Hipertensão: utilizar a «polipílula combinada» para melhorar a adesão aos tratamentos

O conceito de politerapia no risco cardiovascular global (uso combinado de poucos ou só um medicamento para cobrir o risco cardiovascular global) foi amplamente debatido no simpósio que decorreu no último sábado, em Lisboa, intitulado “Monoterapia vs. politerapia no risco cardiovascular global: da ciência à saúde pública”, no âmbito do Congresso Europeu de Hipertensão de Milão de 2017.



Reunião pioneira

Em declarações à Just News, Manuel de Carvalho Rodrigues, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), que presidiu ao evento em conjunto com Csaba Farsang, da Sociedade Húngara de Hipertensão, afirmou não ter conhecimento de um outro evento internacional que tenha debatido este assunto numa reunião de formato monotemático.

O simpósio contou com a intervenção de reputados especialistas nacionais e estrangeiros que se dedicam à hipertensão arterial e ao risco cardiovascular global, que abordaram o tema nas suas várias facetas – farmacológica, clínica, económica e institucional.



Terapêutica "simples, eficaz e cómoda"

“Discutimos, sobretudo, o que, enquanto especialistas desta área, esperamos da possibilidade da polipílula combinada (comprimido único que combina vários fármacos) ser vista como estratégia para melhorar a adesão do doente ao tratamento com uma terapêutica que seja simples, eficaz e cómoda”, relatou o assistente hospitalar de Cardiologia do Hospital Pero da Covilhã/Centro Hospitalar Cova da Beira (CHCB).



"Avaliar o conceito de politerapia pelos contras"

De acordo com Manuel de Carvalho Rodrigues, “obviamente que há prós e contras, mas certamente que há mais prós do que contras”. Contudo, referiu, “o mais importante nesta altura é avaliar o conceito de politerapia pelos contras, para que possa ser cada vez mais implementado na prática clínica nos nossos doentes”.

“Temos de discutir as eventuais contrariedades de associar moléculas que não são fáceis de associar, envolver e estimular a indústria a criar fórmulas complexas que incluem várias substâncias num só comprimido e, além disso, fazer com que as instituições entendam quão importante pode ser a politerapia. Eventualmente, podemos gastar um pouco mais hoje, mas poupar muito mais no futuro!”, acrescentou.



Com maior adesão à terapêutica, "o risco de eventos diminui"

Relativamente aos prós, não há dúvidas: “Se uma pessoa tiver de tomar um comprimido em vez de sete está mais disponível para tomar uma medicação que é para toda a vida. Para além disso, há vantagens do ponto de vista da facilidade, da comodidade, a nível psicológico, emocional, sociológico e da qualidade de vida. Com a adesão à terapêutica, o risco de eventos diminui.”



Manuel de Carvalho Rodrigues considera importante que se continue a discutir este tema em reuniões de formato monotemático, para que se possa debater o assunto, chamar a atenção para o mesmo e para que seja abordado nas mais diversas perspetivas, de forma mais profunda do que se for num evento onde são abordados vários temas.


Jorge Polónia, Zoltan Jarai, Csaba Farsang, Luís Martins, Manuel de Carvalho Rodrigues, Giuseppe Mancia, Michel Burnier, Fontes Ribeiro, Dénes Páll e Fernando Pinto.

SPH reforça internacionalização

O responsável não podia fazer um balanço mais positivo deste simpósio, que reuniu cerca de uma centena de participantes e que contribuiu para a internacionalização da SPH:

“Juntámos talvez os melhores especialistas da atualidade nesta área. Além disso, conseguimos estar atentos a um problema ao longo de um dia inteiro. Garantimos um número de participantes deveras importante e de difícil concretização para um evento desta natureza. Tal como prometi na minha tomada de posse, voltamos a ser pioneiros e a estar na ‘crista da onda’ em relação a temas da atualidade”.


Csaba Farsang e Manuel de Carvalho Rodrigues.







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