Serviços Farmacêuticos do CHCBeira implementam projeto de reconciliação terapêutica

Os Serviços Farmacêuticos do CHCB submeteram ao programa de financiamento Portugal 2020 um projeto (MedOn) que visa o desenvolvimento de uma solução informática integrada para a implementação de sistemas de reconciliação terapêutica, desde a admissão hospitalar até à alta e consulta.

A Just News deslocou-se à Covilhã para conhecer de perto aqueles Serviços e, em particular, o referido projeto. A sua diretora, Maria Olímpia Fonseca, começa por esclarecer que o conceito de reconciliação terapêutica assenta na necessidade de, em pontos-chave da transição do doente entre níveis de cuidados, haver uma tomada de decisão e a atualização da lista de medicação.

O conceito é amplamente reconhecido como importante para a segurança do doente, havendo, inclusive, uma recomendação do Plano Nacional da Segurança do Doente para que os hospitais tenham, bem implementados no terreno, sistemas de reconciliação terapêutica.

A candidatura dos Serviços Farmacêuticos do CHCB foi aprovada em 2016 e a execução está em curso. O objetivo é desenhar uma solução informática, em parceria com a Glintt – empresa de software proprietária do Sistema de Gestão Integrado do Circuito do Medicamento (SGICM) utilizado no CHCB –, que permita “agilizar processos de atualização da prescrição medicamentosa e deteção de erros, integrando, também, alertas de identificação de medicamentos potencialmente inapropriados para populações especiais, nomeadamente os
doentes idosos”.



“Vai ser uma ferramenta fundamental para reduzir erros de medicação quer no domicílio, quer na transição entre unidades de cuidados de saúde”, frisa Maria Olímpia Fonseca, desenvolvendo que a ideia é que possa ser descentralizada por todos os hospitais e que possa ser facilmente usada pelos médicos.

No momento, está a decorrer o recrutamento de um bolseiro para trabalhar na solução informática.

Um trabalho de continuidade

O projeto em questão surge na continuidade do trabalho que tem sido desenvolvido por aqueles Serviços Farmacêuticos, desde 2009, na área da reconciliação terapêutica e que já valeu a atribuição do primeiro e do segundo lugares do prémio “Evidenciar o Conhecimento em Farmácia Hospitalar”, da Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares (APFH) e da Gilead.

A distinção aconteceu em anos distintos, respetivamente, com um projeto na área da adequação da terapêutica aos doentes idosos, intitulado “Medicar Melhor”, e com um trabalho na área da reconciliação terapêutica no momento da admissão.



Certificação exige um acompanhamento permanente

Os Serviços Farmacêuticos do CHCB foram criados aquando da abertura daquele centro hospitalar, em janeiro de 2000, que resultou da integração do Hospital Pêro da Covilhã (HPC) com o Hospital do Fundão.

Segundo Maria Olímpia Fonseca, quando entraram em funcionamento, a grande aposta dos Serviços Farmacêuticos foi na automatização/informatização, tendo sido feito um investimento em diversos equipamentos, o que permitiu, fundamentalmente, agilizar os processos de distribuição dos medicamentos e de outros produtos farmacêuticos, bem como a sua preparação, aspetos essenciais para manter os níveis de qualidade e exigência, reduzir a possibilidade de erros de medicação, rentabilizar melhor os recursos humanos e melhorar a eficácia.

O CHCB é acreditado pela Joint Comission, o que impulsionou que  os Serviços Farmacêuticos apostassem no desenvolvimento de um sistema de qualidade que conduziu ao processo de certificação pela norma NP EN ISSO 9001/2008, em abril de 2011.


“Os indicadores requerem acompanhamento todos os meses, tal como os objetivos”, salienta Maria Olímpia Fonseca, acrescentando que uma certificação permite não só identificar os pontos fracos e desenvolvê-los como também motivar uma equipa.

“Entendo que a Farmácia Hospitalar desempenha um papel muito importante, onde não pode haver erros e, se os houver, não podem chegar ao doente”, adverte.



A responsável gosta de implementar e de inovar e, para tal, tem contado com uma equipa que, conforme refere, “a tem acompanhado”. Lamenta, apenas, as dificuldades que têm existido na contratação de recursos humanos, sobretudo de técnicos.

A equipa é constituída, neste momento, por nove farmacêuticos, seis técnicos de diagnóstico e terapêutica e seis assistentes operacionais.

Alguns dos projetos desenvolvidos:

• Implementação de sinalética: o objetivo é identificar várias situações de perigo e reduzir o erro, como, por exemplo, para o caso de existirem nomes semelhantes de doentes, para os medicamentos LASA (com fonética e escrita parecida), diferentes dosagens, etc. As listagens são atualizadas anualmente e são disponibilizadas a todos os serviços clínicos. Esta área já motivou a apresentação de vários posters.



• Criação de pictogramas em ambulatório

• Criação de um microsite: destina-se à divulgação de informação na área do medicamento, onde estão disponíveis os guias digitais elaborados pelos Serviços Farmacêuticos. A plataforma é disponibilizada gratuitamente àqueles Serviços do CHCB e aos profissionais de saúde que trabalham nos diferentes níveis dos cuidados de saúde mediante pagamento de uma licença anual

• Elaboração de guias de injetáveis e de medicamentos orais

• Sensibilização da população jovem e idosa para a correta utilização dos medicamentos (apresentações nas escolas e lares)




A reportagem completa pode ser lida no Hospital Público de janeiro, onde são entrevistado diversos profissionais da equipa.

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