«Havia alguma necessidade de a Medicina Interna abordar doentes mais complexos sem os transferir»

Ao assumir a coordenação do Setor 3C do anteriormente designado Serviço de Medicina 3 da ULS Algarve, que, no fundo, corresponde a uma das três enfermarias do Serviço de MI na Unidade de Portimão, Marta Duarte ficou também responsável pela Unidade Médica de Agudos, que recentemente ganhou uma extensão, noutro piso do hospital, pelo que a sua passou a designar-se UMA 1.


Marta Duarte: “Os doentes podem ser internados diretamente da Urgência ou estar na enfermaria e ter uma descompensação aguda da sua doença de base.”

Nuno Bernardino Vieira ainda não era diretor do Serviço quando, em 2021, uma reorganização do mesmo fez surgir o Setor 3C, que ficou sob a sua coordenação. Alocada àquele, foi criada um ano depois a Unidade Médica de Agudos, com 3 camas, tendo a enfermaria visto a sua capacidade ajustada de 27 para 21 camas. É no verão de 2024 que Marta Duarte passa a ser responsável pelo Setor 3C e, consequentemente, também pela unidade funcional de cuidados intermédios.

Embora sendo uma entidade autónoma dentro do Serviço de MI, a UMA 1 conta com as mesmas equipas de enfermagem e médica do Setor 3C. No entanto, os dois médicos afetos à Unidade – geralmente um especialista e um interno -- vão rodando mensalmente.



“A criação da UMA permite que a MI consiga gerir doentes mais complexos, de nível 2, que anteriormente ficavam totalmente a cargo da Medicina Intensiva. Portanto, havia alguma necessidade da nossa parte, como internistas, de abordar estes casos sem ter que os transferir”, explica Marta Duarte, acrescentando:

“Podem ser internados diretamente a partir do Serviço de Urgência, quando são abordados pela MI e têm necessidade de um internamento mais diferenciado. Ou podem estar na enfermaria e ter uma descompensação aguda da sua doença de base e precisarem de maior vigilância e de outro tipo de tratamento mais específico.”

De referir que, em caso de necessidade, é possível colocar uma quarta cama, seja para acolher um doente de hospitalização domiciliária para ser submetido a um procedimento que a isso obriga, ou para dar resposta a uma situação da Unidade de Insuficiência Cardíaca, por exemplo.


Marta Duarte e Nuno Bernardino Vieira

Marta Duarte sublinha que são internamentos curtos -- em média não mais do que três ou quatro dias --, ou seja, o tempo necessário para a estabilização do doente. E adianta: “Temos muita patologia cardíaca, nomeadamente IC, e, como existe a possibilidade de fazer ventilação não invasiva, também recebemos casos de DPOC agudizada. Ou do foro gastrenterológico, com hemorragias digestivas, que têm que ser vigiados, ficam ali connosco.”

Considerada uma espécie de extensão da UMA 1, foi entretanto criada a UMA 2, com uma lotação de três camas, estando alocada à Unidade de AVC, num piso inferior do hospital. Por estar fisicamente num espaço distinto e dispondo de uma equipa de profissionais diferente, concluiu-se que faria todo o sentido que a sua coordenação estivesse a cargo da internista Isabel Taveira, precisamente a responsável pela Unidade de AVC.

Marta Duarte, que nasceu em Portimão há 38 anos, fez o curso na FMUL e logo regressou à sua terra natal, para se tornar internista e ali prosseguir a sua carreira. Quanto aos doentes que necessitam de cuidados intermédios, área de que gosta, confirma que são “mais específicos e mais desafiantes”.


A reportagem completa aos serviços de Medicina Interna da ULS Algarve (unidades de Portimão-Lagos e de Faro) e à Unidade de Alvor do Grupo HPA Saúde pode ser lida na LIVE Medicina Interna 35 - Jan.-Abr. 2026.

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