Boa parte da equipa da USF Alpendorada | Tabuado é a mesma há 20 anos
A atualmente designada USF Alpendorada | Tabuado, situada no concelho do Marco de Canaveses, pertence ao lote das primeiras 50 unidades de saúde familiar criadas no nosso país, tendo a equipa – 7 médicos, 7 enfermeiros, 5 secretários clínicos e 3 internos de MGF -- celebrado o seu 20.º aniversário no passado dia 18 de setembro.
Uma boa parte dos profissionais faz parte do grupo inicial, ali se mantendo desde 2006, mas todos os atuais médicos entraram na última década. Modelo B desde 1 de maio de 2008, viu a DGS atribuir-lhe a acreditação segundo o modelo ACSA em setembro de 2018. Pertencia ao ACES Tâmega 1 – Baixo Tâmega quando, em fevereiro de 2017, lhe foi agregado o polo de Tabuado, integrando atualmente a ULS do Tâmega e Sousa.
Sob a coordenação de Isabel Nuno desde o início de 2021, a USF Alpendorada | Tabuado serve uma população particularmente atingida pela silicose pulmonar, que é responsável por uma elevadíssima incidência de tuberculose na região e favorece o desenvolvimento de outras doenças respiratórias, como a DPOC.
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Isabel Nuno
A coordenadora recorda um aspeto inovador da formação em Medicina que a então recém-criada Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho implementou. Ela que, em 2004, foi um dos 60 estudantes que iniciaram o 3.º curso de Medicina promovido por aquela instituição, nunca mais se esqueceu da importância que representou para si o módulo curricular denominado “Acompanhamento de uma Família”.
A cada aluno era atribuída uma família que, entre o 2.º e o 6.º ano do curso, aquele deveria visitar periodicamente, com o objetivo, nomeadamente, de compreender o impacto da doença no núcleo familiar, avaliar os determinantes sociais da saúde e a dinâmica da própria habitação.
“Eu ia sozinha e esse era logo um aspeto importante, o termos essa liberdade. Obviamente, tratava-se de famílias com as quais os nossos tutores tinham confiança, sendo que nós eramos recebidos como se fizéssemos parte delas. E no final tínhamos de fazer um relatório”, explica, acrescentando:
“Comecei por estranhar imenso entrar na casa de pessoas que não conhecia, mas depois achei interessante e hoje ainda percebo melhor a importância que essas visitas tiveram para mim. Portanto, desde cedo que eu estabeleci ligação com a comunidade, o que para mim foi bastante positivo. Mas houve colegas que, efetivamente, concluíram que não queriam ter contacto com as pessoas dessa forma.”
Daí que Isabel Nuno afirme que estava praticamente segura de que queria ser mesmo médica de família desde o início do curso de Medicina, onde recebeu uma formação, como já se viu, vocacionada para os cuidados na comunidade.

A médica chegou ao polo de Tabuado um mês antes do Natal de 2017. E não foi para substituir alguém, mas sim para ocupar uma vaga aberta na sequência da integração na USF Alpendorada daquela que fora, até 1 de fevereiro desse ano, a UCSP Tabuado.
A distância de 20 km entre os dois polos nunca foi um problema, até porque “temos o que precisamos para acompanhar estes utentes de uma forma que não acontecia antes desta unidade de saúde aqui em Tabuado funcionar no modelo USF”.
Sofia Aguiar, que transitou da UCSP, é a enfermeira de família de Isabel Nuno e Alexandre Freitas desempenha o mesmo papel em articulação com Rui Correia, o médico que, aliás, fez o telefonema/convite à atual coordenadora para vir exercer nesta aldeia do concelho de Marco de Canaveses. Liliana Pereira é a secretária clínica das duas microequipas.
Com instalações adequadas ao número de profissionais que tem e à população que serve – um pouco mais de 3600 utentes --, o polo de Tabuado ocupa um espaço arrendado pelo município e que é parte do 1.º andar do Centro Social Interfreguesias, uma IPSS que apoia os idosos da comunidade.
Com um horário de funcionamento que varia entre as 8h e as 18h, ou entre as 10h e as 20h, consoante o dia da semana, encerra às sextas-feiras durante três horas (das 12:30h às 15:30h), para que os seus profissionais se desloquem até Alpendorada (meia hora de viagem para cada lado), permitindo que todos os elementos da USF estejam juntos na reunião semanal.
Embora localizado a menos de 5 km da sede do concelho, o polo de Tabuado serve “uma população bastante envelhecida, ruralizada, com grande necessidade de cuidados domiciliários, um nível de escolaridade mais baixo, mas muito agradecida, que reconhece o nosso trabalho”.
Quanto ao polo-sede de Alpendorada, onde se presta assistência a mais de 10.000 utentes, Isabel Nuno destaca o problema das doenças respiratórias, devido ao facto de haver bastante gente a trabalhar nas pedreiras ali existentes. Na sua esmagadora maioria dedicadas à extração de granito, estão na origem de muitos casos de silicose e, consequentemente, têm feito multiplicar o número de infeções pelo bacilo da tuberculose diagnosticadas.
“Nós fazemos consultas de Hipertensão, de Diabetes, de Saúde Materna, de Saúde Infantil, etc., mas a Consulta de Doenças Respiratórias é realmente a mais diferenciada na nossa Unidade. Surgiu, como se percebe, da necessidade de darmos mais atenção aos doentes com silicose e DPOC, mas também outras patologias, como a asma”, refere a coordenadora, confirmando que a mesma estava precisamente em fase de implementação quando integrou a USF, em 2017.
“Cada um dos médicos assegura essa Consulta aos utentes da sua lista e, para tal, temos alocada uma hora por semana, exceto na altura do inverno. Entre outubro e fevereiro, durante 5 meses, passa a ser consulta aberta, para responder à maior procura que acontece nessa fase do ano”, esclarece.

Comunicação dentro da ULS mais facilitada
Quando Isabel Nuno começou a trabalhar no polo de Tabuado, em 2017, tão recém-especialista como o seu colega Rui Correia, eram cinco os médicos que exerciam em Alpendorada. Menos de uma década depois, nenhum deles ali se mantém. “Houve uma rotatividade terrível, que começou em 2019 e só terminou depois de eu já ser coordenadora”, recorda.
Nalguns casos, as saídas aconteceram porque os profissionais se reformaram, como foi o caso de Rui Maggioli, “que é uma pessoa que admiro imenso e que foi o meu farol durante a minha coordenação, enquanto se manteve na equipa”. A sua lista de utentes seria entregue uns meses depois da sua aposentação a Sandrine Dias, que fora sua interna. Os tempos são agora outros, de muito maior estabilidade no que ao grupo de médicos diz respeito.
Segundo Isabel Nuno, também a entrada em funções do atual Conselho de Administração da ULS do Tâmega e Sousa terá sido positiva: “A comunicação está agora muito mais facilitada e os processos mais bem definidos, em prol de uma maior integração de cuidados.”
A coordenadora destaca, nomeadamente, o facto de a diretora clínica para a área dos CSP, a médica de família Sónia Moreira, ter decidido colocar um adjunto como responsável por cada um dos três territórios correspondentes aos antigos ACES: Baixo Tâmega, Vale do Sousa Norte e Vale do Sousa Sul.
“Foi uma vantagem para nós. Não nos podemos esquecer que a área de influência desta ULS é bastante vasta, com uma população enorme e muito dispersa, distribuída por zonas tipicamente urbanas e outras profundamente rurais, afirma Isabel Nuno, adiantando:
“Paralelamente, também penso que os colegas hospitalares estão neste momento bastante mais sensibilizados para a importância que os CSP têm no sistema.”
A reportagem completa à USF Alpendorada | Tabuado foi publicada na edição de setembro 2026 do Jornal Médico.
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