USF Santa Joana aposta no crescimento, mas «acompanhando a maturidade organizacional»

Trabalhar em equipa e com autonomia funcional era já uma velha ambição e, mesmo vendo gorada uma primeira tentativa, um grupo de médicos de Aveiro decide criar, em 2007, a USF Santa Joana, que viria a abrir em junho de 2008. Liderada por José Carlos Marinho, e seguindo sempre um percurso “maturado e discutido”, a unidade é tema de reportagem na edição de junho do Jornal Médico dos Cuidados de Saúde Primários.

A formação é “a grande vocação da USF”

De acordo com o médico de família, a formação é uma grande vocação da USF: “Consensualizamos que esta é uma unidade onde se privilegia a formação, para além do nosso core business – o atendimento dos utentes –, e um local onde as pessoas se sintam bem”. Aliás, acrescenta, “pomos uma tónica importante e uma grande preocupação no desenvolvimento dos nossos formados”.

Além dos sete médicos, a equipa integra sete enfermeiros e cinco secretários clínicos, número que é considerado “suficiente”, uma vez que em Aveiro não há agora praticamente utentes sem médico de família. “Temos os rácios que pretendíamos e com toda a população coberta”, assinala José Carlos Marinho.

A unidade tem uma única carteira adicional – Desabituação Tabágica –, cujos profissionais colaboram também com a consulta concelhia da especialidade. Tem ainda uma enfermeira especialista em Saúde Materna, que colabora igualmente com o Centro de Saúde de Aveiro nas sessões de preparação para o parto. Segundo José Carlos Marinho, tanto ele próprio como João Terrível -- médico que também integra a equipa -- poderiam fazer pequena cirurgia na unidade se tivessem condições.

“Temos um projeto desde que abrimos – com o apoio da junta e que já apresentámos ao sr. presidente da câmara, e com a garantia do atual diretor executivo do ACES – de estudar a proposta para fazer algumas obras que permitam melhorar o atendimento no secretariado e construir uma sala para pequena cirurgia e um gabinete para internos” sublinha o nosso interlocutor, considerando que o espaço, “apesar de encher o olho”, tem limitações, sobretudo no setor do atendimento geral, “que ocupa uma área exígua e mal localizada”.



Cumprimento de objetivos “é o grande ganho”

Conhecidas estas limitações, terá então o modelo conseguido mais ganhos em saúde do que o sistema tradicional? “Embora os profissionais sejam o grande ativo de qualquer organização, há excelentes profissionais num modelo e há excelentes profissionais no outro, o que muda é a organização e com ela a motivação”, responde o coordenador.

“Acho que o modelo organizacional impõe valores que têm que estar presentes para as coisas funcionarem, como mais disponibilidade, solidariedade, transparência nos processos, e impõe ainda compromissos e negociação, que são fundamentais”, reforça José Carlos Marinho, sublinhando: “A contratualização séria é a base deste grande modelo que, de resto, nos compromete a atingir os objetivos. Esses, para mim, são os grandes ganhos”.

Sobre cumprimento de indicadores, tem sido “muito satisfatório”. “Só houve um ano (2013) em que não os cumprimos por causa dos indicadores financeiros, mas temos tido a satisfação de cumprir todos os outros”, assinala o médico de família, admitindo, contudo, que “não andamos aqui a cortar as unhas perante as necessidades dos nossos utentes”.

Já sobre os projetos no futuro próximo, lembra que, tendo a USF acabado de sair de uma auditoria para passar para o modelo B, “o grande desafio está no crescimento dos processos”, esperando que, brevemente, venha a ser homologado o parecer técnico, que foi favorável.

“A USF está neste momento preocupada em afinar o modelo atual de forma que, quando iniciar o modelo B, possa cumprir os objetivos, depois seguir-se-á a acreditação”, adianta José Carlos Marinho, para depois concluir: “É inevitável, já estamos a discutir isso, vamos procurar cumprir com todas as condições e, sobretudo, temos a esperança de que a reforma continue, que é a grande preocupação de todos nós”.




A USF Santa Joana é tema de reportagem da edição de junho do Jornal Médico dos Cuidados de Saúde Primários, publicação editada pela Just News e amplamente distribuída junto dos profissionais das USF e ACES de todo o país e de várias outras entidades.

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