Formação em Medicina Paliativa «deveria ser obrigatória no internato médico»

A criação da especialidade de Medicina Paliativa e a formação obrigatória nesta área no internato médico foram dois pontos defendidos por Duarte Soares, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), nas II Jornadas do Núcleo de Estudos de Medicina Paliativa (NEMPal) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI).



Duarte Soares foi uma das presenças na mesa da sessão de abertura das jornadas que decorreram este sábado, na Fundação Cupertino Miranda, no Porto, sob a temática “Comunicação em Cuidados Paliativos e Fim de Vida”.

"Olhem com urgência para a necessidade de formação"

Fazendo referência ao tema do Mês dos Cuidados Paliativos (outubro), “Vamos continuar a escrever esta história”, defendeu que “o próximo capítulo, a nível médico, é ver a Medicina Paliativa como especialidade”.



O responsável realçou ainda que “a formação nesta área deveria ser obrigatória no internato médico”. “Precisamos de mais médicos dedicados à Medicina Paliativa; faço um apelo às especialidades-mãe desta área - Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar - para que olhem com urgência para a necessidade de formação”, continuou.

“É preciso haver estágios em equipas especializadas"

A aposta na atividade formativa também foi um tema abordado por Edna Gonçalves, presidente da Comissão Nacional de Cuidados Paliativos de Portugal, realçando que os médicos são presença constante, nos últimos tempos, nos cursos de pós-graduação ou de mestrado em Medicina Paliativa. “Mesmo nas escolas de enfermagem, a maioria dos alunos são médicos, isto é demonstrativo de que estes profissionais estão a acordar para a importância desta área.”

Contudo, frisou, “é preciso haver estágios em equipas especializadas, porque apenas com prática clínica se conseguem melhores cuidados de saúde”.



A médica falou ainda da luta, junto do Ministério da Saúde, para que quem tenha competência em Medicina Paliativa possa dedicar mais tempo a essa formação. “A maioria tem de conjugar esse trabalho nas equipas intrahospitalares com as urgências e as consultas.”

Doentes com participação ativa nas decisões

João Araújo Correia, presidente da SPMI, na sua intervenção começou por realçar a importância da Medicina Interna nos Cuidados Paliativos. “A relevância da Medicina Interna deve-se à sua vocação natural, de especialidade generalista, de se sentir particularmente confortável no seguimento e tratamento do doente complexo, habitualmente idoso, com várias patologias e terapêuticas”, observou.

E sublinhou a pertinência da temática das jornadas. “A comunicação sempre foi fundamental para se gerar empatia entre o médico e o doente, contribuindo-se assim para melhores prognósticos e decisões terapêuticas.”



O presidente da SPMI relembrou que esta relação entre os profissionais de saúde e os utentes se alterou bastante com o advento da internet, nomeadamente no conceito que se tem da profissão. “Os médicos deixaram de ser endeusados e vistos como os únicos portadores de conhecimento e os doentes são chamados a ter uma participação ativa em todas as decisões.”

João Araújo Correia reconheceu a complexidade da comunicação em Cuidados Paliativos e fim de vida e apontou que “os médicos, quando conseguem estabelecer uma comunicação fluida e empática com o doente terminal, devem sentir o mesmo orgulho que se tem nos casos de diagnósticos e realização de técnicas complexas”.

Terminou enaltecendo o trabalho do NEMPal e da coordenadora Elga Freire, também ela presente na sessão de abertura. Carlos Mota Cardoso esteve a representar a Ordem dos Médicos.


Duarte Soares, Edna Gonçalves, João Araújo Correia, Carlos Mota Cardoso e Elga Freire 


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