Internato médico: projetar o CHLN «também a nível internacional»
O Junior Doctors International Meeting (JDIM), que se realiza este mês, no Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), tem o contributo da grande maioria das especialidades hospitalares desta instituição, indica João Valente Jorge, coordenador da Comissão Organizadora.
Em declarações à Just News, o médico interno de Anestesiologia explica que, "reforçando a missão das edições anteriores, tentámos tornar a multidisciplinaridade o centro do congresso", alertando, desde logo, para a composição da Comissão Organizadora, cujos 23 elementos representam mais de uma dúzia de especialidades e ainda o Internato do Ano Comum:
"Podemos dizer que todos os médicos internos contribuíram, manifestando as necessidades formativas sentidas ao longo dos diferentes níveis de percurso no seu internato." É nesse contexto que, além das sessões plenárias, o programa contempla a realização de um vasto conjunto de workshops. São 24 ações de formação sobre os mais variados temas.
Elementos da Comissão Organizadora
O médico reconhece, contudo, que existe "ainda um desafio importante, uma vez que não suprimos parte das necessidades dos internos envolvidos na saúde materno-infantil, algo que será para rever nas próximas edições".
Por outro lado, o evento, já na sua 4.ª edição, tem reunido, anualmente, mais de 500 participantes, de Norte a Sul do país, "entre médicos internos, estudantes de medicina e médicos recém especialistas, de todas as valências, incluindo dos cuidados de saúde primários". Mais de metade não são do CHLN, nem sequer de Lisboa.
10% de participantes estrangeiros
A par da componente multidisciplinar, a internacionalização marca igualmente o projeto do JDIM, um evento de e para médicos internos, de âmbito internacional. Tal motivou mesmo a alteração do nome das jornadas, anteriormente denominadas Jornadas do Internato Médico do CHLN, bem como a sua imagem.
Depois de, no ano passado, ter sido criada uma rede de embaixadores internacionais que assumissem o papel de divulgar o evento, este ano a organização tomou a opção de contactar diretamente organizações internacionais de médicos. "Em breve saberemos qual o resultado", refere João Valente Jorge, recordando um dado que surpreende: "O ano passado tivemos cerca de 10% de participantes estrangeiros, provenientes de 3 continentes diferentes".
João Valente Jorge e Jorge Gama Prazeres, médico interno de Medicina Interna e responsável pela divulgação do JDIM 2017
Internacionalização: uma questão de "cultura"
No âmbito da preparação do evento, a Comissão Organizadora tem reunido regularmente, de forma trimestral, com a Administração do CHLN, "e de forma informal, sempre que há necessidade", sendo os problemas jurídicos, financeiros e de projeção internacional "frequentemente o foco de discussão", refere João Valente Jorge.
De acordo com o médico interno, não há qualquer dúvida de que "o projeto é assumido como um marco para a instituição".
Considera mesmo que não é por acaso que a internacionalização das Jornadas está muito alinhada com os objetivos estratégicos do Centro Académico de Medicina de Lisboa (CAML): "A ´cultura` profissional do CAML obriga a isto mesmo. Não podemos assumir um papel de liderança profissional e pedagógica a nível nacional sem nos projetarmos também a nível internacional."
Acrescenta ainda que "a procura do melhor e mais atualizado conhecimento a nível mundial é uma obrigação para com os nossos doentes".
Na sua opinião, em Portugal, de uma forma geral, "ainda temos um grande caminho a percorrer. A cultura de criação de conhecimento cientifico, incluindo a sua publicação, é ainda uma das áreas mais negligenciadas". Assim, acrescenta, "com o CHLN Case Reports (livro que retrata casos de doentes atendidos no CHLN), tentamos fornecer uma pequena contribuição nesse sentido".

“Do not freeze, treat”
A emergência médica em situações de ameaça iminente à vida é um dos temas centrais do evento. A sessão, intitulada “Life threatening emergencies - Do not freeze, treat”, contará com as intervenções de João Nave, João Ribeiro, Lia Neto e Canas da Silva.
De acordo com João Valente Jorge, o objetivo desta sessão passa por "fornecer bases teóricas fundamentais para a ativação de todas as vias verdes extra e intra-hospitalares existentes no nosso país. Para que, numa situação de emergência, sejam mais facilmente reconhecidos os sinais e sintomas de alarme e que o processo se devolva com a celeridade que a situação exige".
Chama ainda a atenção para o facto de serem abordados temas "iminentemente médicos, como a Via verde coronária, AVC e Sepsis e temas com envolvimento cirúrgico, como a via verde trauma" e sublinha: "Mais uma vez o fundamental é demonstrar como o trabalho multidisciplinar pode melhorar o outcome dos doentes que assistimos todos os dias."
Outra das sessões, dedicada à “Economia e Saúde”, estará focada num tema que, habitualmente, não é tão abordado. A mesa redonda "Health & Economics - Best friends or enemies" pretende promover um debate sobre "de que forma o clínico pode otimizar a sua atitude profissional para melhor utilizar os recursos e tempo que tem ao seu dispor", refere o médico interno de Anestesiologia..jpg)
Presidente da República no JDIM
O JDMI 2017 decorrerá entre 17 e 19 de novembro de 2017, no Centro Académico de Medicina de Lisboa. A edição deste ano terá a intervenção do Presidente da República, do ministro da Saúde e do bastonário da Ordem dos Médicos.
Segundo João Valente Jorge, todo o programa teórico conta com oradores de referência: "A nível internacional destacamos o Dr. Pankaj Chandak (UK), Cirurgião responsável pela transplantação renal no Great Ormond Street Hospitals; o Dr. Jordi Rello (Espanha) e o Professor Dr. Jeffrey Lipman (Austrália, via WEBINAIR) ambos especialistas em controlo de infecção, com especial enfoque aos cuidados intensivos."
O programa completo e outras informações podem ser consultadas aqui.
Contacto da Comissão Organizadora: info@jdim.pt



