso trabalho tem impacto na saúde das mulheres, das famílias e da sociedade.”
“Conseguir que o progresso caminhe lado a lado com o respeito e a individualização dos cuidados”
“A Medicina Materno-Fetal encontra-se no centro de avanços científicos determinantes: da genómica à inteligência artificial, à telemedicina e à monitorização remota”, referiu. Contudo, logo acrescentou que, “à medida que avançamos tecnologicamente, não podemos perder de vista a dimensão humana que marca a nossa profissão”.
“As mulheres de hoje procuram, para além de segurança clínica, informação clara, respeito pelas suas escolhas, empatia e cuidados integrados”, salientou a presidente da SPOMMF, para adiantar: “Este é, talvez, o grande desafio para o presente e para o futuro: conseguir que o progresso científico e tecnológico caminhe lado a lado com o respeito e a individualização dos cuidados.”
Nuno Clode e Diogo Ayres de Campos
A escolha do tema para a Reunião da Primavera de 2026 – “Desafios no intraparto, entre a segurança e a autonomia” -- encontra justificação precisamente no facto de, especificou Luísa Pinto, o Bloco de Partos ser “o lugar onde quatro pilares se cruzam de forma decisiva: Ciência, Comunicação, Treino e Respeito”.
E enumerou a necessidade de a prática clínica dever assentar “na melhor evidência possível”; a importância da comunicação entre profissionais, “mas também com a mulher e a sua família”; a questão do treino individual e em equipa, com o recurso à simulação, “porque a segurança não se improvisa”; e a imprescindibilidade de “colocar a mulher no centro, respeitando a sua autonomia, valores e contexto, mesmo quando o tempo é curto e a pressão elevada”.
Direção da SPOMMF: Pedro Rocha, Mónica Centeno, Luísa Pinto, Carla Ramalho e Miguel Branco
Um mandato de 3 anos como presidente da SPOMMF
Foi em Assembleia-Geral Eleitoral realizada no decorrer do 7.º Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal, que decorreu entre 20 e 22 de novembro de 2025, no Porto, que ficou validada a eleição de Luísa Pinto como nova presidente da SPOMMF.
A diretora do Serviço de Obstetrícia da ULS de Santa Maria e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa sucedeu a Nuno Clode, com um mandato de três anos para cumprir.
Por inerência do cargo, é agora também vice-presidente da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia (FSPOG), presidida por Diogo Ayres de Campos.
Órgãos Sociais da SPOMMF
2026 – 2028
DIREÇÃO
Presidente
Luísa Pinto (Lisboa)
Vice-presidente
Carla Ramalho (Porto)
Secretário-geral
Miguel Branco (Coimbra)
Tesoureiro
Pedro Rocha (Almada)
Vogal
Mónica Centeno (Lisboa)
ASSEMBLEIA-GERAL
Presidente
Jorge Lima (Lisboa)
Secretárias
Maria do Céu Almeida (Coimbra)
Inês Sarmento Gonçalves (Matosinhos)
CONSELHO FISCAL
Presidente
Elsa Nunes (Covilhã)
Vogais
Bruno Carrilho (Lisboa)
Rodrigo Mata (Portimão)


