Taxas de vacinação contra a gripe continuam aquém do desejado
Portugal ainda não atingiu as taxas de vacinação contra a gripe recomendadas pela OMS. O presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão, Artur Teles de Araújo, recorda que, nos grupos mais vulneráveis e de risco, a gripe pode ser mortal.
Inexoravelmente, a gripe bate-nos à porta todos os anos. Em geral, é uma doença benigna, com um curso de cinco a sete dias, que passa por si. Mas, “nalgumas pessoas, podem surgir complicações, sobretudo se têm doenças crónicas”. Artur Teles de Araújo recorda que esses casos requerem prevenção, através da vacinação.
A vacinação “é imprescindível em pessoas com mais de 65 anos e com doenças crónicas ou com diminuição da sua capacidade de defesa imunológica, como é o caso da diabetes ou das patologias respiratórias, tais como a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), onde a gripe pode abrir a porta a infeções bacterianas, o que agrava muito a evolução e o prognóstico destes casos”, alerta o especialista.
Para Artur Teles de Araújo, “os profissionais de saúde, militares, pessoas que vivam em lares de terceira idade e grupos de risco especial, pelas suas atividades, são outros tantos grupos alvo, uma vez que trabalham ou vivem em locais onde existe uma grande exposição ao vírus”.
Profissionais de saúde são dos mais renitentes à vacinação
O vírus da gripe muda todos os anos. Por esse motivo, baseia-se “na probabilidade de as estirpes que estiveram em circulação no hemisfério Sul, no verão, serem as mais prevalentes no hemisfério Norte, no inverno”. Daí não ser possível fazê-la muito antes de setembro/outubro, explica o presidente da FPP, acrescentando que, “embora não seja 100% eficaz, a vacina protege-nos contra as estirpes que se espera estejam em circulação em cada ano e, por isso, contra a grande maioria das infeções”.
Apesar do aumento das taxas de vacinação nos grupos de risco, o presidente da FPP alerta que “continua a haver uma percentagem elevada de doentes crónicos que não faz a vacinação, o que aumenta os riscos de progressão da sua doença”. É verdade que as percentagens têm vindo a melhorar “mas ainda não é o desejado”.
E importa não esquecer que as profissões de risco, como as da saúde, são, “frequentemente, muito renitentes à vacinação, o que constitui um perigo não só para os próprios profissionais, mas também para os outros, na medida em que vão ser veículos de transmissão para diferentes grupos”.
Na sua perspetiva, o médico de família desempenha um papel fundamental na sensibilização para a importância da administração da vacina. Contudo, “há sempre necessidade de fazer um maior esforço porque, embora as taxas de vacinação da gripe tenham melhorado, ainda não atingimos completamente os valores recomendados pela OMS”.
Relativamente à preocupação dos cidadãos sobre eventuais efeitos secundários da vacina da gripe, Artur Teles de Araújo sublinha a necessidade de o médico de família esclarecer os utentes de que “são raridades e que o efeito benéfico da vacina, no seu conjunto, é indiscutível”. E, sobretudo, manter o alerta de que “a gripe, apesar de ser uma doença vulgar, ao agravar doenças pré-existentes, pode ser mortal”.


