Médicos debateram o estado da arte da profilaxia pós-exposição ao VIH

A 2.ª Reunião de Sócios realizada este ano pela Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da SIDA (APECS) decorreu no passado fim de semana, em Sintra, subordinada ao tema “Profilaxia pós-exposição – estado da arte”. Segundo Joaquim Oliveira, presidente da APECS, este é um "assunto delicado, pois é difícil decidir com objetividade quem beneficia da profilaxia pós-exposição (PPE) ao VIH, uma vez que o risco de aquisição de infeção é muito baixo".



No evento foi abordado o tema da PPE ocupacional, ou seja, quando um indivíduo, a maioria das vezes no contexto dos serviços de saúde, tem um acidente com um objeto contaminado por sangue ou qualquer outro produto biológico de um doente infetado pelo VIH, sendo necessário avaliar a necessidade de fazer terapêutica para evitar que esse profissional se infete.

Em entrevista à Just News, Joaquim Oliveira indica que, no contexto dos acidentes ocupacionais, o risco de infeção pós-exposição é de aproximadamente 0,3%, ou seja, um em cada 333 acidentes. E acrescenta que “é difícil decidir com rigor qual o risco que justifica que se faça este investimento e, eventualmente, até se incorra num risco superior de sofrer efeitos secundários”, até porque não existem ensaios clínicos nesta área.

Em situações de transmissão sexual por relações não protegidas com parceiros infetados, ou que usaram proteção, mas ocorreu uma rutura do preservativo, pode recorrer-se também à PPE não ocupacional (PPENO).

O presidente da APECS considera que esta intervenção é subutilizada, na medida em que os indivíduos podem ter alguma relutância em recorrer aos serviços de saúde e expor uma situação delicada. Por outro lado, nem todos os serviços de saúde estão suficientemente sensibilizados.

De acordo com Joaquim Oliveira, houve uma grande evolução no que respeita aos fármacos a utilizar no contexto da PPE, sendo algo controverso o número de medicamentos a usar (dois ou três). ”Grande parte das recomendações das instituições mais credíveis vão no sentido de, quando há indicação, oferecer o máximo e, quando não há, não oferecer nada”, refere aquele infeciologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.



Além da contextualização do problema e da discussão de casos concretos, teve lugar a Assembleia-Geral da APECS, durante a qual a Direção da Associação foi reeleita para um novo mandato (2016/2017). Além de Joaquim Oliveira (presidente), aquele órgão inclui Célia Oliveira (vice-presidente), Luís Trindade (tesoureiro), Teresa Branco (secretária) e Carmela Piñeiro (vogal).




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