Fundação Champalimaud: como a inteligência artificial vai «moldar o futuro da medicina»

No próximo dia 16 de julho, decorre na Fundação Champalimaud (FC) a terceira e última Conferência Medica AI, sob o tema “Conceber cuidados de saúde orientados pela IA para 2050” em que será discutida a presença da inteligência artificial nos diversos tipos de cuidados de saúde.

De acordo com a organização, o objetivo passa por "explorar a forma como as escolhas clínicas, tecnológicas, educativas, económicas e regulatórias de hoje irão moldar o futuro da medicina para as próximas gerações".

Na sequência do tema principal de 2025, intitulado “Estão prontos para cuidados de saúde impulsionados pela IA?", a Medica AI 2026 "leva o debate mais além: da preparação à responsabilidade, à governação e à visão a longo prazo".

A conferência contará também com dois Google Medica AI Hackathons, que irão decorrer nos dias 15 e 17 de julho. Estes workshops foram concebidos especificamente para médicos e profissionais de saúde sem conhecimentos prévios de programação com o objetivo de aplicar soluções baseadas em IA aos cuidados clínicos.



Na apresentação desta terceira conferência, sublinha-se que "à medida que a IA transforma rapidamente os sistemas de diagnóstico, tratamento, investigação, educação e cuidados de saúde em todo o mundo, o debate precisa de ir além da adoção tecnológica, e centrar-se agora em questões de responsabilidade, governação e impacto a longo prazo".

Nesse sentido, a Medica AI – The Conference 2026 visa "explorar que tipo de sistema de cuidados de saúde impulsionados pela IA a sociedade pretende construir até 2050, destacando a necessidade de uma colaboração multidisciplinar para garantir que a inovação se mantenha ética, sustentável e centrada nos doentes".


“Quando pensamos nos cuidados de saúde em 2050, não devemos começar por perguntar do que a IA será capaz", afirma Pedro Gouveia, diretor médico do Laboratório de Cirurgia Digital (DSL) e co-organizador deste evento.

Na sua opinião, "devemos começar por perguntar que tipo de cuidados de saúde queremos para as gerações futuras", já que "a tecnologia só faz sentido se melhorar a vida das pessoas". Assim, a Medica AI proporciona "um espaço onde a medicina, a ciência, a tecnologia e a sociedade se unem para conceber esse futuro de forma responsável”.

A conferência irá explorar a IA como "uma transformação a nível global, em vez de a considerar simplesmente como mais uma ferramenta tecnológica". Através de apresentações e discussões que abrangem a medicina, a engenharia, a política e a indústria, os participantes irão explorar a forma como "a IA pode ser integrada em todo o continuum de cuidados de saúde, desde a prevenção e o diagnóstico até ao tratamento e à saúde da população, abordando simultaneamente as suas implicações económicas, sociais e regulamentares".

O programa foi estruturado em quatro sessões, abrangendo temas que vão desde a formação em IA até ao impacto clínico e à transformação mais rápida do setor da saúde a nível mundial através dos hospitais digitais.

A conferência terá início com uma sessão especial conjunta entre a Sociedade Europeia de Oncologia Cirúrgica e a Sociedade Europeia de Radiologia, que transportará os participantes até 2050 e lhes permitirá vivenciar um dia na prática de um radiologista e de um cirurgião do futuro. A mensagem centrar-se-á no facto de que "o desafio não consiste apenas em criar ferramentas de IA, mas sim em implementá-las efetivamente nos cuidados de rotina, face a obstáculos que incluem as infraestruturas e a fraca literacia tecnológica".

Os oradores desta sessão são Pedro Gouveia e Regina Beets-Tan, professora da Universidade de Maastricht, membro do conselho executivo da MAASTRO e diretora científica do EIBIR.

O programa completo pode ser consultado aqui.


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